segunda-feira, 5 de abril de 2021

Notas Ácidas (ou não) da F1 (1)

Pensaram que eu os abandonei? Não, não... Tive uma semana acumulada de afazeres acadêmicos, mas deixei vocês em boas mãos: O texto do Ron Groo deve ter agradado vocês na medida certa para não sentirem falta dos meus comentários jocosos sobre a primeira etapa da F1. ...
No entanto, eu não consigo deixar de comentar umas coisinhas à respeito do primeiro GP da temporada 2021. 
Prometo fazer jus ao título e fazer notas mesmo!

Nota 1:

Mesmo que o Nelson Piquet tenha falado em entrevista na nova casa da F1 na TV aberta (a Band) que estava feliz em ver o pessoal lá, largando a "Globo Lixo"...
Bem... Ainda que a emissora não possa ser absolvida destes termos baixos, fato é que - como se esperava - a transmissão da Band pode até ser mais comprometida com a categoria, com entrevistas exclusivas, e uma cobertura bem eficaz. Porém, quantidade não é sinônimo de qualidade. Basicamente foi a mesma coisa que a Globo vinha fazendo (mesmo que de forma reduzida) sobretudo no que diz respeito à qualidade de informações. 
Não demorou muito tempo para que eu torcesse o nariz para algum comentário ou não ficasse com o coração acelerado enquanto transmitiam treinos livres, classificação ou corrida. Nestes último caso, meu coração não acelerou por conta de ultrapassagens ou voltas rápidas dos carrinhos em pista, mas sim, pelo baita stress causados pelos gritos do narrador. 


Tradução livre: "Chega!"

Nota 2:

Ainda sobre a transmissão, nem tudo é comentário negativo: por sorte temos uma equipe competente para fazer as coisas acontecerem e colocarem pingos nos is nas informações que realmente são importantes. Esse parece ser o caso de Felipe Giaffone no estúdio, Mariana Becker e Julianne Cerasoli no paddock. 
Felizmente eles são parte de um todo e que, na calma e informação, eles acalentam o nervos acelerados para... Bem... Para nada.

Nota 3:

"Para nada"? Oras, estou ficando maluca? A corrida foi ótima, com muitas disputas bacanas e até uma baita ultrapassagem nas voltas finais que determinariam a liderança!
Eu poderia até concordar plenamente se não tivesse, logo depois do undercut promovido pela Mercedes, previsto o resultado final. Houveram umas disputas bacanas de meio e fim de grid que deixaram a gente satisfeita. "Pero no mucho". 

Seria triunfal, entendem? Depois de uma pré temporada soando como se passassem por uma crise, era previsível que a Mercedes tentasse artimanhas nas primeiras etapas, depois de se verem sem pole position fácil e gestada nos Treinos Livres.
Nas corridas, eles fariam qualquer coisa em termos de estratégicas que denotassem "falta de rendimento", mas teriam uma "carta na manga", um grande diferencial: o piloto!

Logo após o undercut da Mercedes, minha mãe virou para mim e disse: "Não é possível que vai dar Hamilton de novo!?"
A resposta foi a seguinte: "Claro que vai. No fim, o Verstappen vai se aproximar e vai haver disputa. Duas coisas podem acontecer: ou Max vai perder o traçado e sair da pista precisando devolver a posição, ou vai haver um toque e Max vai levar a pior - ou por punição, ou por quebrar alguma coisa no carro."

Ela duvidou. 

Eu não.

Nota 4: 

Interessante que, depois da Mariana Becker comentar, após a ultrapassagem de Sebastian Vettel em Fernando Alonso, que Seb sempre gostou de disputar posição com o Alonso, pois o espanhol dava o espaço exato para que a disputa fosse dura, mas limpa.
Engraçado também que realmente, não me lembro do Alonso não dar espaços para seus adversários em pista. No entanto, ele é o velho chato e arrogante que está de volta aí, sabe Deus para quê.

Isso tudo nos leva a pensar o outro lado: estão numa boa a saber que a curva 4 é um ponto em que podem escapar 29 vezes do extra pista. Podem até usar disso para fecharem os adversários, provocando a saída da pista numa ultrapassagem. Agindo dessa forma, a fama fica ruim para o adversário que teria "se beneficiado do extra pista para conseguir a ultrapassagem". 

Imaginando o cenário, não seria assim que o jovem e impetuoso piloto Max Vertappen da Red Bull conseguiria superar um heptacampeão mundial como Lewis Hamilton.

A narrativa estava se montando, percebem?

Nota 5: 

Que narrativa seria essa? Oras, a de que a Mercedes não tem o melhor carro e que o diferencial é o piloto do carro 44. 
Lembram que comentei que a Mercedes estava só preparando terreno nos testes pré temporada? Está lá no post de apresentação dos carros.
Era fato que eles estavam escondendo o jogo, fazendo um teatrinho. Se desse algo errado, bastava deixar que uma das equipes se aproximassem deles (no caso, a Red Bull) e apostassem todas as suas fichas para chegarem no limite e começarem na frente. Isso deveria ser feito logo, antes que eles "descobrissem" o que estava "dando de errado" e resolvessem "o problema" num passe de mágica.

A mágica virou, para a mídia especializada, um toque do feiticeiro Lewis Hamilton. E essa é a narrativa vigente que perdura, e até, nos embrutece, afinal é um falácia.
Eu até entendo porque isso acontece. Somos, constituição, propensos à paixões cegas. E é mais fácil confiar que não está rolando um jogo de enganação e optamos, inconscientemente, pela "suspensão da descrença" total em relação aos ilusionistas da Mercedes. Faz o espetáculo ser mais emocionante!

Podem conferir: Logo depois da corrida, orgásmicos tweets diziam que "nunca foi só o carro" e que a Red Bull pode ter o melhor carro da temporada, mas ela não tem o Hamilton.
Analistas sacaram as suas análises "Como Hamilton venceu com um carro inferior", enaltecendo o octacampeão mundial.
O octa, inclusive, já usa e abusa do novo-velho discurso: "quer calar os críticos".
Quem são eles, se não um pequeno grupo sem importância? 

Alguns poucos até colocaram os termos de que a Red Bull se aproximou da Mercedes, mas ainda não era superior. De que adianta? O destaque dos portais é sempre outro lado. A Red Bull estava muito mais forte e já sacavam a chamada: a equipe vai vir superior nas próximas etapas. 


Torcemos para que isso aconteça, mas nem dá para criar expectativa de que vai ser um ano "diferentão".
Faltam 22 corridas...

Nota 6:

Por falar em longa temporada, sugiro que Nikita Mazepin faça um banho de sal grosso antes de entrar novamente no carro da Haas. A praga está correndo forte e o que é pior: não é nem pela sua suposta falta de qualidade enquanto piloto. Tomaram implicância por seu caráter (supostamente) nocivo. 
Ééééé... O que se publica nas redes sociais ecoa na eternidade é o novo "o que os olhos não veem..."

Nota 7:

Por falar em praga, a Ferrari ainda guardou uma das grandes na mala de partida de Sebastian Vettel e sem perceber, ele deixou ela escapar na Aston Martin e ela sempre volta para ele, seguindo seu cheiro.
Por ter saído da equipe também tirou dele certa "imunidade" por vestir vermelho. Seb tomou punições e 5 pontos na carteira em dois dias. Todos os erros cometidos foram admitidos pelo piloto e nem assim, as decisões foram abrandadas... 

Tradução livre: "Eu não devo mostrar misericórdia"

Nota 8:

Essa vai em tom de pergunta: porque é que Sérgio Pérez, Daniel Ricciardo e Carlos Sainz tem as suas performances ditas como um pouco ruins em relação aos companheiros, por estarem "em adaptação" com os novos carros, mas isso não se aplica para o caso de Sebastian Vettel?
Aceitaria se a resposta fosse que estes tiveram performances muito melhores que a do alemão. Mas eu sei que não é isso. Em uma só corrida, já se coloca na mesa que o problema não é o carro, mas Sebastian em si. 

Implicância pura e simples? Sim ou com certeza?

É fato que Vettel tem errado mais do que deveria, mas as críticas e a depreciação em relação ao seu talento estão muito além do bom senso. Existe uma explicação lógica para as falhas na primeira etapa e sim, deve-se levar em consideração a adaptação, o pouco tempo de ajustes na pré temporada e principalmente, o resultado da corrida está relacionado ao mesmo problema que enfrentava na Ferrari: a traseira da Aston Martin é instável. 
Mas parece que dar chances para Seb se reencontrar é muito difícil e dói. 

Nota 9:

Ainda dentro do assunto performance: O que dizer então, de Esteban Ocon ter apresentado resultados muito inferiores em relação aos de Fernando Alonso? Tanto em classificação quanto corrida, o francês deixou a desejar.
Apesar do espanhol ter se retirado com problemas no freios da corrida do Bahrein, Ocon não fez nada mais de especial e ainda poderia ter uma boa desculpa para o fracasso: ter sido atingido por Vettel quase ao fim da corrida.
Baita decepção esse Ocon, heim? ...


... O que não é novidade nenhuma...

Nota 10:

Grandes momentos merecem destaque, então, reservei os comentários finais, aqui na última nota.

A Alfa Romeo esteve muito melhor em relação ao ano passado (tomara que continue assim) e Yuki Tsunoda criando uma hype danada em torno dele.
O pequeno ser parece realmente bom, desmistificando toda a fama de asiáticos na F1, com uma só corrida.

No entanto, ainda temos muito chão aí: são 22 corridas ainda para acontecerem. A melhora da Alfa Romeo pode ainda da em nada (na torcida por não ser bem assim). 
Quanto ao Tsunoda, sou partidária de dar tempo ao tempo, mas a dupla da Alpha Tauri parece bem bacana e digna de observação constante.

Nesse contexto, era para estarem falando muito bem de Mick Schumacher, mas aquilo que se previa em relação à ele, já começa a dar os seus primeiros sinais na mídia especializada: Se comenta que ele não é bom quanto o pai e que teve uma estreia morna tendendo ao decepcionante.
Aqui, eu me nego a bater tambor para maluco que exige que a sua performance seja extraordinária à bordo de uma Haas. 

Tradução do cartaz: "Nervosa"

Comentem o que escapou das minhas notas e que acham que foi importante que mencionasse aqui!
Abraços afáveis e cuidem-se!!

4 comentários:

Mário Paz disse...

"Um toque de feiticeiro" kkkkkk...Lewis Merlin Hamilton ! Sem dúvida, os feitos do homem já tendem ao sobrenatural, e pude testemunhar teses ridículas, defendidas em mídias "sérias", de que Lewis, acossado por um carro muuuuito superior, lançou mão de uma estratégia pra lá de genial : induziu Max a ultrapassá-lo naquele local, a curva 4, porque já sabia de antemão que para o holandês não seria possível completar a manobra sem exceder os limites da pista, portanto teria de devolver a posição...e ainda com requintes de crueldade, calculou que Max sujaria os pneus e ficaria impossibilitado de tentar novamente...Lewis agora é autor da melhor "não-ultrapassagem" da História !

Manu disse...

Mário!!! Cheguei a formular essa ideia, de que Lewis sabia que na curva 4, Max sairia da pista, e por isso teria fechado o espaço para fazer com que ele saísse. Minha justificativa não era porque tinha um carro inferior, mas sim pois, ele em si, não saberia fazer uma ultrapassagem "limpa". Conhecemos o Lewis mais tempo que esses jovens (velhos) entusiasmados, então foi fácil prever que faria algo daquele tipo.

Mas me disseram que "ele tinha todo o direito de fazê-lo". o.O Então me calei.
Como vc pontuou, Lewis agora é o autor da melhor "não-ultrapassagem" da História. ¬¬' Tudo que ele faz, é genial! Essas manobras que ele executa, com outro personagem, daria fácil em críticas negativas.
Paciência, né?

Abraço e obrigada pelos comentários (sempre!)

Mário Paz disse...

Obrigado, é um prazer comentar aqui no blog, sempre apreciei as suas leituras "além do óbvio" da Fórmula 1, e antes que pensem que meu único assunto é detonar o Lewis, eu torço para o Kimi, já de longa data, mas infelizmente somente lhe restou o papel de valente competidor com um carro de fundo do grid...Com a Mercedes caminhando para um oitavo título consecutivo, fica difícil focar em outras questões que não seja a supremacia prateada e sua política de piloto único, que nos priva de disputas pelo caneco mundial desde 2016...mas prometo tentar abordar outros assuntos na minha próxima participação hehehe

Manu disse...

Pode comentar o que quiser, Mário! Sinta-se "em casa"!
E então, somos fãs do velho Kimi? Sagaz! ;)

Abs!