quarta-feira, 31 de julho de 2019

Antes do GP da Hungria de 2019...

Antes de nos prepararmos para a última corrida antes do recesso da F1, eu decidi fazer uma leitura das minhas postagens do ano passado.
Há ainda algo a ser exposto que deixei do post publicado na segunda feira, mas eu ainda não sabia por onde começar. Então, fui nas postagens principais de cada corrida da primeira metade de 2018, parando, na Hungria.

Em 2018 comecei empolgadíssima, #sóquenão. Escrevi um parágrafo apenas para o GP da Austrália e publiquei no domingo mesmo, após a corrida. Mesmo com algo agradável, como pódio do Kimi, vitória do Vettel e uma cara emburrada de Hamilton, não havia muita empolgação. Inclusive dava a entender que acreditava que o ano seria mais do mesmo. Não previa - claro, quem iria? - que a Ferrari iria iludir um pessoal em algumas (poucas) corridas seguintes. 

Neste ano, lancei a premissa de que a F1 parecia um roteiro de novela. Inclusive, mencionei como tudo soava falso a ponto de parecer encenação. Já na classificação dava indícios de ser verdadeiramente uma "bosta". Tanto é que se fingia que o segundo piloto da Mercedes ia ter condições iguais e combativas com o Hamilton... Tá!

Barein teve um título enganoso em 2018. Falei de uma "corridaça" do Vettel, mas não via ainda com bons olhos as jogadas que a Mercedes dava, os indícios de que dominaria o resto do ano. Na Ferrari, passava-se a mostrar cenas aterrorizantes, com Kimi sendo liberado de um pit stop antes da hora, causando um acidente com um mecânico que teve o carro passando em cima de sua perna. Erros assim, eram comuns, e agora, com requintes de crueldade.

Em 2019, dei a louca surtada e preparei o que seria, à princípio, o último post sobre corridas que faria, tamanha era a insatisfação com o evento. Levada mais pela raiva de não encontrar na F1 o que me fazia dedicar-me à ela, estava chateada por saber que, além do tempo que perdia com corridas"fakes" eu ainda gastava meus dedos digitando ideias sobre elas.
Toda a bajulação que a mídia fazia à Mercedes só piorava. 
Por gostar muito de escrever, e tentar assim, melhorar cada vez mais nessa atividade, decidi não parar. Eu tenho um tema. Fútil, talvez, mas tenho um tema, onde desenvolvo a escrita e a cada vez que faço um texto, evoluo. 
Em um país cujo ato de escrever bem, além de ser atividade de poucos, está sendo cada vez mais sobreposta à uma mania de anti intelectualidade, acho que a minha insistência tem valor. Eu aprendo a escrever melhor e, pelo menos, dá prazer.
Ainda mais, diante da decisão drástica de parar, tive mensagens de apoio que pediam que eu não desistisse. Em respeito à estes, decidi continuar.

Na China, a coisa era diferente. Consegui um texto mais longo e indiquei que, ano passado, as poles eram "inesperadas", conquistadas nos últimos segundos. Mas corridas mornas como Austrália não era mais algo presente, o que já coloca a temporada de 2019 com muitos pontos à menos. 
A mania que eu percebia do pessoal a se maravilhar com as derrotas do Vettel se intensificou, algo que não melhorou com o passar dos anos. Hamilton não protagonizava bons lances, e Verstappen já dava shows, aqui e ali. A grande pena era que, como sempre, ele encontrava enrosco com uma Ferrari, e nunca com uma Mercedes, especialmente a do Hamilton. 
Mesmo assim, eu previa uma coisa que estava para acontecer: Hamilton estava muito tranquilo com a pouca produção efetiva na temporada. Tinha cartas nas mangas...

Depois de quase desistir, eu retornei com um texto curto sobre o GP na China nesta temporada de 2019. Era o GP de número 1000. E não havia nada a se comemorar.
Fiz outra opção: quando os GPs fossem ruins, tentaria o máximo de bom humor que conseguisse nos meus textos. A Mercedes ia continuar a fazer dobradinhas, a Ferrari a cometer erros. Logo o Hamilton voltava a fazer poles aumentando seus recordes. 

Até aqui, apesar da minha falta de empolgação, eu ainda não tinha apelado com a temporada de 2018, já que ainda havia minimamente uma competição. E em Baku, defendi a ideia do juízo de gosto para  ajudar a pensar porque era que as Red Bulls, responsáveis por toda a suspensão de fôlego naquele começo de ano, desde a segunda etapa. Gostar de uma coisa e não de outra foi explicada no contraditório pensamento em torno de Max Verstappen: ele era fantástico quando topava com a Ferrari de Vettel, mas era totalmente detestável quando atingia outro piloto. 
Divaguei num texto exageradamente longo, mas já suspeitei que Hamilton fosse o campeão do ano...

Em 2019 contei as minhas trocas de entretenimento: Fui no cinema e assisti à série popular/modinha da vez no dia da corrida. Não dei importância para ele Deixe ela gravando só para desencargo de consciência. A corrida foi arrastada que teve mais protagonismo da Mercedes em uma pista morna. Sofri com a auto cobrança de Leclerc e pensei que esse menino vai sofrer muito ainda na Ferrari, que esse ano estava no ápice das péssimas escolhas e estratégias. Vettel então, abatido como se 2018 ainda não tivesse terminado.

Na Espanha, a quinta corrida do ano, eu estava me sentindo totalmente besta por ter nutrido esperança de continuar tendo uma temporada minimamente competitiva em 2018. A vitória do Hamilton selou os meus medos de que logo, ele estaria com larga vantagem sob os demais. E com ele, trouxe a volta de corridas chatas, sem surpresas.

Já em 2019 não tinha expectativa nenhuma por uma das pistas que mais desgosto. Num tom depreciativo, não me contive ao relatar que, aquilo que fazia da minha rotina, alegre, estava perdendo o sabor. E a F1 era uma delas, como já muita gente sabia. No meio do texto defini a corrida como "porcaria": foi a quinta vez, em cinco corridas que a Mercedes mandava uma dobradinha.
Mesmo assim, na visão da grande mídia, "como estava boa a F1!"

Mônaco não foi só um marasmo sem fim em 2019. Ano passado, já se estragava o circuito tradicionalíssimo e amado por muitos. Mônaco nunca foi para ser monótona, e nos dois anos, foram. É ou não é para ficar com raiva?
Para piorar, toda corrida chata que lembro de ter causado traumas em mim, teve a vitória de Lewis. 
Dei uma olhada nos cometários no blog. Parece que uma galera parou de ler meus textos por achar que eu era implicante demais com o Hamilton. Não pude fazer nada, pois nem tinha visto o comentário de insatisfação.

Em 2019 vi muita gente ficar chateada quando criticaram a pista. É um templo sagrado para muitos de nós, então tentei (acho que pela segunda ou terceira vez na vida) explicar porque não considerava Mônaco tão boa. Mas entendia, absolutamente o quão era amada. Só não dava para amar quando o protagonista da chatice triunfava na pista.
O GP acabou sendo marco pela partida de Niki Lauda, um recorde de Räikkönen e também os erros feios da Ferrari.
Deste ano, não havia mais espaço para a equipe dividir com a Mercedes os holofotes, tamanha era a quantidade de burrices que cometiam.
Arregalei para o fato da FIA proteger a então equipe favorita, Mercedes. Mal sabia que isso ficaria escancarado, num roubo na corrida seguinte...

Em 2018, projetei que Canadá daria Hamilton. Errei. Na realidade, Canadá no ano passado não foi bom para ele e Vettel retornou à liderança depois de duas vitórias do inglês. Não que Canadá fosse ótima, mas foi certamente, menos "roubada" que em 2019.
Se acham que protejo demais o Vettel, ano passado ficou claro que, nem por um segundo havia alertado que só porque era uma vitória sua, a corrida tinha mudado a cara da temporada. 

Em 2019, Canadá mudou sim, mas só um pouco, a cara da temporada. Algo que critiquei a vida de escrever sobre F1 aqui, foram o crescimento das punições seletivas. Muitas vezes, alertei os roubos. Mas nenhuma, NENHUMA, foi tão grave como a cometida neste GP. 
Escrevi mais de uma postagem sobre isso. Com um pouco de humor. Mas agora posso revelar: eu estava "p" da vida com aquilo tudo. Especialmente que, diante dos protestos, haviam defensores da punição da FIA. 
No fim, só apareceu um Vettel, vencedor por consideração da corrida, protagonizando uma cena de troca de plaquinhas, o 1 para o 2, e algumas discussões sobre aplicações de regras, até o GP seguinte. 

No GP francês do ano passado, alertei que a F1 estava tão previsível que, passei a encurtar as postagens cada vez mais, enxugando tudo que precisava de comentário, num só post. 
Eu reclamei do circuito Paul Ricard. As faixas me deixavam com a visão embaralhada. Naquele GP, além da insatisfação visual, havia também uma "melhoria" no carro da Mercedes que colocou o primeiro piloto da equipe prateada novamente, à frente, desde a classificação. Vettel foi punido e Bottas começou a passar pelas "derrotas" e "erros" que não aconteciam com Hamilton. 

Em 2019, o GP da França foi o divisor de águas. Cansados de ver carros dando voltas num circuito liso e com muita área de escape colorida, apelamos com a chatice do GP.
Para mim, corridas com Lewis na frente, não era novidade que fosse chata. Mas parece que a galera estava com a ferida aberta e, sem querer, caiu uma gota de álcool, tamanha foi a gritaria. 
Vejam bem, não culparam Hamilton. Culparam o circuito. 

Achava até que a Ferrari havia amadurecido e que Vettel estava no ponto certo até aquele momento, embora se arriscando muito, em 2018. O que mudou do ano passado para este, era que o Vettel resignado daquele fim de ano, despontou no começo deste.
Outras coisas permaneceram saltando entre os circuitos de um ano para o outro. França foi chato em 2018, e péssimo em 2019. 
Já na Áustria pudemos ter a melhor corrida do ano, e seguiu basicamente, como quase perfeita, neste. O texto que apresentei em 2018, daria para ser usado como alicerce para falar de 2019, sem sombra de dúvidas.
Como dito, em 2019, todas as reclamações com relação ao GP da França, resolveram-se rapidamente. Do nada, toda a mídia parou de dar atenção às Mercedes. O foco era o mar laranja que foi assistir Verstappen. E ele brilhou para que a aquele mar todo vibrasse tanto que contagiasse a gente.
Ele e Leclerc protagonizaram aquela corrida que, depois de oito etapas, proporcionou momentos de respiração ofegante e torcida de nossa parte. 
Aquela pasmaceira toda, deu uma esquentada. O elenco alternativo, acabou "roubando a cena" de toda a novelinha. Ainda suspeito que, depois disso, tudo que viria a acontecer, seria proposital para que a gente surtasse de alegria. 

No GP britânico eu já comecei chutando a porta. Silverstone não tinha sido tão boa como foi Áustria, em 2018. Eu quase declarava guerra às Mercedes, pois sem elas, a corrida era boa, com elas, eu via um monte de defeitos, um deles, o fato de ser monótona. Escancarava inclusive, um jeitinho por parte de direção de prova para proteger a equipe alemã. Me exaltei à falar sobre caráter de pilotos. Mas não só errei no texto. Eu acertei em dizer que o título da Ferrari não era passível de acontecer.

Se em 2019, empolgamos com a Áustria, eu alertei que em breve, tudo voltava ao normal, para nossa tristeza. Ainda montei, paralelos sobre a questão de pontos nos campeonatos do Vettel e nos campeonatos do Hamilton. Nos gráficos era visível que Hamilton, por estar sempre com muita vantagem sobre os rivais, seria, só por isso, considerado melhor que o alemão. E ia seguir vencendo, pois, a equipe que lhe deu mais títulos, seguia sempre mais rica e anos-luz à frente das outras.

Com o GP, sim, Verstappen havia passado Vettel na classificação, mas ainda estava à 71 pontos do Hamilton. Era triste saber que a gente se empolgou por uma situação competitiva, que não envolveu a realidade de uma disputa de campeonato.
O GP britânico deu o oposto do ano passado: lá, Vettel chegou a vencer na casa do rival, botando banca. Em 2019, ele não errou, ele foi forçado à errar e viu, mais uma vez, jogarem um pouco mais de terra em tudo que ele havia conquistado até ter cometido a besteira de assinar com a Ferrari.

Na Alemanha de 2018, Hamilton fez cena na classificação, quase choramingando do lado do carro que o deixou "na mão". Na corrida, quem viu a derrota bater com a cara na porta, foi Vettel, errando quando tinha a vitória nas mãos. 
Ali, a triunfal virada de sentidos era uma oportunidade muito grande para a Mercedes deixar passar. Mesmo não fazendo muito, Hamilton venceu a corrida. 
No final do texto, divagando demais, sofrendo, sendo realmente muito boba, cheguei a cravar: Hamilton seria penta e para Vettel, só sobrava o título de "burro" ou "babaca". 

Esse ano, Alemanha foi quase que o oposto comparada ao ano passado. Foi Vettel quem teve uma classificação horrível, largando em último. Mas na corrida, as Mercedes erraram, de todo o jeito: teve escorregão, batida, punição, bico quebrado, mecânico tropeçando. Hamilton não pontuaria, se não fosse uma ajeitada da FIA. As punições que deveriam ser catastróficas, foram justas, até o momento em que não prejudicava as Mercedes, consumando uma aparente implicância com um dos pilotos da Ferrari, que volta e meia, recebe punição, mesmo com outros culpados.
Esse implicado, não venceu, mas esteve terminou a corrida em segundo, com requintes de vitória já que de todos, foi um dos poucos a não rodar na pista úmida pela chuva.

O GP da Hungria de 2018 foi uma volta à realidade total. Hamilton saía da primeira metade do ano com 24 pontos de diferença para Vettel. Dali, só cenas grandiosas para ele, mesmo com performances discretas e triviais. Havia quem ainda batesse o pé e afirmasse que a Ferrari tinha o melhor carro da pista e não (só) a melhor dupla. Não havia nada disso, a não ser um sutil blefe das Mercedes, que deixasse isso parecer verdade.
Adoraria que, no GP da Hungria deste ano, a coisa fosse como ano passado. Partindo da ideia seguinte: na Alemanha de 2018, Vettel errou e perdeu não só a corrida como o campeonato, Hamilton passou a ter sorte e mais sorte e venceu. Em 2019 a maré virou: O derrotado Vettel, não cometeu erros, enquanto Hamilton cometeu todos, em poucas voltas. 

Há excelência de performance em Vettel, algo que nunca enxerguei em Hamilton. Ele não extrai o melhor do carro quando ele não é bom. Não faz decisões perspicazes, depende muito dos indicativos da equipe para tomar iniciativas e claro, por ter o melhor carro, mais equilibrado e tudo o mais, não erra. E quando erra são por fatores externos à ele, que geralmente não é o suficiente para se ter esperança de que outro carro venha a superá-lo. Em todas as suas vitórias, ele obtém glória, mas nunca incita nossa emoção com performances nada mais do que discretas.

Escolhendo outra pessoa para comentar, Rosberg, essa semana, me ajudou a completar esse raciocínio: Verstappen, para ele, estaria sendo melhor piloto que Hamilton esse ano. Concordei.
Essa excelência de performance que falta no Hamilton apareceu já em Räikkönen diversas vezes, em Vettel, mesmo quando ele não está no seu melhor, mais de uma das ocasiões.  Está aparecendo em Verstappen, sempre que a confiabilidade da Red Bull dá as caras e aquele vigor de vencer e disputar com muita vontade, ele presenteou a gente mais que o Hamilton em mais de 10 anos de carreira. Ricciardo também pode entrar na lista, embora ainda não seja um tipo acertador de carros. Já teve seus momentos que o colocou no hall de bons pilotos. Para fechar (apesar de já ter exposto a ideia), Leclerc não está em equipe grande à toa. Tem um talento notório que a gente reza para a Ferrari não destruir.
Por isso mesmo, depois de empolgarmos com uma Mercedes totalmente baratinada no último GP, tomamos um banho de água fria quando checamos a tabela de pontos no campeonato, que vou colocar um abaixo do outro só para vocês desesperaram como eu:

Hamilton - 225 pontos
Bottas - 184 pontos
Verstappen - 162 pontos
Vettel - 141 pontos
Leclerc - 120 pontos

Nem mesmo Bottas tem chances de "pressionar" Hamilton à cometer erros, colocar o campeonato do inglês em risco e isso é catastrófico. Tivemos ótimas corridas, com ótimos protagonistas. Do jeito que gostamos, com torcidas contagiosas, com um "arfar" inseguro que enche os pulmões e os olhos. E mesmo que a F1 tenha se atentado para isso, dando ênfase nesse pessoal, de nada resolve pragmaticamente falando. O que foi feito no começo da temporada, garante que o fim dela, seja idêntico ao do ano passado, se não pior. A máscara falsa da "competitividade" avança de novo, a gente compra e se empolga.  Tivemos um show à parte de Verstappen, Leclerc e nessa última corrida, show de Vettel. Já são 11 corridas, indo para a 12ª. Nem de longe, a melhor delas (ao critério de escolha de vocês, se é Áustria, se é Alemanha...) quem leva o troféu no fim do ano não é um deles. Num minutinho de razão, a gente percebe que, na Hungria, tudo volta ao normal, pois sem condições de igualdade, Hamilton pinça mais uma vitória, saindo de recesso, à pelo menos, 50 pontos à frente do segundo colocado, que por sinal é seu companheiro de equipe. Ano passado, a primeira metade do ano estava à 24 pontos para o Vettel... 

Ah, queria tanto que estivesse mentindo para vocês...! Ter trago boas novas... Mas o que venho a escrever depois de tanta enrolação (espero que me perdoem) é que, já dá para comemorar a vitória prematura de Hamilton e seu hexa. Ainda temos mais um ano disso, um repeteco até - se ninguém mudar - alguma mudança sistemática na estrutura da F1, em 2021. Posso dizer já que, duvido que elas sejam como se planeja, sem que a chiadeira dos confortáveis não faça que desistam.

Aguentamos mais meio ano e um 2020 de mais do mesmo? A conferir. 

Abraços afáveis!

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 11: GP da Alemanha

Fiquei indecisa quanto ao título do post para comentar sobre o GP de ontem. Cogitei a possibilidade de tirar a parte "novelinha" que, desde que decidi usar para as colunas da corrida, sempre foi no sentido depreciativo da palavra. Mas, decidi deixar. Já que comecei assim, assim vai ficar. Não está ainda (nem mesmo 50%) seguro de que a temporada de 2019 passe a ser uma temporada notável. Existem pontos fora da curva que são sim, os nossos destaques, mas infelizmente não dá para esquecer traumas como França.

Para mim, o estopim foi mesmo a segunda corrida da temporada. Ameacei até a parar de escrever a coluna. Dali, Barein, China, Azerbaidjão, Espanha e até (infelizmente) Mônaco, tinha sido muita força de vontade minha para continuar. 
Canadá foi o ápice do stress do ano. Palhaçada tinha limite. Mas como era com Vettel, todo mundo virou o "disco" logo que acabou a "música".
Menos eu. Ali estava o cerne de toda a minha raiva com a F1 atual: essa idiotice de subjetivar a interpretação de regras, punir seletivamente e "ditatoriar" decisões apenas quando convém. 

Quando todos se rebelaram com o GP da França, eu já estava que nem militante de micareta: sem voz, de tanto gritar palavras (bestas) de ordem. 
Esqueceu-se por um momento que, o problema da F1 era um só: cortar toda a possibilidade de competitividade, seja com mudanças na pista, seja com as regrinhas. 
É lucro ter apenas uma equipe vencendo. A marca está ali exatamente para isso. Em termos esportivos, se recorre à um rosto "carismático" e a mídia se delicia e trata de montar uma narrativa em que coloca inclusive o lado fracassado, contrapondo (como numa novela) um lado perfeito e positivo e um lado desajustado e com ares de descarte. 
Mas tudo que doía mais era o fato do GP francês ter sido muito, mas muito chato. Até quem não acha nada chato, admitiu. 
Inclusive naquela corrida, teve punição "pegadinha da FIA" aplicada. Era ultrajante, mas a maioria só achou isso, no GP da França. Vocês pareciam que estavam, até o momento no mundo da lua. Desenterrei mágoas. Saí explicando que já estava chato antes, que se fazia decidia pelo lado errado, antes também.
Claro que não mudei o lado de ninguém. Nem era esse o caso, e parece que toda a insatisfação alheia foi ouvida. De repente, todos ganharam "o presente do GP da Áustria".

Eu senti que era armação. Só podia ser armação. Rapidamente, tudo passou a ser tão interessante...
A raiva aqui permaneceu a mesma: teve lance duvidoso que foi liberado. Então estavam dando o que o público queria? Só deixava a coisa ainda mais contraditória. Mas, se era pelo espetáculo, tudo bem, que eu poderia fazer? "Pão e circo" sempre funciona quando o pessoal está a fim de tumultuar. 
No fundo, o que precisava permanecia sob controle: marca + piloto e no topo. 
O GP britânico deixou isso às claras. Enquanto os ponteiros estavam seguros, a  TV transmitia o que acontecia atrás deles, a real competição com tudo que temos direito: arrojo, inseguranças, pretensões frustradas, tentativa e erro. Sim, erro faz parte do jogo. E são eles que tornam a coisa, atrativa. É ali que você decide, se gosta mesmo do "esporte". É a possibilidade de dar errado, é o "prender a respiração" naquele momento crucial que te coloca ali, todo domingo em frente a TV, longe do evento, mas como se tivesse no carro, com o piloto.

Não dá para dizer que o GP alemão superou o GP austríaco. Mas nas duas, o vencedor foi o mesmo. A prova de que, não necessitamos de um piloto carismático, bem apessoado, tatuado, tendencioso a se "vestir bem", seja o caso da atual F1.  Outra coisa que salta aos olhos é o como as condições de pista são decisivas para os pilotos que ali estão, interferindo nas suas estratégias, decisões, ações.

Depois de uma classificação catastrófica, eu via a corrida com os olhos do começo do ano. Totalmente desmotivada, pouco à vontade de catalogar mais uma vitória acachapante da Mercedes. A Ferrari acabou com qualquer expectativa de reação de seus pilotos. O já aniquilado Vettel, perdeu potência e mal andou na pista no começo do Q1. Sem tempo, largaria em último lugar no quintal de casa. 
A imprensa, já nele, desde o Canadá, eram como moscas em carniças. Podem detestar a sua pessoa, mas o que está acontecendo com Vettel e o que a Ferrari está contribuindo para piorar, não tinha/tem a menor graça. 
Para piorar, Leclerc teve o mesmo problema e não disputou a pole. Só aí, o questionamento sobre a administração da equipe por parte de Mattias Binotto veio à tona. Pelo menos isso a imprensa italiana ainda provoca a partir da opinião dos "tiffosi". Leclerc é o novo namoradinho e Vettel é o ex que pisou na bola. Não tem volta, nem discussão.

A situação não era favorável. Todo mundo queria corrida na chuva pois, nestas condições, ela se tornaria imprevisível. Mas dada a pole do Hamilton eu nem criei expectativa quando vi que a pista estava molhada e chovia. Nem precisava de que a direção da corrida alertasse, era óbvio que a largada seria atrás de um Safety Car. Em nome da segurança de todos, aceitamos sem sombra de dúvidas. O problema é pensar em segurança sabendo que o SC andaria na frente e ninguém poderia trocar de posições. Ponto de graça pra gente sem graça? Diante disso, era melhor nem ter.

A decisão seguinte foi a melhor. SC estava lá para que todos sentissem a condição da pista, e assim, em poucas voltas, que seriam "de apresentação", foram avisados que teria uma largada tradicional assim que o SC saísse da pista. Com pilotos dizendo que estava ok, e o raivoso Hamilton pedindo que o SC deixasse a pista (claro, spray na cara não estava legal, né querido?) eles se alinharam e pronto, houve a largada. 
Tudo bem que todos esperavam que Verstappen fosse atacar o Hamilton, mas deixa eu contar uma coisa para vocês? Verstappen apela com carro vermelho, não com carro prata (ou borrado  de branco que nem era aquela pintura comemorativa de ontem). Patinou e Hamilton teve tranquilidade para sair na frente. Max perdeu umas boas posições e por algum tempo, tivemos Räikkönen em terceiro. Era de encher os olhos a corrida que o finlandês ia fazer dali adiante. Por sinal, uma das melhores coisas de ontem.

Um dos focos principais da corrida, apesar de todo o descompassado falatório da narração, era o Vettel. Não se narrava muito, e quem estava só ouvindo a TV deve ter ficado muito perdido. Era preciso olhar na tela pois não se narra corridas mais, faz tempo. 
É certeza que a maioria de vocês aí estavam querendo saber a hora que o Vettel ia rodar, bater em alguém, fazer uma das suas, como diz a boca pequena. Mas o que aconteceu foi um banho de água fria nessa expectativa: saindo da 20ª colocação, Vettel passou 8 carros apenas na primeira volta. Evitou todas as armadilhas que uma pista molhada poderia garantir, coisa que os principais nomes da corrida, como Hamilton, Bottas e até o companheiro Leclerc (além de Verstappen, na largada), não estavam tão bem. As ultrapassagens certas foram conseguidas à tempo de mantê-lo em uma posição confortável, em oitavo, atrás de Räikkönen e ainda com pista molhada. 
Ele não se redimiu para os detratores, não foi o nome da corrida pois, teria chegado em segundo só porque outros tinham batido ou abandonado. 

O cara foi Verstappen, mesmo tendo errado e rodado em um momento que muitos bons pilotos cometeram erros que custaram-lhe a corrida: Primeiro foi Leclerc, depois o próprio Hamilton (desculpem, mas eu ri) e logo depois, Bottas e Hulkenberg. 
Pode ser o lado passional falando, mas destes 4 nenhum fez mais lambança e agiu de forma tão ridícula quanto o inglês. Leclerc ficou desapontadíssimo e tristonho ao sair do carro. A curva que ele havia derrapado, já tinha passado uns momentos chatos com ele. Depois de Ricciardo ter o motor  estourado e deixado óleo pela pista, quando a chuva ameaçou, uma grande quantidade de pilotos que passaram por aquele trecho, derraparam. Leclerc foi um dos ponteiros que, na hora que derrapou, foi parar na brita e dali não tinha mais como sair. 
Em contrapartida, Hamilton não só saiu no mesmo trecho, como não conseguiu controlar o carro, bateu e perdeu boa parte da asa dianteira do lado esquerdo, saiu da brita, atravessou o carro quase em linha reta, cortou a faixa de entrada dos boxes, e fez os mecânicos da Mercedes ter um dia de Ferrari. Houve até mecânico trombando com o outro, tamanho era o desespero. Caiu para último e eu, ri. 
Parou ainda algumas outras vezes no box e tomou punição humilde de 5 segundos pela cortada da entrada dos boxes. Fizeram vista grossa para o fato de ter andado lento demais com um SC na pista. Se punissem duas vezes, ele matava uns dois comissários, pelo menos
Sua genialidade e profissionalismo se refletiu num rádio em que pedia para autorizarem ele recolher o carro. Combativo esse hexacampeão, hein? Ainda bem que eu acho ele um palerma. Se eu fosse fã, teria me decepcionado muito.

Uma pena que, destes, foi sofrível ver a cara triste do Leclerc em um ano que ainda não venceu, protagonizou excelentes momentos, mas ainda não desencantou como merece. Além disso, Hulk, que tem um talento notório, mas é alvo de piadas por não ter ainda sequer um pódio para contar vantagem. E ontem essa piada pronta poderia ter caído, e pela condição da pista, e pouco equilíbrio do carro da Renault, escapou pelos dedos. 
Já Bottas, infelizmente, pode dar adeus à vaga da Mercedes. Sua batida foi pela mesma razão de Hamilton: ambos, andavam como se a pista estivesse seca. Ocon o substituirá, ano que vem, com gosto.

O fato de Vettel ter feito um pouco mais que Verstappen não será da conta do GP. Ele conseguiu uma recuperação sensacional, lutou muito atrás de Räikkönen até de fato, conseguir o jeito certo, já quase no fim de se recuperar ainda mais e se aproveitar dos erros dos demais para ganhar posições. Ele passou carros como a McLaren de Sainz e a Force India de Stroll em menos de duas voltas, sim. Mas pouca gente se atenta pelo fato dele não ter cometido nenhum erro durante toda a corrida. Cauteloso, combativo, frio e pragmático, ele acertou todo o momento que precisou para estar no pódio. Tomara que esse pensamento o acompanhe no resto do ano, não como reação, mas deixar passar a nuvem negra que paira sob sua cabeça. 

Uma corrida boa, digna de estar nos "highlights" da temporada. E acho que está bom terminar por aqui, não é? Voltarei pois falta assunto aí, rsrsrsrs...
Comentem!

Abraços afáveis!

terça-feira, 23 de julho de 2019

F1 2019: Às vésperas do GP da Alemanha

Abra qualquer portal/site de notícias sobre F1. Qualquer um de sua preferência, não vou julgar a escolha.
Abriu? Agora, faça o seguinte: Corra os olhos nas notícias recentes. 
Posso garantir - sem saber qual página você abriu - que tem, pelo menos uma matéria sobre o GP alemão de 2018. Dependendo do grau de exorbitante mania dos "caça-cliques" que acomete a atual internet, há uns dois textos em formato de colunas, abordando a "derrocada" de Sebastian Vettel naquele GP.

Esse GP é ainda comentado, um ano depois por critérios já vistos sobre outros assuntos que pipocam na web: a) sadismo, já que nada é tão "engraçado" quanto ver a desgraça daquele que você não nutre simpatia;
b) basta um desequilíbrio para que qualquer abutre da mídia esteja apostos para dar aquele empurrãozinho que falta. E claro, fazer disso, um assunto dissecado como Jack Estripador. 
Não se enganem. Sempre há um destes. As vezes até, com mais crueldade que o assassino serial.

Esses dias, vi uma citaçãozinha besta, que acabei publicando nas minhas redes sociais que dizia mais ou menos isso: não é a água em volta do barco que faz ele afundar; é a água que está dentro dele. 
As situações externas podem interferir no sucesso de empreitadas, porém o que for negativo dessas situações, não podem ser carregadas para dentro do processo ou o "afundar" será iminente.
Quantas vezes, você aí, que esteve em uma situação sem saída, faltando pouco para não ruir de vez, e não sentiu o pé invisível da vida, pronto para chutar, sem dó nem piedade?

É mais ou menos isso que a mídia esportiva especializada tem feito com Sebastian Vettel. Os fãs do piloto estão sofrendo talvez, um pouco mais do que eu passei como fã do Kimi Räikkönen em meados de 2009. Naquele ano, tudo que se lia por aí era a inexpressividade do piloto finlandês em guiar um carro da Ferrari. Não cometia erros crassos, mas era dado como tão, mas tão inútil, que fazia parecia sacrilégio que ele tivesse um lugar na equipe. 
Estou longe de ser isenta, mas era desnecessário tanta crítica, tanta responsabilidade para as corridas que fracassavam. 
Italianos são dramáticos. Para eles parecia fim do mundo mesmo. Juntou-se à excitação do momento com a vinda de Fernando Alonso e pronto. A imprensa espanhola só apimentou a "transição" de último campão da Ferrari, para completa "ameba" - termo usado pelos comentaristas de F1, na época, inclusive.

Estou sendo um tanto dramática. Talvez os fãs do Kimi não tenham passado um terço do que os Vettel tem passado, hoje. Kimi, estava quase descrente, precisando de algo a mais. Havia vencido o campeonato pela Ferrari, mas viu as decisões internas da equipe sem o pulso firme de dirigentes  ou pilotos exigentes, ruir a olhos vistos. Sua frieza, que o levou a grandes feitos em toda sua trajetória na categoria, era exatamente o que mais causava desconforto provocando sentimentos de necessário afastamento.
Na época, eu fui fã irracional. Achava um disparate tudo que diziam. Por sorte, ele mesmo ensinava a gente: dava de ombros. 
A única revolta que ainda guardo daquela época é apenas a premissa de que um dado mediano piloto foi o responsável pelo seu título em 2007. 

Cheguei num ponto legal, acompanhem: uma mentira deslavada, se dita pelas bocas certas, se transforma em fato, no ato em que foi proferido.
Essa é uma das mentiras da F1 dos anos 2000. A outra, talvez seja do mesmo ano de 2007: a "fenomenilidade" de Lewis Hamilton. Puro talento, um jovem feito para ser campeão.
Já ouço vocês: "E ele não foi?" Pensam que eu acho cinco, agora seis vezes, pouco? Na verdade não. Acredito, na toada que vai, que chega a 8 campeonatos vencidos, fácil. 
Não é a boca certa, mas caso seja mentira, arrisco: no máximo, um destes seis campeonatos, tem algum valor notório. No máximo! O resto, foi como cozinhar um macarrão instantâneo. 
Dentre as outras mentiras aqui e ali, se coleciona pelo menos duas, a cada temporada.

Vettel sofre. Muito. Qualquer piloto que sentou num carro da Ferrari, como piloto titular, sofre. Lidar com a pressão, não é para qualquer um. A gente está longe, não sabe o que passa na cabeça do outro. A pressão alcança níveis altos assim que o indivíduo pegou em uma caneta para assinar com a equipe. Só quem já foi piloto da equipe sabe o que é. Do cara mais exigente, confiante e poderoso, até o mais frio e descompromissado, sente-se um peso absurdo. O que separa eles, não é o que fica aparente, mas como eles lidaram com isso, no tempo em que estiveram lá, à quatro paredes.
Os "tifosi", dizem, são os primeiros a cobrar perfeição. De fato, talvez tenham larga responsabilidade na pressão. Simplesmnete porque para eles, o cara contratado tem que ser um homem biônico. Não se admite falhas no "sistema". Falhou? Opa, já tem abutre à espreita - os críticos e os comentaristas. 

A dicotomia parece assunto de ficção, mas paira nos esportes mais que a gente queira admitir. Não era para ser espaço para isso, a não ser em HQs ou livros de fantasia. Para que um se destaque, o outro, tem que ser quebrado em pedaços. Para ter a Ruth, tem que ter a Raquel... Sempre?

Sem ter uma resposta para isso, que não divague muito, tentei procurar meu texto pós o GP da Alemanha de 2018. Eu não tinha ideia do que eu havia refletido sobre aquela corrida. Lembro de ter ficado com muita raiva. Então recorri ao registro. Eis o resultado no print abaixo:


Consegui fazer um texto sucinto naquele domingo. Mas, dá para sentir o tanto que eu estava possuída de raiva. Mas aí, na segunda-feira, eu não me contive. Cliquem no link para lerem o que escrevi um dia depois.

Me deparei com duas verdades naquele texto, uma delas, bem grave e a culpa é de vocês: como ninguém nunca me alertou o quão feio eu escrevo? Textinho mal organizado aquele, minha nossa!
Duas (e esse assunto é dentro do contexto, apesar do trauma), que a minha perspectiva segue a mesma. Apesar de um ano ter se passado. 
Vettel não pode errar e quando errou deram gargalhadas. Esse ano, a risada persiste, a cada minuto que ele erra. Não importa porque ele erra. O importante é que a maioria se vê confortável em fazer chacota.

Em uma situação muito mais grave que Räikkönen em 2009, Vettel encara diante de si, clamores por aposentadoria e comparativos com outros pilotos que passaram pela equipe vermelha, inclusive Kimi. Li, nesses tuítes aleatórios, curtidos ou compartilhados por alguns seguidores, coisas abismais: Num deles, o cara sacou vários RTs que diziam, em italiano, que o maior erro da Ferrari foi ter dispensado Raikkonen pelo Leclerc e que no caso, essa deveria ser a dupla para a temporada 2019. O mesmo cara, vivia a pedir a cabeça do finlandês no fim do ano passado. 
Outro ser, que infelizmente tomou o meu "unfollow" por uma junção de fatos que, não me orgulho - já que ele provocou a minha boa vontade e tolerância - estava fazendo campanha para o retorno de Fernando Alonso à Scuderia. 
Esse último, mesmo tendo tomado um sutil "block" da minha pessoa, por estar, por demais, interferindo nos meus tuítes sobre política, querendo validar discursos rasos e incoerentes de nosso presidente, não parecia estar delirante como eu pensava. Já vi um par de tuítes que compara os desempenhos de Alonso e Vettel na Ferrari me fazendo questionar a racionalidade humana.

Sabem de uma coisa? Estou gostando mais de Vettel passível de vários erros. Gosto mais do que  a figura de antes, tetra campeão e meio petulante. Campeão é uma coisa falante, muito chata. 
Agora, Vettel é humano, bem menos chato e bem mais parecido com a gente, com falhas, inseguranças, rompantes derrotistas, mas peito aberto para não desistir enquanto tiver forças. Antes, conquistou feitos e não teve controle para que surgissem os endeusadores de plantão. Por isso digo que campeões são chatos. Eles crescem no fermento natural que vem no pacote da glória. O que os ergue lá em cima, é também os que derruba, rapidinho. Tornam-se então, presas fáceis dos carentes de racionalidade. 

Ruiu rápido essa imagem idolatrável do Vettel, não é? Vai ver era porque não era autêntico. Não era da constituição  do Sebastian Vettel. Capaz que era isso que Ecclestone se referia quando disse que como campeão que ele não era carismático. Ele não pareceu moldado para gente doida propensa a alimentar fanatismos. 
Nem sempre, os dados como fortes, poderosos são os que merecem o reconhecimento que lhes é atribuído. Quando o fato arquitetado meticulosamente é para as aparências, é difícil de destruir, mas super fácil de comprar. 

Resta esperar que haja o mínimo do sucesso para Vettel na sua nova oportunidade em casa. Não vai ter reação, que coloque a Ferrari num patamar mais favorável. A Mercedes segue sendo hegemônica. O que mais fere é saber que, a Ferrari, no seu caos interno, não está aproveitando a chance de se aproximar mais da equipe prateada, botar pressão e aguardar que cometessem erros, que certamente viriam. Além disso, organizar-se para reagir alimentaria a tão sonhada reação que prega seus fãs e contribuiria muita para que a F1 fosse, novamente mais legal de acompanhar.

Vejam bem: nos sábado de treinos classificatórios, Hamilton não tem sido o grande destaque. Foram 3 poles nas 10 etapas. A minha implicância leva ao patamar da "encenação". Tudo à custa de um discurso de que as vitórias foram custosas. Esse pensamento ganha força se olhamos a tabela de pontos, à caminho da 11ª etapa da temporada. Hamilton soma 223 pontos, seguindo aquela ideia de que poderá fazer mais que 430 pontos esse ano muito fácil. O segundo colocado é o apático colega de equipe que está à 39 pontos atrás. É uma vitória mais um quarto lugar e um nono, por exemplo. Bastante coisa, se considerarmos que Hamilton nunca é carta fora do baralho para, ao menos, fazer com Bottas empate. 
A situação toma requintes de crueldade se compararmos Hamilton não com os dois que o segue, mas o primeiro piloto da Ferrari na tabela. Vettel está a 100 pontos do inglês. São quatro vitórias para empatar, algo simplesmente impossível de acontecer. No caso da menina dos olhos da equipe de Maranello, Leclerc amarga 103 pontos de diferença, 4 vitórias, com voltas rápidas em pelo menos 3 delas. 
Tirando a ideia da possível encenação de Hamilton, ele alega que está relaxado em relação às poles. As suas últimas vitórias foram circunstanciais, mesmo assim, colocadas como triunfais. Nesse caso, é bem visível que, também para as corridas, ele está relaxado. E mesmo assim, não tem um miserável para fazer ele começar a suar o couro cabeludo.
A F1 como um todo, jogou o foco, nas duas últimas corridas, para outros pilotos que não da Mercedes, enquanto a Ferrari só continuou cometendo erros estratégicos, risíveis que, além de prejudicar ainda mais a competição, afasta os dois pilotos da possibilidade de bancar pressão à equipe Mercedes, até mesmo no mais fraco da dupla, o Bottas. Estão muitos mais dignos de chacota que qualquer erro que o Vettel tenha cometido, seja na corrida da Alemanha do ano passado, seja na última, na Inglaterra. 

O problema é mesmo um desequilíbrio mental de Vettel? Ou o ambiente desfavorável para ele e seu companheiro recém chegado, de uma pressão absurda para ambos que acaba dando espaço e conforto para a equipe rival? 
É fácil escrever matérias comentando desequilíbrio profissional e mental quando o máximo que o outro "gênio" enfrenta de pressão ou incômodo, é um companheiro de equipe com um pouquinho mais vontade de ter um lugar ao sol. Quem é que atrapalhou a vida de Hamilton a ponto de fazê-lo cometer erros nesses seus 4 campeonatos vencidos com a Mercedes?
Nem mesmo Nico Rosberg, me desculpem. 

Ainda assim, que Vettel tenha uma corrida adequada junto ao seu público compatriota. Estou com vontade de escrever textos mais bonitinhos na próxima vez que voltar aqui. 

Abraços afáveis! 

terça-feira, 16 de julho de 2019

Faixa a Faixa: Into The Wild

De volta, com mais um Faixa a Faixa, para dar uma relaxada feliz com umas músicas boas.

O álbum que venceu, surpreendeu que fosse o escolhido. Entrou recentemente na enquete, e teve dois votos, sendo a escolha deste post.
Agradeço já quem participou e já encarno a "pidona" para a pedir que votem na próxima enquete no fim da postagem, belê?



♫ Nome do álbum: Into The Wild

O primeiro álbum do vocalista da banda Pearl Jam, "Into The Wild", foi, na verdade, parte da trilha sonora de um filme de mesmo nome, traduzido em nossas terras tropicais como "Na Natureza Selvagem". O filme é de 2007, baseado na história biográfica de Christopher McCandless que viajou pela América do Norte no início da década de 1990. Há um livro, de 1996 de Ken Krakauer com o qual o roteiro do longa se baseia. A história é real, de um aventureiro idealista que buscou romper com o materialismo da sociedade em que viveu. Viver com intensidade, buscar tudo da natureza que tanto amou e não ter obtido o que procurava, é a questão que mais salta aos olhos. O debate que permeia todo o filme é aquela exaltação de uma sociedade doente, materialista e mesquinha que vivemos e o quão difícil é se desprender disso. Não para menos, o diretor é ninguém menos que Sean Penn. Basta dar um Google para saber a postura ideológica do ator fora das grandes telas.

O que posso adiantar é que Eddie Vedder é amigo de Sean Penn, Tim Robbins e atores politizados de Hollywood. Penn escolheu Vedder para formular a música para o filme, muito provavelmente pois, anteriormente, o músico havia contribuído com duas músicas para a trilha sonora do filme "Dead Man Walking" (Os Últimos Passos de Um Homem) de 1995, e um cover de " You Got to Hide Your Love Away ", dos Beatles, para a trilha sonora do filme de 2001 "I Am Sam" (Uma Lição de Amor). Em ambos, Sean Penn faz os papéis principais. 

► Arte, capa e encarte:

Existe, obviamente, o disco com a capa do pôster oficial do filme. A capa abaixo é do LP:




Sejamos pragmáticos, essa é mais interessante que pôster do filme: 


No primeiro caso, temos um jogo de sombras interessante e simples, fazendo menção, talvez ao fato da busca do equilíbrio de forças da história do personagem: viver em sociedade e viver da natureza. Porém isso é decididamente subjetivo, sendo então um palpite meu.
No segundo caso, para quem assistiu o filme, faz pleno sentido por ser nesse ônibus velho que McCandless passa boa parte dos seus *spoiler alert* últimos dias. Ali em cima, ele contempla o lugar e faz o que faz o tempo todo, desde que decidiu partir em busca de uma epifania para sua vida: pensar.
Sobre a arte do LP, temos: Brad Klausen – layout, design, Francois Duhamel  e Chuck Zlotrick –responsáveis pela fotografia e a arte final, Anton Corbijn – fotografia e Sato Masuzawa – ajustes artísticos.

Datados de setembro de 2007, o filme e a trilha foram indicados à vários prêmios, tendo ganhado um Globo de Ouro de Canção Original por "Guaranteed".

► Membros da banda, composições, participações especiais e convidados:

Voltado para o estilo folk, Vedder compôs ou trouxe canções baseados no material que Sean Penn deixou à ele. De início, a criação passou a ser produzida a partir do roteiro. Depois de três dias, Penn recebeu as canções e essa troca foi sendo feita, de modo criativo, livre para o músico.
No álbum, há duas canções não compostas por Vedder. Uma delas é a cover "Hard Sun" de Indio, Gordon Peterson, um compositor e músico canadense. A música provém de um álbum dele, de 1989, chamado "Big Harvest". A outra é "Society" de Jerry Hannan, um dos músicos convidados para a gravação do álbum. 
Responsáveis: Eddie Vedder – vocal, guitarras, baixo, bandolim, banjo, piano, órgão, bateria, percussão, produção, mixagem, layout e design.
Convidados: Jerry Hannan – guitarra e backing vocals, Corin Tucker – backing vocals.
Técnicos: Adam Kasper – produtor, gravação, mixagem, John Burton e Sam Hofstedt – engenheiros de som, Bob Ludwig – masterização, George Webb III – técnico e Mike Kutchman – assistente técnico. 

► Produção e Gravadora:

Além de Vedder, como produtor temos:
Técnicos: Adam Kasper – produtor, gravação e mixagem, John Burton e Sam Hofstedt – os engenheiros de som, Bob Ludwig – responsável pela masterização, George Webb III – técnico de som e Mike Kutchman – o assistente técnico. 
"Into The Wild" foi gravado em 2007 no Studio X em Seattle pelo selo J Records, propriedade da Sony Music Entertainment e distribuída pela RCA Music Group. A J Records era o selo da banda Pearl Jam, antes da dissolução da RCA em 2011.

"Into The Wild" como trilha sonora foi lançado dia 18 de setembro de 2007. Possui 11 canções e 33 minutos e 04 segundos de duração.

► Música favorita do álbum e a segunda melhor:

A minha favorita é "Far Behind" e a segunda escolha fica com "Rise". Mas a menção honrosa fica para "Hard Sun", sem sombra de dúvidas, um excelente cover.

► Faixa a Faixa de "Into The Wild":

♫ "Setting Forth"

Gosto muito da voz de Eddie Vedder, então uma música mais ou menos, com seu toque, soa uma boa pedida para dedicar uns bons minutos de audição. "Setting Forth" é curtíssima, com um minuto e trinta e sete segundos, muito bem harmônicos trazendo uma boa vibe para as demais canções dodisco e abrindo espaço nos nossos ouvidos para a também curta, faixa dois.

♫ "No Ceiling"

Começando com um banjo, a também curta faixa "No Ceiling" é cadenciada, e amistosa. Um  folk simples que casa bem com atmosfera inicial do filme, meio "road movie".

♫ "Far Behind"

Mais animadinha, Far Behind é uma das minhas canções favoritas do disco, bem mais típica de Eddie e que soa funcionar super bem em apresentações ao vivo que ele fez e faz durante o tempo do filme e posteriormente, em meio a turnês com o Pearl Jam.

♫ "Rise"

Para abaixar os ânimos exaltados na faixa três, em "Rise" temos apenas a combinação de voz e bandolim nada intimista. Apenas perfeitinha e direta.

♫ "Long Nights"

A canção mais "caidona" do disco é a faixa "Long Nights", quase reforçando a ideia de contemplação e solidão, juntas num só "pacote sentimental", se assim posso descrever. Melancólica como deve ser, mas ainda assim que te trás conforto.

♫ "Toulumne"

A sexta faixa tem apenas 1 minuto de melodia em violão sem voz, mas que diz bastante coisa, especialmente a lembrar que se trata de uma cancão para trilha de filme. Ela dá engate para a  regravação de "Hard Sun" que vem logo em seguida.

♫ "Hard Sun"

Confesso, o dia que assisti ao filme, e ouvi essa música achei espetacular. Minha infeliz ignorância me traiu, pois nem imaginava que era uma canção já existente. Quase agi como adolescente sabe-nada de hoje e saí falando a bobagem de que Vedder era um gênio por ter escrito tão bela canção.
Por sorte, não fiz isso e descobri a canção original e fui ouvir para comparar. Ela não é muito diferente em termos de melodia e voz. Obviamente a releitura do Vedder tem a sua marca registrada que é a sua voz, por vezes copiada (muito mal) por aí afora. Mas isso não tira o mérito da nova roupagem, inclusive não ter interferido muito ainda teve a sua especificidade.
A sacada melhor é, de fato, o encaixe da música de 1989 para compor a trilha do filme. Uma música que te dá sensação de liberdade e casa totalmente com a história de McCandless.

♫ "Society"

Outra canção que não foi composta por Vedder mas que tem a sua interpretação como ponto alto. A canção tem apenas voz e cordas e é carregada com uma letra de crítica a sociedade. Segue o trecho do refrão consciente:

Society, you're a crazy breed
Hope you're not lonely without me
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me

Society, have mercy on me
Hope you're not angry if I disagree
Society, crazy indeed
Hope you're not lonely without me

♫ "The Wolf"

De todo o disco, The Wolf é uma canção que por não ter letra, trás mais "feelings" do que se dissesse algo a respeito de um homem livre na natureza. Talvez seja muito mais isso que reflita bem no filme do que qualquer uma das outras 10. É ouvir para conferir.

♫ "End of the road"

A penúltima canção do álbum quase me lembra Pearl Jam e poderia facilmente estar num dos recentes álbuns do grupo de Seattle. Serve como introdução para a longa e principal canção do disco.

♫ "Guaranteed"

A mais folk do álbum é também uma canção premiada. Uma sacada excelente de Vedder para sua composição com todos os elementos necessários sobre a história, as metáforas e alegorias, a vida, as relações humanas e a nossa contribuição para tudo que implica a nossa humanidade. Ela tem uma longa pausa de silêncio e um retorno com melodia acompanhada com a voz. Pode parecer enfadonha para alguns, mas pode ser também proposital para reflexão.

► Uma história do disco, uma questão pessoal ou uma curiosidade:

Eu demorei um tempo para assistir o filme. Havia o DVD original do filme em casa e depois de um tempo é que decidi assistir e conferir o tal filme interessante e filosófico que era. Não vou mentir que não achei assim tão legal. Tive uma visão meio radical de tudo que dá para discutir com ele. Mas em termos artísticos, o longa conta uma boa história, com recortes precisos e invocam pertinências e perguntas corriqueiras, mas que as respostas não são solucionadas. É obvio que algumas passagens tenham sido floreadas. Mas isso faz parte da sétima arte. A questão posta é que, um filme sem uma música encaixada é um como um convidado mal vestido na sua festa. Ele destoa entre os demais e não te oferece conforto. Vagamente, "In The Wild" ganha uns pontos quando analisamos a contribuição que a trilha proporciona à história.

Comentem sobre o disco, o filme e o que mais quiserem!
Lanço aqui, os próximos 5 álbuns para votarem. Últimas chances para Faith No More e Metallica, e o acréscimo do meu álbum favorito de Aerosmith:




Está com vocês agora! Beijo nas crianças e, claro, abraços afáveis!

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 10: GP da Grã-Bretanha

Que o GP britânico não seria como o GP austríaco isso era fato.
As razões para isso eram bem simples, dentre elas, a mais comum: tudo que é bom, dura pouco. Em se tratando de F1, eu desconfio quando a esmola é muita. 
Uma sequencia de GPs bons ia ser muito entusiasmo para pouco espaço. Era perigoso a gente ter uma overdose de alegria, afinal, a abstinência de empolgação nas corridas estava praticamente, pela hora da morte. 

Mas vou dizer aqui, na real (como dizem "os manos das quebradas"): eu não sei dizer se o capítulo 10 da novelinha foi ou não, bom. Um "mixed feelings" se abate (novamente) sobre a minha pessoa.
Nem chamo para concordarem comigo, mas se fizerem, imaginem que estou do lado de cá fazendo corações com as mãos para vocês.

A classificação foi sem gracinha. Bottas poderia ter tomado a pole de Leclerc, mas sabíamos que, entre uma largada e uma parada nos boxes na corrida de domingo, a ordem entre Bottas e o rei da F1-campeão de 2019 poderia ser dada como feita. A única coisa que dependeria ainda do roteiro do dia, era se a troca de posições seria escancarada ou não.

A largada aconteceu, e por "increça que parível" - ou melhor, por incrível que pareça - Bottas sustentou a primeira colocação e mais tarde, quando a DRS já era liberada, Hamilton tentou tomar a primeira colocação do companheiro que, surpreendentemente se manteve de forma limpa e segura. 
Não é que eu não goste do Bottas. Até acho que existe talento nele. O grande lance é que, ser companheiro de Lewis exige culhões. Essa coragem e fibra é mais dada à uma petulância a sobrepor  o inglês do que necessariamente ser mais talentoso. É um simples modo de ser "casca grossa". 
Ter a casca grossa na F1 pode ser comprometedor para a carreira do indivíduo. Ou você "vaza" logo, porque ninguém gosta de você, ou porque você é muito bocudo e aí, ninguém vai te querer por perto.
Existem alguns que, suponho, foram banhados em mel. Eles podem até ser cascas grossas, bocudos, chatos e pelas costas, poucos gostarem deles. Mas eles chegam lá. Tiram 2, 3 campeonatos seguidos. Viram mitos, o pessoal da F1 lambe o chão que passa, a mídia enobrece, os fãs endeusam. Raramente, são povos de bom caráter. Aqueles que ainda restam um pouco disso, são tratados como chatos, reclamões, mimados, e afins, mas eles não foram banhados em mel, chocolate, creme de avelã... Por isso, se chegam lá, logo caem das "tamancas", num tombo que deixa hematomas feios. 

Não vou ser injusta com todo o GP: estava bonito ver Leclerc segurar Verstappen que vinha salivante para tomar o terceiro lugar. O grande x da questão é que, se no GP da Áustria garfaram a Ferrari pela segunda vez no ano, dessa vez houve menos blábláblá e Leclerc deixou às claras que a lição estava aprendida. Ele foi mestre a deixar Verstappen suando na tentativa. Também nos fez crescer na torcida por ele, afinal, indicou que, se ele também errou na corrida passada ao não lembrar quem era Max Verstappen e agir com ingenuidade na disputa, agora ele não ia mais fazer isso. Como se esperava, ele foi carne de pescoço, mesmo com o desgaste de pneus, durante boas voltas.

As paradas começaram, Bottas sendo o primeiro a trocar os pneus. Lá na décima quarta volta, Leclerc e Verstappen foram aos boxes, juntos. Verstappen ganhou vantagem, uma pelo fato dos boxes estar na frente do box da Ferrari, e dois, por terem feito uma parada milésimos de segundo mais rápida, colocando a vantagem de um bico para Verstappen sair na frente de Leclerc. 
É só lembrar também que tem aquela de limite de velocidade nos boxes e a gente percebe que era tudo muito favorável à RBR pela disposição desses boxes. 
Ainda que pudesse ter briga boa entre os dois, estávamos achando bom. Eu estava, vocês não? Nem sabia o que acontecia com as Mercedes e pouco me importava. Eu queria era saber do terceiro para trás. Quem sabe até, poder ver Verstappen impor banca para cima das Mercedes e fazer festa no topo do pódio na casa do rei-campeão de 2019. Deixar todo mundo instável e Leclerc, na perseguição, chegar também em segundo ou até ameaçar a primeira posição de Verstappen, de novo, numa vingancinha saborosa...! Oras, sonhar não custava!?!

Minha expectativa foi minada em questão de 6 voltas. No 20º giro, Giovinazzi *INFELIIIIIIIZ* rodou e caiu na caixa de brita. Lembramos o porque da F1 tirar o bendito recurso das britas no extra pista. Sempre que alguém vai parar ali, o SC é acionado. 
Dessa vez, eles não devem ter achado tão ruim de colocar o carro de segurança; por coincidência (será?) isso beneficiava Hamilton que fez sua parada assim que o SC entrou na pista. Bottas já havia feito a parada antes. Assim, quase imperceptível, troca de posições foi feita.

O Galvão Bueno - narrador que basta aparecer, todo mundo começa a chiar - falou várias vezes algo que concordei por completo: Giovinazzi tinha bagunçado com a corrida. Para mim, já tinha acabado. 
Claro que ele não fez de propósito. Mas, infelizmente pela questão da segurança, a direção de prova não poderá nunca mais evitar os safety cars. Ainda que o carro tivesse longe da pista, foi logo que colocaram o carro na pista e Hamilton saltou para a primeira posição.

Ao menos, não voltamos à aquele infortúnio de ver os ponteiros dando volta nos retardatários. O foco ainda era Ferrari e Red Bull. Com essa zona causada pela rodada do Giovinazzi, outros italianos também fizeram "caquinha": a Ferrari chamou Leclerc para os boxes e fez ele sair de P3 disputar no páreo com Verstappen novamente e ver Gasly, num jogo de equipe, estar entre os dois, deixando-o com o P6.

Só na 36º volta é que Leclerc passou Gasly. Não havia mais como chegar rápido em Verstappen que já estava à ponto de atacar Vettel. Aí que a coisa morreu de vez, e nesse caso, para Vettel.
Eis o diálogo que se seguiu do meu pai para minha mãe, logo que ela exclamou um chateado "aaaaah":

- "O cara da frente freou, depois de ultrapassar, o que o de trás tinha para fazer?"

Descrição da cena: Verstappen passou Vettel que por sua vez tentou retomar a posição e viu o holandês dar uma rabiada estranha na frente e bateu na traseira do carro, prejudicando o pódio dele, e a sua corrida.
Lei de trânsito: bateu na traseira, o errado é você. Não importa a situação.
Lei das redes sociais/mídia em geral: quem eram os envolvidos? Alguém e Vettel? Então, o Vettel é culpado.
Fim de papo.

O mais beneficiado com isso, foi Leclerc, que havia perdido a terceira colocação por um errinho da Ferrari e agora, voltava ao P3 graças ao companheiro de equipe. Além dele, Gasly, perigante em perder o emprego, ficou na frente do companheiro, mas ainda não por méritos próprios. 
Vettel foi punido pelo incidente (novidade!) e Hamilton ficou se sacolejando no carro assim que recebeu a bandeirada. Posou com a bandeira da casa, fez festa com os fãs. Mais falso que nota de três reais, não passa paixão ou patriotismo algum. Apenas ceninha, como gosta de fazer.

Se por um lado a F1 está bem melhor desde o GP da França ela ainda está patética pois, somos pescados por uma isca que não é viva e devolvidos à água depois de uma foto para os "stories do Instagram". 
A FIA, sacou que o que a gente quer ver é disputas roda à roda e torcida indo à loucura junto com a gente. Tanto é que, quando Bottas virou "troll da floresta" para cima de Lewis, a FOM levou a imagem para a torcida. Depois do safety car, pouco se mostrou da duplinha da Mercedes. Ficamos entre Verstappen, Leclerc e depois Vettel, inclusive, levando a disputa às vias de fato: retiradas de pista e toque. Infelizmente, essa isca é falsa. Listo, para não ficar cansativo:

1) Além das punições acontecerem, novamente, por circunstâncias duvidosas, pois o Verstappen já tomou uma dessa ano passado, pelo companheiro Ricciardo e ninguém foi punido, a FIA mostrar-se anti-Vettel (e quiçá, anti-Ferrari);
2) Ainda a dizer que as punições são seletivas-  pois Verstappen reclamou das mudanças de direção de Leclerc quando disputava com o monegasco no começo da corrida - ele tem essa característica desde sempre: Max sempre obriga que o adversário freie um pouco antes quando há uma proximidade. Por questão de reflexo, penso eu que o erro do ponto da freada - ainda mais no caso que foi ontem, saber a hora exata de frear antes ajudou na colisão, mas não foi totalmente culpa do Vettel. Faz parte do jogo? Sim. Mas é justo? Não, ou Verstappen mesmo não teria reclamado de Leclerc, mais cedo, que tentava assim, ter menos pressão aerodinâmica. De todo modo, poucos pilotos sabem fazer isso sem causarem colisões e isso passa a ser subjetivo de análise; 
3) A FIA (e a mídia)  é anti-Vettel. O segundo "erro" no ano só fez escancarar que o alemão perdeu-se na carreira, por completo. Se sair da categoria, é covarde, se não sair, sofrerá com críticas (mesmo que sejam TODAS injustas). 
4) Campeonato bom é quando temos pilotos talentosos com carros semelhantes. A rivalidade Verstappen e Leclerc não só precisa continuar sendo mais explorada do que Mercedes e sua hegemonia chata e inabalada quanto o devido destaque para ambos, é necessário para a saúde da categoria. Porém o que acontece no fim da corrida é um sem número de oba-obas para as (fáceis) conquistas do Hamilton que não são monstruosas.

Dá para melhorar isso, e pelo amor de nossos filhinhos: não deixem para dar esse gostinho de  termos empolgantes rivalidades só para serem concretamente produtivas em 2021. Pode ser que até lá, caras como Vettel e Raikkonen não participarão da "brincadeira" e Leclerc, Verstappen e outros, estarão meio que cansadões de lutar pelas migalhas. 

E vocês, o que acharam da corrida e de tudo que envolveu o fim de semana na F1?

Abraços afáveis! 

PS: Volto em breve, quero aproveitar bem minhas duas semanas miseráveis de férias por aqui...