terça-feira, 9 de abril de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 2: GP do Barein

Olá a todos e todas. 
Creio que nesse momento vocês devem estar pensando: "Ah, A Manu está com síndrome de Rubinho, agora... Que desespero!" 
Atrasei o post quase duas semanas, certo?
É... Eu sei.

Dei uma de louca no domingo, logo depois do GP do Barein. Essa surtada básica aconteceu no Twitter. Primeiro, depois de uma sequencia de notícias, tuítes e comentários que li e ouvi, dei aquela avisada que não teria post sobre o GP no blog. Motivo:


A questão estava numa perspectiva, talvez besta, mas levada muito à sério por mim: existe muita gente para palpitar a F1, como se ela fosse caso de utilidade pública. Existe poucos que levam as coisas do "esporte" na brincadeira. 
O pessoal que discute, como brincadeira a F1, nas redes sociais, fazendo altas zoações, faz isso, para arrancar umas risadas. E a coisa é bem simples: É engraçado? Ria, curta, compartilhe. Se não achou que é engraçado, não ria, não compartilhe, nem curta. Deixa o cara ou a cara para lá. 

Até não me incomodo. Eu mesma faço umas graça (sem-graça) por aqui. O que torra a paciência da gente, que já é pouca, é os senhores e senhoras da seriedade, os donos das verdades, os sabichões. Esses, inclusive, vão lá na página do humor, bater boca. Esses, dão risada, daquilo que não tem graça. Esses, alargam threads no Twitter para defender um piloto, criar teorias das conspirações e dizer que "ama F1". 
A gente também faz isso? Faz. Mas a gente nem entra na discussão do outro. Eu pelo menos, não mais. Creio que vocês também evitam. E sabem porquê? Porque esse lance de "colonizar" o outro é feio para cacete! Não temos mais tempo nem idade para isso. 
Na boa: Será que esse pessoal ama mesmo aquela pataquada, lá? Ou quer só encher o saco?
Eu sei que no post anterior eu até disse que ia ser menos ranzinza, mas dá para não ser?
Poxa, que circo! Que sentimento mais bosta (desculpem os sensíveis) é você estar vendo uma corrida, poder contar com a chance de ver uma coisa interessante acontecendo, e tudo dar errado em questão de poucas voltas. Aí as redes sociais, que eu preciso parar de usar, faz a gente ficar mais "full pistola" com gente brotando do nada, rindo da rodada do Vettel, depois sumindo por conta e risco. E mais: Gente desesperada pelo quase abandono do Leclerc e outro pessoal rindo do desespero alheio. 
Gente discutindo a sexualidade das borboletas pretas e amarelas da Renault com seu duplo abandono...
Ninguém sacou que a situação não era de riso. Em nenhum dos três casos, em nenhum dos momentos não mencionados. 
Ninguém se deu o trabalho de arregalar o maior problema dos 4 últimos anos dessa F1: que qualquer idiota que tenha um carro da Mercedes ao seu dispor, vence uma corrida e eles, conseguem uma dobradinha. Uma mandinga braba. Um sorriso de lado do chefe da equipe, indicava a tranquilidade de que tudo estava nos eixos. 
Eu brinco sim, que a F1 virou novela, mas me diga se não parece que tem roteirista por trás, arquitetando maquiavelicamente um jeitão de "dar emoção"?

O título da postagem deveria ser: "O capítulo que me deixou muito p&%$..."
Não deu para "shippar" ninguém, não tive forças para ficar triste pelo mocinho que se ferrou, não ri da piada que aconteceu, não gostei no final, detestei os comentários. 

Aí veio aquela de "Hamilton gentleman, consolando Leclerc..", e "Vettel nunca foi talentoso... É um arregão". E o 1º de abril era só na segunda. Não estava nada fácil. Eu até acho que quando é série ou novela, você tem esse misto de sentimentos, mas no esporte? Sei lá... 
Confesso que quando eu lancei um segundo tuíte sobre o assunto de escrever aqui neste espaço sobre F1, eu nem prestei atenção na data da mentira. Uma que tinha tanta gente caindo ou pregando mentiras bizarras, que parecia um dia normal, dada a quantidade de fake news que há em todos os portais hoje em dia. 
Mas... é, foi no dia 1º de abril que eu postei isso, mas eu falava sério:


Pode parecer que eu queira bajulação. Não é nada disso. Embora eu agradeça ao Diogo pelo apoio, que talvez seja o mesmo apoio de alguns de vocês. 
A questão é que, passou a não ser mais tão divertido. Sobressai sentimentos que nem sei se são vantajosos. Uma é a sensação de estar sendo enganada e outra é a certeza de estar perdendo meu tempo. 
De que adianta ficar aqui, que nem uma senhorinha caquética, reclamando que não viu graça na corrida, que quando estava bom tudo ruiu e que tem maluco comentando o "esporte" e com isso tem me tirado do sério?

Três dias depois desse momento "sincerão" no Twitter eu li os comentários da minha última postagem e senti que, talvez eu ainda pudesse continuar mais um pouco, desde que me sentisse motivada para isso. E logo em seguida li essa reportagem: Vettel ameaça sair da F1 após 2020: “é mais um show que um esporte”.

O que para muitos de vocês deve ter sido um grande chororô a declaração do Vettel, para mim foi um arrebatamento. Tive grande compaixão por ele, especialmente depois de domingo e depois de como a imprensa italiana reagiu com Vettel.
Eu sei que os tifosi são impiedosos. Mas não vi razão para todo mundo ser, também. 
Eu não sei se o Vettel está perdendo o talento, se nunca teve ou se está só sendo pressionado a fazer burradas em nome do espetáculo. Mas eu posso dizer o que eu acho. Vettel é, hoje o cara mais detestado da F1. Talvez até mais que o Verstappen e, muito possivelmente, com muito menos razão que o holandês arrojado. Porque ele é detestado? Não sei. Hoje em dia, a turminha da lacração gosta de umas coisas estranhas e detesta umas que não faz sentido algum. Os tradicionalistas sempre procuraram um para pintar de vilão e poder descer a lenha da crítica sem dó, nem piedade. Juntou o inútil ao detestável e esse é o resultado. Ele é odiado. Os apelidos, dos mais meigos aos mais pesados, estão na boca (e nos "dedinhos digitantes") de muitos comentaristas e palpiteiros.
Muitas vezes eu decidi certas coisas sobre a F1, pelo lado do cara criticado. As vezes, eu observei os pontos da situação, considerei os não visíveis e "puff", como se fosse um passe de mágica, eu completei um raciocínio. 
Foi assim que fiz, talvez 80% dos meus textos entre treinos e corridas, além de testes, polêmicas, declarações e comemorações de pilotos e equipes. 
É impossível saber se eu estou ou não errada, nas coisas que publico. Mas que, quando vejo uma declaração, como essa do Vettel, percebo que, totalmente enganada, provavelmente não estou. 

Antes de arremessar as pedras nele, peço que ponderem. Hamilton, quando Vettel vencia todas, também reclamou da F1 naquele estágio de hegemonia. 
Quando ele passou a ser o primeiro em tudo, ele nunca soltou uma nota de reclamação sobre a falta de competitividade. 
Lembrem-se também que, se Vettel nunca teve talento, é de se surpreender que ele tenha conquistado os seus 4 títulos na presença de 5 campeões mundiais, com pelo menos um deles em uma equipe grande. "Ah, mas ele tinha o Webber de companheiro". E Hamilton teve Rosberg, e que fim levou? Agora tem Bottas, que saiu de touro indomável para cordeirinho pimpão de uma corrida para outra. 

Tenho trabalhado muito. Mas vou reconsiderar a decisão para a milésima corrida de F1. É na China, e isso não é bem a motivação que eu precisava. Na realidade, não há motivação nenhuma, a não ser vocês, que ainda gastam tempo a ler os meus devaneios. Espero ter tempo semana que vem, e espirituosidade para escrever um texto na segunda e brincar com algumas fotos, na terça. Caso o tempo esteja curto, pelo menos uma notinha sairá.

Agradeço sempre, os comentários e recados de todos. São muito importantes, de verdade!
Abraços afáveis!




4 comentários:

Robson Santos disse...

Manu, boa tarde.

Nao deixe de escrever nesse seu espaço!

Alguns ja disseram (escreveram) que estamos na época mais chata da humanidade!
São muitas conversas toscas e piadas sem noção; comentários desvairados; está um tal de "saber tudo" que chega a enojar!

Isso que vc esta sentindo com relação ao que te motiva a escrever, nada mais é do que a percepção que a maioria de nos temos quando confrontados com nossos proprios pontos de vista.

Aliás, essa expressão, ponto de vista, perdeu o sentido, pois 'TODOS' se acham certos em suas posições e opiniões, sem levar em conta que, na maioria dos casos, nada mais é do que ponto de vista - e só!

Acompanho F1 desde 1979 (nasci em 1969!) e gosto muito do esporte, da competição.

Nos ultimos anos tenho que me convencer a assistir uma corrida, por nao so os 'comentaristas' se acham donos da razão, mas bem como os narradores tambem.

Se esquecem que o que estao narrando inclui o ponto de vista deles, não necessariamente certo ou errado!

Nao deixe de escrever e expor seus argumentos, alem das impagáves fotos e gif's!

E nao esqueça, alias, acho que sabe bem, que suas opiniões são suas e nada mais que isso, mas que ajuda e preceber coisas que outros olhos nao veem.

Ósculos e Amplexos!

Carol Reis disse...

Boa noite,

Primeiramente, gostaria de dizer que gosto bastante dos seus escritos porque são "fora da caixa". Na internet a fora tudo o que se vê são textos histéricos, sedentos por uma narrativa que não corresponde a realidade. A imprensa adora narrativas que envolvam um "menino-prodígio", um "herói" e um "vilão", e se a realidade não comporta algo assim, fazem de tudo para forçar esses personagens, tudo isso enquanto fingem que existe competição entre as equipes.

Eu também não sei qual o problema do Vettel, o fato é que pegaram ele para Judas. Sem falar que julgam a suposta falta de talento dele ignorando circunstâncias que envolvem praticamente todo piloto dominante. E olha que o Webber foi um companheiro de equipe mais combativo que o Bottas, por exemplo. O Rosberg ainda conseguiu a proeza de enfrentar seu time e conseguir aquele título enquanto o ex-amigo choramingava, como sempre faz quando não tá ganhando. Também usam a temporada de 2014 para ilustrar como o Vettel seria medíocre, pois perdeu espaço para Ricciardo, mas esquecem que o mesmo Ricciardo perdeu para Kvyat (sei lá se tá certo) em 2015. O russo seria melhor do que ele então? Independente da resposta, ninguém usa esse fato para desmerecer o Ricciardo.

O tratamento incoerente se repete em relação ao herói da vez, o Hamilton. Desceu do carro e foi cumprimentar Leclerc pelo desempenho, aí toda a imprensa e os demais quase tiveram um orgasmo diante dessa visão. Vários expressaram a grandeza de Hamilton pelo gesto. Mas eu me pergunto: O inglês teria agido da mesma forma caso Leclerc tivesse chances reais de tomar o campeonato dele? Duvido. A tranquilidade do britânico só deixa claro que ele sabe o quão confortável é a sua posição. Vettel também foi cumprimentar Leclerc após a corrida, mas ninguém saiu por aí falando na "grandeza de Vettel" após o gesto, o que só mostra o quanto esse barulho da mídia é vazio. É tudo dois pesos e duas medidas, todos atrás de uma narrativa.

Lembro muito bem que há alguns anos um jornal europeu publicou uma matéria na qual questionava o porquê do Hamilton não ter conquistado o público inglês depois de tanto tempo na fórmula 1. Hoje, duvido que alguém na imprensa diga que o piloto demorou a conquistar o público de seu país. Sua imagem como estrela pop do automobilismo existiu desde sempre para os jornalistas hoje dia. O fato é que o Hamilton chegou como "menino-prodígio", passou um tempo sumido por conta da mclaren pouco competitiva (sendo até superado por Button nesse meio-tempo), para ressurgir como campeão querido por todos, uma posição que já foi ocupada por muita gente antes dele.

Se o Vettel é um embuste, se é superestimado ou se está sucumbindo à pressão, eu não sei, mas é fato que o circo midiático da f1 gosta de pegar alguém para crucificar de vez em quando, principalmente quando esse alguém é um multi-campeão que cometeu vários erros em momentos estratégicos e já não ganha a algum tempo. É como o Button falou uma vez sobre a imprensa: uma hora te colocam no pedestal e no outro dia te derrubam de lá sem a menor cerimônia (tá, não foi bem com essas palavras, mas a ideia foi essa).

Seja como for, eu nunca me engajei nessas discussões de defesa ou ataque a pilotos ou equipes e pretendo continuar assim, longe desse barulho sem substância. Tanta histeria p Hamilton ganhar no final do ano.

diogo felipe disse...

Oi Manu! Estamos juntos aqui 😉

Eu tbm nem tinha me tocado no dia da tua postagem, so depois q vi. 😁

carlos disse...

Sobre o Vettel tem talento e seus títulos tem peso de ouro pois naquela época fez um ótimo trabalho com a Red Bull e enfrentou também a grande manipulação psicológica do Alonso e ainda acrescento que o seu vice de 2017 e 2018 também tem peso de ouro acabou a dobradinha da Mercedes ( a Mercedes fez dobradinha campeão e vice-campeão da era dupla Hamilton e Rosenberg).
O Vettel está errando sim mas não vai fazer corridinha de vovô tricotando vai arriscar sim. E também a Ferrari estar errando porem pagando pela sua instabilidade desde a época do Alonso, fazendo a caveira de engenheiros e também pelo ex-presidente da Ferrari Sergio Marchuiori que abandoaram os bons trabalhos da era Schumacher.
Concordo com seu texto a F1 se tornando não uma novela e sim um filme de terror querendo a cabeça do vilão (Vettel) e endeusando o Hamilton. E ainda acrescento vai virar um Big Brother Brasil.
Os seus textos sobre a F1 são ótimos e não dever dar atenção para as turminhas horrendas que não gostam de ler e escutar opiniões diferentes.