segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

F1 2020: O meu descontentamento com a categoria

Hoje é segunda feira, começo de fevereiro. Não, não vou fazer um resumo da off season da F1, vou fazer uma "lavagem de roupa suja".

Eu não sei vocês, mas assim como dizem os críticos de cinema, criei raiva da Netflix. Porquê? Ela é uma das responsáveis por mudar coisas que afetam diretamente a minha rotina. 
Uma delas e talvez, a mais escancarada de todas, é que o serviço que prestam diminuiu drasticamente o mercado de DVDs. Hoje, para ter um box da minha serie favorita requer um grande custo. As distribuidoras não vêem mais lucro nisso. Ninguém coloca o DVD de casa para funcionar. 
O ódio é grande. Ao questionar numa página de fãs de uma série, se estes sabiam quando sairia os DVDs da quinta temporada de Vikings recebi o seguinte comentário - "tem na Netflix". 
Amore... Vai tomar... banho, vai!

Claramente, uma situação pessoal, mas que afeta também muito o mercado audiovisual, inclusive cinemas. Esse ano, a maioria dos filmes que concorrem a Oscar são da Netflix totalizando 24 indicações. É praticamente uma por categoria. Inclusive, dois filmes estão indicados para Melhor Filme - O Irlandês e História de Um Casamento - e estes não passaram pelo circuito das redes de cinema.

Eu sei. O título da postagem é F1 2020 e não Oscar. "Tô sabendo". 
Então aqui vai: o blog aqui fez 12 anos. 90% das postagens dele são sobre F1. Assisto as corridas desde criança. "Entendo" desde minha adolescência (sim, é com aspas mesmo, não tenho pretensão nenhuma de ser considerada PhD em F1). Tenho um piloto favorito desde meados de 2002. Inclusive, ele ainda corre na categoria. Então vamos fazer as contas? São 18 anos!!! 
Confesso. Comecei a gostar de Kimi Räikkönen com idade para achar homens como ele, atraentes. Eu tinha 15 anos em 2002. Não sou hipócrita em dizer que era apenas "admiração pelo talento". Uma ova que começou assim!
Com o tempo (e a maturidade), isso não sustentava a minha permanência assistindo F1. A única manifestação prepotente que vão ler no texto de hoje é essa que vem a seguir: logo que Kimi venceu em 2007 e dali, não foi mais "privilegiado" na Scuderia Ferrari, não abandonei a categoria quando o mesmo saiu para competir rali. 
Não acompanhei essa fase dele direito. Me distanciei do "Kimi pessoa" ao mesmo tempo que me aproximei da F1. Aprendi a assistir as corridas sem amarras passionais. Foi a melhor coisa que fiz na vida.
Há 10 anos, não é qualquer corrida que me agrada. Há pelo menos 7 anos, a F1 no todo tem muito pouco de empolgante. A lista de coisas que não me agradam aumenta uma linha cada vez que abro um portal de notícias especializadas. Aumenta 10 linhas cada vez que assisto uma corrida. Dá um livro. 
A lista de coisas que empolgam na categoria não dá mais do que uma dúzia de notas de rodapé.

Ano passado senti que tinha muita gente falando de F1. Eu conhecia um pessoal das redes que era à muito tempo familiarizado com o esporte. Sigo-os até hoje. 
Mas de uma hora para outra, havia um sem número de perfis engraçadinhos no Twitter, no Instagram... Moças bonitas comentando F1 brotaram numa proporção que, num esporte destes, deve ter agradado muito os caras por aí. Logo, as moças com foto de "carão" no Twitter estavam ganhando muitos seguidores e a comunidade, se alargando.

Já havia mulheres nesse meio, antes. Muitas eu nem tinha amizade. Na maioria dos casos, havia muita ofensa gratuita. Se calhava de ver algo muito estressado na rede do passarinho azul nem precisava ler a arroba: a gente exagera na hora de reclamar dos pilotos. Os caras xingam, ofendem, mas quando a gente faz, machuca.
As que eu não conhecia, eu confesso que evitava seguir seus perfis, por uma razão: era muito palavrão para pouco espaço.

É claro, já comentei sobre os anos, então devem ter imaginado que não sou nenhuma adolescente. E sou uma das mulheres que inventaram de dar palpite sobre F1. Ali no cantinho entre um grupo seleto de mulheres e blogueiros, todos conhecidos, eu nunca fiz parte. Não sou conhecida. Ninguém vem a mim perguntar: "o que você acha das novas regras?!" Fiz esse blog, à 12 anos atrás porque gosto de escrever. Se alguém me lê, isso não foi planejado. Se alguém acha que eu escrevo coisas bacanas, só posso agradecer. 
Acho que certo "anonimato" faz bem. Estar em evidência, num meio destes, é dar tiros no pé. Quanto mais seguidores tem, mais você acha que pode dizer qualquer coisa sobre o assunto que conquistou aquele pessoal. A questão é que a proporção das bobagem que você fala cresce na mesma velocidade que os seguidores.
 Assim, aqueles perfis que de 2018 para 2019 apareceram bombando no Twitter, eu percebi a existência com desconfiança. Gente que, do nada, disparava acusações sobre pilotos que não se via em lugar nenhum? Pior: fofocas sobre a vida afetiva dos caras comentadas com várias threads? Quem queria saber disso?
Teimei: "não é possível que esse pessoal apareceu depois do 'Drive To Survive' - aquele novelão fake". Bingo, parece que eu não estive viajando tanto na maionese.

Mais um motivo para ter desagrado com a produtora. Eu sou chata mesmo. Evito gostar de uma coisa que todo mundo gosta. Sempre acho que tem algum problema aí.
Mas abram o Twitter e vejam: é meme com Vettel rodando, Valtteri Bottas sendo comparado à Heikki Kovalainen (por gente que nem sabe quem é o Kovalainen), maluquinhos que não viram Alonso no auge, reproduzindo o suposto "pau que tomou do Hamilton em 2007"... Entre outras coisas. 

Boa razão para finalizar esse texto: quem é Fernando Alonso? Eu não o conheço. 
Não gostava dele em 2005. Oras, eu era fã do Räikkönen! Mas aí em 2006 abaixei a bola. O cara era bom mesmo. E continua bom. Não defendo, mas desconfio de tanta crítica. 
Sei lá se ele "tomou pau do Hamilton" em 2007. O que fica é que Alonso exigiu prioridade na equipe e levou uma coça do novato. A minha leitura foi diferente na ocasião. Para proteger o piloto da casa, não aceitaram as exigências do bicampeão. Qual campeão mundial não faria o mesmo?

As notícias nessa offseason, Alonso declarou várias coisas. Até agora, não vi nada de errado nelas, inclusive quando criticou o ex companheiro. Mesmo assim houve muita gritaria contra. Para 90% dos fãs (antigos ou maduros - vou evitar os papagaios novatos nessa conta) acham ele um cara arrogante. 
A F1 não quer Alonso por perto. A pergunta que ninguém faz, antes de expor todo o seu "ranço" (odeio essa expressão, mas é o que acontece, hoje) é essa: "Porque 'ninguém' parece gostar dele?" Eu até procurei, mas nada - pelo menos do que foi divulgado - justifica todo esse julgamento. O que ele fez nos boxes com Hamilton em 2007? O "faster than you"  em 2010? 
Está lá para quem quiser ler: "Há muitas mentiras sobre a minha carreira", disse. Teve gente que riu. E eles tem todo o direito disso.
Mas eu aqui, fico pensando, quem garante que não mentiras mesmo? Assistiram o Drive to Survive e quase morreram nessa offseason porque não se anunciavam data da segunda temporada. A primeira temporada fez recortes de falas específicas que ao mesmo tempo que para vocês definiram personalidades, podem ter sido colocadas ali com um propósito de suscitar opiniões sobre possíveis desvios de caráter. Isso é o mais comum desde a criação da imprensa. 
"Ah, mas o fulano é um sacana..." Bom, o Vaticano está boiando então, pois nesses anos todos de F1 não canonizaram nenhum piloto. Abominável, não? 
Acho que a Liberty precisa lançar o slogan: aqui "Santificam-se" e "demonizam-se" os pilotos. Não há nenhuma ética em construir e destruir reputações. 

Em 2020 terminarão de pintar de vermelho e observaremos o crescimento dos chifres em Sebastian Vettel. Todo o fracasso da Ferrari será sua culpa. O contrato do Charles Leclerc indica que Vettel encara agora o massacre que equipe produz com os pilotos que "falham" com ela. Na mídia, ele não fez por onde para ter direitos na Ferrari. Todo mundo concorda com isso. 
Talvez Max Verstappen comece também a desenvolver uma risada maléfica. Com a saída do Vettel ele pode ser o próximo a ser exaltado ou derrubado. Pelo que vi nesses anos todos, tudo indica que é a segunda opção. 
Uma garantia é que a auréola em Hamilton está firme. As asas, cheias de penas. Não há mal nenhum em pedir uma fortuna como salário, por exemplo. Ele pode ir até para a Ferrari! Todo mundo quer isso. A Mercedes está querendo até cair fora em 2021. Ele iria para a Ferrari e salvaria a equipe, olha que formidável? "Nossa, ele matou  as carreiras de Alonso e Vettel! Um gênio!", os papagaios reproduzirão com empenho. As moças trocarão as fotos de seus perfis, e chamarão os seus defendidos de "lindos". Nas corridas, elas compartilharão mais e mais memes dos papagaios. A "comunidade" irá sorrir.

Quem está de fora, optando pela cautela, só observando, não se empolga. Parece um show de TV. Será que sigo chamando de novela?
Fato é que vai ser um ano difícil, mas vamos tentar manter o máximo da sanidade, por aqui. 
Quem irá me acompanhar? 

Abraços afáveis e sim, feliz ano novo (de novo)!

2 comentários:

Carol Reis disse...

Confesso que não gostava do Alonso por conta do que houve em Cingapura, mas hoje em dia esse sentimento está totalmente superado e olhando tudo em retrospecto, não o acho mais arrogante. Pra mim, na verdade, ele é extremamente competitivo e tem um certo egoísmo, mas os outros também não são assim? Parece até requisito mínimo p ser piloto de F1, aliás. Essa molecada acha mesmo que o Hamilton não é diferente?

Falando em Hamilton, o Alonso deu a entender algo que sempre discutíamos aqui: Pagar de sereno e equilibrado enquanto está 100 pontos na frente é fácil, mas quando a "água bate na bunda" o Hamilton de verdade se mostra, começa a reclamar de tudo sem parar, esquece até de pilotar. Vai fazer biquinho na imprensa e tal. O Hamilton dizendo q queria largar a corrida na Alemanha é a sua versão real sob pressão.

No mais, eu quero ver esse drive to survive especialmente pelo episódio da Alemanha (rsrsrsrs), mas o documentário forjou muitas coisas p criar um drama, isso é fato. O Grosjean pode ser um desastrado? Pode. Acontece que um documentário é uma história sendo contada, tem q seguir uma narrativa. Se a Haas renovou o contrato com ele, seria interessante mostrar o porquê. Do jeito q está ficou ilógico. Fora a vilanização do Sérgio Perez. Tudo bem q ele deve ser um sujeito da classe média alta mexicana, mas isso n muda o fato de q ele teve de correr atrás de patrocínios e tbm n muda o fato de que é mais experiente do que o Ocon. Reduzir tudo a uma questão de patrimônio é demais, o Pérez marcou pontos e ele não. Ele foi um piloto melhor e era mais experiente na temporada em que competiram juntos, simples assim. Fora que o Ocon não é nenhum coitado, já que o TOTO WOLFF cuida da carreira dele. Quantos meninos por aí, até mais talentosos do que ele, não contam com nenhuma proteção e nem patrocínio?
Fora a forçação de rivalidade entre Alonso e Sainz, olha...piada viu...

Manu disse...

Sobre essas questões de personalidades, especialmente a do Hamilton, Carol, penso que o tratamento da galera que comenta e reporta F1 é o seguinte: os três macacos tapando os olhos, orelhas e boca que ilustram os proverbio japonês “Não ver o mal, não ouvir o mal, não falar o mal”.
Assim, quem estiver pelo caminho, se for ainda passível de chacota por ser um piloto mais fraco, é moldado de acordo com a leitura de alguns infelizes de plantão. Se for um cara muito bom, eles derrubam com alguma falha de caráter. Se for um bobão, eles empurram qd ele estiver tropeçando.

Vivo aqui na ladainha, que Hamilton quando o cerco fecha, chora mais que os dados chorões. Mas tem jornalista gabaritado que insiste em dizer que ele nunca reclamou. Ouvi podcasts ano passado assim, no meio do discurso "Vettel tem que se dar o respeito, o Hamilton nunca fez isso!" As vezes, são os mesmos que não trazem motivos palpáveis para se "odiar" tantos Alonsos, Vettels e afins.

E por falar em leitura de uma narrativa, se procuramos arrogância numa situação, achamos. A Netflix fez grandes recortes estranhos, sempre com padrões dicotômicos. Vc bem comentou os episódios da Haas e eles são, no trato da renovação com o Grosjean de uma resolução ilógica.
Um dos papagaios de Twitter, esses dias, recortou a cena do Hulkenberg criticando a equipe como se aquela fala resolvesse o fato dele ter ficado sem o cockpit. Acho que Hulk é um desses que teve o saco cheio de ficar babando ovo para dono de equipe e aí, deu no que deu. Virou o cara pessimista, mal humorado. Na rede dos palhaços, os memes do "sem pódio" brota de todo jeito. A gente ri, mas é doloroso o que está sendo feito. Sou contra o politicamente correto, mas esse comportamento de ficar falando que os caras são ruins, uns porcarias, que deviam aposentar e tal é uma atitude bem imbecil, especialmente porque passa dos limites.
O caso do Pérez é outro fato, inclusive, passei a não gostar ainda mais do Ocon pelo revestimento vitimista que deram no seriado.
As cenas de rivalidade entre Alonso e Sainz foram totalmente bizarras de tanto que forçaram.
Reparou que ninguém reclamou disso? Inclusive, não vi porque tanto conhecido meu "tomou raiva do Verstappen" após ver a série.

Disse isso em outras ocasiões e toda vez fico mais e mais convicta disso: acho que assistimos umas temporadas da F1 diferente das que passam para o demais. Só pode.
Agora, quero ver tbm o episódio do GP da Alemanha, na season 2. Mas duvido que mencionarão o stress do Lewis. Inclusive, a Mercedes quer presar a imagem do querido... Vai vir aí outra "história fictícia".

Abraço!!;)