sexta-feira, 18 de outubro de 2019

F1 2019: Pós GP do Japão e Prévia do GP do México

Faltam apenas 4 corridas para o fim da temporada. Algumas coisas já foram concluídas e nós começamos a sofrer de abstinência antecipada. Não que as corridas tivessem sido um primor neste ano, mas, é aquela coisa: vício é vício.
Se ficássemos presos, única e exclusivamente focados nas corridas, no que acontece nos circuitos - sejam eles, chatos ou não - estaríamos (talvez) próximos ao paraíso. Mas, todavia, entretanto, no entanto, outrossim... sofremos, padecemos de algo tipicamente humano: nos atentamos à detalhes totalmente inúteis. 
Vivemos tempos de muito som e de muita fúria. Ficamos raivosos com pouca coisa, sem o mínimo da lógica. E quando o assunto é F1, extrapola-se todos os limites do bom senso.

Durante esses anos de total incapacidade administrativa da Ferrari, Sebastian Vettel e Charles Leclerc não se safaram de serem crucificados pelos comentaristas. 
A mídia trabalha com imagens, e a do Vettel - de um piloto "chato" que só vence se estiver nas prioridades da equipe - está consolidada. Agora, se constrói a imagem de Leclerc como piloto novato que chora por atenção. Essas imagens são uma construção de outros a respeito de acontecimentos que os envolvem. É impossível concluir se estas condizem muito ou pouco com a realidade.  
De qualquer forma, são construções que a Ferrari deveria ter evitado ao máximo.
Como nos outros anos, e com outros personagens, não houve compromisso em evitar esse tipo de publicidade negativa. Na vontade de atrasar o(s) título(s) iminente(s) da Mercedes, expuseram seus pilotos à situações que - mesmo que fizessem parte do "jogo" -  não tinham a mínima da necessidade. 

Enquanto isso, a maioria dos que acompanham a F1, soltam os seus xingamentos quando a Ferrari é salva por alguma brecha do regulamento. Regulamento que, se fosse perfeito, pelo menos, justificaria toda a revolta. Mas ele só é aplicado seletivamente e muitas vezes de forma altamente controversa. 
Erros cometidos por outra grande equipe e acobertados por comissários não causa tamanha gritaria. Então, o gosto do fã da F1 também é seletivo e polêmico (nem que seja para irritar um pessoal). Isso explica porque é que tanta gente comenta abobrinhas nas redes sociais e em matérias (tendenciosas) abertas à comentários. Explica também o quanto a "comunidade", especificamente a brasileira, é tão tóxica. Mais ainda: coloca uma maioria hierarquizando o entretenimento como mais importante do que o esporte.

Logo que o GP da Rússia terminou e a mídia (italiana, inclusive) revelou uma dessas imagens montadas: deram a deixa que os pilotos da Ferrari não se suportavam e que, pelas pequenas brigas que tiveram, o clima entre eles era insustentável.
Isso é lenha para a fogueira da discórdia (e porque não dizer, fogueira das vaidades?). Houveram mais discussões à esse respeito: quem já não era afetuoso com Vettel, não poupou críticas. Quem estava com um pé atrás com Leclerc, colocou o segundo: já não viam mais ele como promissor, pois reclamava demais no rádio.
No GP do Japão, não houveram protestos semelhantes referentes as reclamações de rádio de Lewis Hamilton perante as decisões estratégicas de pagar dívidas com seu capacho-mor, Valtteri Bottas. Deram-lhe o direito da vitória já que tinha conquistado às custas do erro de um piloto da Ferrari e isso não agradou o ego do "Miltão".

Aqueles grupos supracitados - os detratores de Vettel e os novos críticos de Leclerc - estiveram durante toda a corrida, projetando as "rodadas" do primeiro. Para o segundo, queriam uma severa punição pela sua "irresponsabilidade" - um ataque sob Max Verstappen na largada e o fato de permanecer na pista soltando pedaços do carro.
Pareciam torcer, a qualquer custo, por uma das coisas mais chatas do ano: dobradinha da Mercedes, e ainda às custas da Ferrari. Pior: queriam que Hamilton fizesse valer sua reclamação (e eu achava que Hamilton "nunca reclamasse no rádio"como afirmavam por aí...) e tivesse a troca de posições entre ele e Bottas.
Costumo dizer que o pior parte da figura pública - seja ele ou ela, da música, do cinema, da TV ou do esporte - é o seu fã. Essa ideia não está longe do fã da F1 - porque torcer para a "rodada" de um piloto, para ter  a possibilidade de uma das cenas mais vergonhosas da categoria?
Se é pelo show, bem... Tem algo errado aí. 

Depois que, nem mesmo com os erros estratégicos a Ferrari conseguiu acabar com a corrida de Vettel, os espectadores noturnos torciam para que Hamilton ultrapassasse o alemão. Algo que não aconteceu e "a culpada" foi a Mercedes.
Depois de decantar "os pensamentos" a forma como Toto Wolff e cia. resolveram as coisas, foi vista como a ideal e perfeita. Se à equipe, nada de críticas, aos pilotos é dedicada alguns comentários:  para Bottas, os depreciativos, para o Hamilton, as bocas continuariam seladas. Um rompante de surdez e/ou esquecimento totais com relação às reclamações infundadas do hexa campeão mundial se fez presente. Ninguém se incomodou.
Parênteses: Sim, Hamilton já é hexa. Digo isso desde o começo da temporada.

Assim como Vettel ou Leclerc, o inglês não parecia interessado ao que a equipe precisava fazer na corrida. Assim como os pilotos da Ferrari, Hamilton não havia pensado no plano da Mercedes, não havia pensado no campeonato de construtores, não havia ponderado sob a dívida (grande) que tem com o companheiro. Agiu de forma egoísta, arrogante como sempre foi. Mas não houve um "a" sobre isso.
Depois dos treinos livres de sexta, ele foi para Tóquio e não permaneceu em Suzuka como os demais. Não se escuta ele dizendo que se estudou as estratégias. Literalmente dá de ombros e deixa no ar a pergunta: quem precisa delas?

Se não ficou claro, vou deixar: invertam os papéis da Mercedes com os da Ferrari, e temos o inferno na Terra. Teríamos falas que indicam uma dupla de pilotos mimados, chatos, cínicos e não profissionais, nocivos para a categoria. Como de fato, ocorreu, em Cingapura e na Rússia, especialmente com Vettel e em menor escala, com Leclerc. 
Um piloto ousar peitar os mandos de sua equipe é saudável para o esporte só quando o atleta em questão apraz o gosto da torcida. 
Dito de outra forma: atitudes semelhantes de uma estrela como é Lewis Hamilton, brilhando com um enorme ego (sim, maior do que o conteúdo de suas cuecas - exibição feita que trouxe um sem número de interessados e interessadas) ninguém se incomoda. Até porque depois de tanto reclamar nos rádios, ele faria um discurso falso recheado de elogios forçados, com algumas manifestações de frustração e todos dizem: "Campeão é assim mesmo, está ótimo, ele é genial!"
Observem: ele criou o entretenimento com as reclamações, ameaçou desobedecer, mas fez parte do resultado que, por mais que tenha sido legítimo, foi manipulado. 

É exatamente aí que a Ferrari nos irrita: por deixar essas coisas acontecerem. Ela expõe seus pilotos à  transparecer falhas de caráter - que podem ser absolutamente irreais -, os deixa à mercê de erros para correr atrás de prejuízos provocados pela equipe, o que desencadeia ainda mais erros.
Além disso, quando manipulam resultado, são criticados duramente, acusados de estarem fora das "regras". Quando um de seus pilotos desobedece, os gritos são histéricos. Parece que a Ferrari é a única que age de má fé.
Corre ainda o risco de ninguém ter percebido algo que o leitor Robson comentou há dois posts atrás, aqui no blog: o SF90 poderia não ter melhorado, mas sim, que a Mercedes tivesse confortável para ganhar o suficiente para recuar e iniciarem os trabalhos do carro de 2020.
É completamente possível que as mudanças no SF90 tenham sido para companhar a Mercedes e a equipe se desgastou, enquanto a Mercedes em si, já consciente das garantias que tinham, estavam já pensando por antecipação, entregando o simples apenas para terminar o ano. 
É óbvio que as Mercedes voltem a apresentar domínio em 2020, aproveitando-se (de novo!) do desgaste da oponente. Nessa de querer se aproximar da Mercedes e garantir que a Red Bull não colocasse um de seus pilotos na terceira colocação do campeonato, a Ferrari não terá fôlego para seguir a rival em pé de igualdade, especialmente no começo do ano quem vem.
Isso complicaria muito a nossa expectativa de competitividade, uma vez que eles estão mais perdidos que cachorrinho que caiu do caminhão da mudança.

Com isso, fica bem fácil para a mídia em geral divulgar que a Ferrari melhorou, que tem o melhor carro, um rendimento tal que lhe garante algumas vitórias, e que, um possível impasse e brigas internas entre seus pilotos refletiu resultados negativos, para exaltar as conquistas da Mercedes quando ela decide aparecer, como foi o caso, no GP japonês.
Do lado técnico, surgem as acusações sobre o motor ou aerodinâmica do carro. Como aconteceu, à um passo da 18ª etapa de 21. Tudo pois, ela teria um rendimento tal, que levantaram suspeitas de irregularidades. A Mercedes venceu 10 das 12 primeiras etapas, sendo 7 delas, com dobradinha.
Basta olhar as estatísticas e os pódios até aqui e perceber que ainda assim, a Mercedes deve ganhar todas as "somas" feitas. Não levanta suspeitas. É tudo muito bem feito. E pelos anos anteriores, tem uma nota preta rolando fácil para fazer carros perfeitos.

Risadas foram dadas quando a Mercedes alcançou o sexto título de construtores. O GP da Rússia foi chato. Já o GP japonês garantiu comentários ao nível de comparar resultados: se Bottas ganha uma corrida, já se sabe que ela foi desinteressante. 
Quero que me respondam, com toda a sinceridade de vocês: quais foram as corridas mais chatas do ano? Austrália? Barein, China, Azerbaijão? 
Espanha foi chatíssima? Com certeza, concordamos que também foi a corrida da França?
O GP da Grã Bretanha, talvez? E o da Hungria? Ambos bem mornos, não?
Da segunda metade da temporada, ainda podemos pedir opiniões: Rússia ou Japão? Qual foi mais "estragada"?

Na Austrália tivemos dobradinha da Mercedes. E olhem que inusitado!!! No Barein também.
Na China também.
No Azerbaijão e na Espanha, tam-bém!
Foram cinco corridas direto, com dobradinhas da Mercedes, sem pausa!
Na sequência, Mônaco, com todo um oba-oba e glamour de costume, não houve dobradinha, mas contou com os dois pilotos da equipe no pódio.

No Canadá, o que aconteceu foi um baita roubo. É isso que vai ficar registrado da etapa de 2019. Não foi alguma coisa comum de uma corrida. Não se destacou por ter muitas ultrapassagens ou estratégias inteligentes. Foi uma "garfada" e uma vitória caindo no colo do Hamilton. Canadá não foi nem mesmo propícia para quebrar as dobradinhas da Mercedes, pois logo no GP francês - outra corrida horrível de termos acompanhado - contou exatamente com a sexta dobradinha em oito corridas.
Apenas no GP francês é que ouvimos protestos sobre um ano difícil de engolir. Porém, a temporada estava enfadonha havia dias...

Áustria poderia té ser uma boa escolha sobre uma boa corrida. Mesmo assim, havia Mercedes no pódio, com o Bottas em terceiro. Na Grã Bretanha, tivemos a sétima dobradinha da Mercedes.

Numa tentativa de procurar algo que salvasse essas campanhas, pode-se cogitar a possibilidade de eleger o GP da Alemanha como melhor corrida até aqui.
Como não perder a cabeça a pensar que, é exatamente essa corrida que não vamos ter do calendário do ano que vem? Olhem, que mer...!
Para acabar, veio a chatinha Hungria, sem dobradinha, mas com Hamilton vencendo.

Empolgamos com Bélgica? Sim, mas tinha lá dois carros da Mercedes, além do Leclerc. A mesma coisa, acabou acontecendo na Itália. Cingapura foi outra que pode estar entre aquelas de salvação, além da Alemanha ou Áustria, mas não tem como "amar" de fato qualquer resultado daquele circuito demorado.

Voltamos a programação normal nas últimas corridas. Na Rússia, tivemos a oitava dobradinha da Mercedes. A vitória do Bottas no Japão, com Hamilton em terceiro trouxe uma sutil chiadeira. Mas ainda muito pouco. O campeonato de construtores foi ganho faltando ainda México, EUA, Brasil e Abu Dhabi.

No próximo fim de semana, Hamilton se sagrará campeão com combinações muito fáceis:
► Deve vencer e marcar a volta rápida, com Bottas abaixo do terceiro lugar;
► Vencendo, sem volta rápida, Bottas não pode ser nem P2, nem P3 ou P4;
► Sendo o segundo, Bottas precisaria estar pelo menos, na oitava colocação;
► Em terceiro, Hamilton precisaria da volta rápida e Bottas, ser o nono colocado. Sem volta rápida, Bottas tem que marcar apenas 1 ponto, de décimo colocado, para que Hamilton possa comemorar seu sexto título (com motor Mercedes) regado à muita tequila;
► Em quarto, mesmo que Bottas não marque pontos, Hamilton levaria o título para ser decidido nos EUA. Se Bottas abandonar, Hamilton precisa pelo menos, fazer a terceira colocação, para que México seja "a casa" do título.
Me diz aí, se não está ridiculamente fácil para a Mercedes?
Inclusive a vida do Bottas está bem boa, imaginando que depois do feito no GP japonês, a Mercedes sabe bem como conduzir as estratégias para as próximas corridas e garantir seu vice campeonato.

Enquanto se discutia a vida particular de pilotos, rádios estrategicamente divulgados, fotos e vídeos com olhares de fúria, recortes de indiretas maquiadas pela imprensa, tudo isso, feito com tanto ímpeto que parece estar ajudando (forçosamente, como no ano anterior) a produzir roteiro/pauta para a montagem da série de documentários da Netflix, sendo que o que realmente deveria ser o mais lógico na roda da conversa, ficou ali, praticamente jogado no canto, à esmo: a hegemonia da Mercedes - que teima em durar contando com a ajuda marota da incompetência das rivais, a incapacidade de gerir carro-piloto-equipe na Ferrari, as péssimas escolhas da Red Bull, as injustiças de pilotos ruins de verdade terem vagas enquanto outros são obrigados a se humilharem por alguma migalha das sobras, entre outros. Capaz até que essas coisas tenham ido com o tufão Hagibis antes mesmo dele aparecer como ameaça no fim de semana passado.
Gasta-se um tempão com uma parcela de coisas que "envolvem" a F1 que, o que realmente importa e o que significa algo, são de interesse da "comunidade" do tamanho equivalente à salário de professor de escola pública:


Entramos no jogo da Liberty. A Netflix já contribuiu valorizando um drama danado: rivalidades, batidas, pilotos com os nervos à flor da pele. Emoção que não acabou mais para quem viu "Drive To Survive". A cada episódio eu franzia a testa a pensar "aconteceu assim?"
Imaginem a temporada 2 dessa série... Capaz que vão encontrar muitos meios para dizerem que houve muita, mas muita competitividade.

Moldados como se fosse um roteiro de filme, com corridas que tem, cada dia mais, resultados manipulados, seja por decisões de comissários que cortam aspectos mínimos de competição situacionais, seja por desobediências dos pilotos mediante os mandos de seus chefes ou mesmo estratégias arquitetadas e já colocadas em prática em classificações ou largadas previamente, entramos sim no jogo da Liberty. 
Um aspecto que ela queria de trazer era o exemplo da NFL para transformar a F1, e o que ela trouxe de lá foi só a propaganda que a liga de futebol americano também fatura. Não foi buscar ter o equilíbrio entre as equipes, o teto orçamentário e todo aquela possibilidade de fazer uma equipe fraca, ressurgir após temporadas totalmente desestruturadas. O que a Liberty fez o "crtl c + crtl v" no show, no espetáculo que atrai os fãs novos, que não pestanejam em fazer bancada crítica nas redes, com mesquinharias. Esse novo público além de incapazes de demostrar discernimento das ações, pegam uma F1 apoteótica. Mas eles não deixam nunca de ser voláteis, sazonais. Permanecem ainda enquanto os agrada, e quando ainda está em alta.  
Já comentei aqui e vocês sabem tão o melhor que eu: a quantidade de perfis de Twitter que fazem memes sobre a F1. Fãs "oldschool" da categoria que vez ou outra faziam as suas piadinhas, competem acirradamente com outros, e podem estar perdendo espaço para os novos "zueiros" de plantão. Ainda mais grave, são os perfis femininos*  que falam dos pilotos num tom de dar inveja ao Leão Lobo ou Nelson Rubens. (*Toda generalização é burra, mas costumeiramente deparo com comentários de muito baixo nível nestes perfis.)
Aos fãs não novatos, "velhos de guerra" percebemos desconforto, rompantes ranzinzas e muita impaciência nessa "nova fase" da categoria.
Sigo dizendo, sem medo de errar: a F1 segue sendo uma grande novela. E as novelas não ficam na sessão de esportes.

E vocês, o que acham?

Abraços afáveis!

terça-feira, 15 de outubro de 2019

F1 2019: "Nada de novo, só a Ferrari sendo Ferrari"

O segundo texto da semana é mais um da Carol, dessa vez adentrando no gosto pessoal dela. Confiram a sua reflexão sobre os rumos tomados pela Ferrari, em destaque, nas últimas corridas.
Vamos? Já aviso que está demais! ;)

Nada de novo, só a Ferrari sendo Ferrari - Por Caroline Monteiro

Na semana passada, eu estava fazendo as contas de há quanto tempo assisto F1, que sou fã de Kimi Räikkönen e Sebastian Vettel. Quando comecei a assistir a categoria, há 16 anos, eu torcia para Ferrari, amava tudo aquilo que ela representa e a paixão que envolve. Mas em 2009, por motivos óbvios, "cortei" relações. Só que o mundo dá voltas e pouco depois Kimi e Seb estavam lá. Ou seja, os pilotos que eu torci sempre correram pela Ferrari nesses 16 anos, exceto por quatro temporadas, 2010 a 2013. Mundo irônico! 

Confesso, que apesar de tudo, ainda sou apaixonada pela Scuderia. Minha relação é muito forte, principalmente com a Itália. Não é algo racional, eu amo por amar e acabou. Além disso, parece que eu não consigo ficar longe de um sofrimento italiano. Minhas opções em outros esportes comprovam isso. Acho que sou louca! Bom, mas por que falei sobre tudo isso? Simples, são 12 anos acreditando que a Ferrari vai vir bem, vai acertar o carro, fará boas estratégias, saberá gerir a dupla de pilotos, mas no fim é tudo ilusão. Com exceção dos anos de 2003, 2004 e 2007, o resto é só vergonha.

A reação da Ferrari pós-férias parecia algo incrível. Duas poles e vitórias do Charles Leclerc. Toda a loucura de vencer em Monza, os tifosi. Só que neste momento também surgiram os "contratempos". Charles não fez o combinado e Seb teve uma corrida para esquecer. Singapura não era a melhor pista para eles, mas, né? Já que a situação estava boa, o que custava tentar? Porém, estamos falando da Ferrari. Charles pole, vitória do Seb, rádios e mais rádios, insatisfação, clima ruim na equipe. A vitória foi essencial para o alemão, ele precisava disso para recuperar a confiança ou seja lá qual fosse o problema dele. 

Binotto não tem noção de como gerir a dupla de pilotos e tenta demonstrar que está tudo sob controle, quando, na verdade, parece desmoronar. A F1 chegou a Rússia e o que aconteceu? Parabéns para a Ferrari! Com Charles na pole e Seb em terceiro, resolveu fazer joguinhos e tocar mais lenha na fogueira. Se não sabe elaborar boas estratégias, muito menos tente fazer joguinhos. No fim, o que era para ser uma dobradinha italiana, foi entregue a Mercedes como um presente. Foi aí que, na teoria, as coisas azedaram na equipe italiana. 

Me simpatizo bastante com Leclerc, mas antes sou fã do Vettel. Apesar disso, não sou tapada ao ponto de defender ele nessa situação. Foi errado e ele admitiu. Porém, antes de o Seb estar errado, a Ferrari foi quem provocou isso. De onde tiraram aquela ideia idiota da largada? Uma vergonha uma equipe como ela apresentar esse papel, mas nenhuma novidade, não é mesmo?. Os dois são pilotos, não são? Estão na Ferrari porque tem talento, não estão? Então, que deixem eles pilotarem. Não era para Charles ter cedido a posição, ele foi o mais rápido na classificação e mereceu estar a frente. Quer passar? Passa por méritos próprios. A mesma coisa o contrário. Quer passar, Leclerc? Vai e mostra para o que veio. Porque essa situação só beneficia a Mercedes, faz Charles parecer um novato chorão e Seb o piloto que só ganha por causa de jogo de equipe.

A Ferrari tem um dilema bem complexo. De um lado ela tem um tetracampeão e, do outro, o que chamam de "il predestinato". E agora, como resolver isso? Apostar em um e queimar o outro? Leclerc vinha melhor que Vettel, mas o alemão é o número 1, pela menos na teoria. Depois de Singapura e Rússia, Binotto mostrou que não tem experiência suficiente para gerir a disputa entre seus dois pilotos e que, sob pressão, continua cometendo erros graves. 

Mas, ao contrário, do que se comentou entre o intervalo dos GPs da Rússia e Japão, de que a situação na Ferrari estava insuportável, os pilotos já não podiam se ver, eles pareceram bem amigáveis. Na verdade, até um pouco estranho. Não por estarem se dando bem, mas depois de largar na primeira fila e terminarem em segundo e sexto (antes da punição), por que rir tanto? Suspeito!

Os erros cometidos pela Ferrari nas últimas corridas podem sim influenciar a relação entre Seb e Charles, mas nada que aparentemente vá acabar em "pancadaria". Isso, claro, se os joguinhos não continuarem entregando a vitória para os rivais. Seb é o presente da Ferrari e Charles o futuro. O que a equipe vai escolher? Focar no presente e queimar o futuro? Focar no futuro e queimar o presente? Focar em ambos? Ou queimar ambos, como vem fazendo?

Sobre os próximos GPs? Bom, como nos últimos 12 anos, vou deixar a Ferrari me iludir com uma boa classificação e sofrer na corrida com estratégias ridículas. Nada de novo! Se vencer, excelente, vou comemorar muito. Caso contrário, já estou acostumada. Fiquem quietos nos boxes e "let them race"!

***

Eis um resumo pragmático dos últimos momentos da Ferrari. Especialmente pois, depois de Cingapura e Rússia, muito se falou sobre a conduta adotada pelos dois atuais pilotos da equipe, e pouco ou quase nada à respeito dos oportunistas da Mercedes. 
A Ferrari ainda representa um poder muito grande de interesse na F1 e nós, enquanto fãs da categoria, ao vermos a equipe agir como tem agido a tanto tempo como se fosse um bando de novatos, gera um sentimento desconfortável. E esse sentimento é ainda potencializado porque quem nutre torcida e paixão pelo time. 
No geral, apesar de se criticar a equipe, o que se lê e ouve por aí ainda é pouco, pois o que mais fere e o que mais se dedica esforços são para comentários negativos feitos aos pilotos; são eles as figuras mais expostas quando os erros patéticos da Scuderia brotam nas classificações ou nas corridas - quando é ainda mais grave.

Obrigada Carol por mais esse texto e saiba que o espaço está abertíssimo sempre que quiser! Foi uma honra ter a sua participação!

Mais para o fim da semana, prometo fazer um pequeno texto para fecharmos essa etapa e já pensamos no próximo, GP do México - aquele em que pode ser a conclusão da temporada 2019. 

Abraços afáveis!

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 17: GP do Japão

Depois de uma pausa (infelizmente por muitos afazeres) acabei não aparecendo aqui para fazer comentários prévios sobre o GP do Japão, a etapa mais cacofônica do calendário da F1 (falem em voz alta "GP do Japão" e entenderão o que eu quero dizer com isso, rsrsrsrs...).

Assim como nos últimos eventos da nossa amanda novelinha, eu convidei uma grande amiga, jornalista, para escrever sobre o GP no circuito de Suzuka. Os pontos de vista mais diversos, terão espaço no blog, como forma de divulgação e um toque democrático. 
Novamente, com a terceira participação, eu me senti muito feliz por poder contar com mais um excelente texto para publicar aqui. Não é porque é minha amiga não, mas, fiquei empolgadíssima! Espero que todos gostem da contribuição da Carol como eu gostei!

***

Mais uma ilusão e título para a Mercedes - por Caroline Monteiro

Que semana estranha! O centro das atenções para o GP do Japão de 2019 foi o Tufão Hagibis. Vai atrapalhar ou não? Vai ter classificação no sábado ou não? Vai ter corrida ou não? Provavelmente, fazia um bom tempo que os fãs de F1 não ficavam tão interessados em meteorologia. Suzuka não é um circuito que traz boas lembranças quando se fala de chuva e segurança, já que é impossível esquecer o acidente do Jules Bianchi, em 2014.

A indecisão em cancelar as atividades de sábado, dia previsto para a tempestade passar por Suzuka, começou a ser questionada. Por fim, foi decidido que seriam realizados os treinos de sexta-feira e o treino classificatório no domingo, antes da corrida. Na região onde fica o circuito, as consequências do tufão não foram tão graves como apontavam as previsões, mas foi a melhor decisão a ser tomada. Essa experiência despertou em alguns pilotos o interesse por finais de semanas mais curtos, com atividades em apenas dois dias. Nós, fãs, teríamos um dia a menos para apreciar o esporte, mas para quem trabalha na categoria, poderia ser um descanso extra, principalmente com o calendário maior no próximo ano.

Hagibis passou e o domingo chegou com um céu limpo e sol. Como diz o ditado, “depois da tempestade vem a bonança”. Valtteri Bottas dominou os treinos livres, mas Sebastian Vettel e Charles Leclerc surpreenderam e ficaram com a primeira fila. Outros destaques da classificação foram Alexander Albon (6º), Carlos Sainz (7º) e Lando Norris (8º). Kevin Magnussen e Robert Kubica tiveram incidentes no mínimo estranhos e as equipes correram contra o tempo para participarem da corrida.  

Porém, a felicidade para a Ferrari durou pouco. Com a péssima largada dos pilotos da equipe italiana, Bottas assumiu a liderança, enquanto Leclerc e Max Verstappen se chocaram. O holandês reclamou no rádio pedindo punição ao rival, que veio só após o fim da corrida, 5 segundos por causar o incidente e 10 por continuar na pista com a asa danificada. Verstappen acabou abandonando nas voltas seguintes. Depois da prova, o monegasco assumiu a culpa pelo incidente.

“Ah, a FIA sempre defende a Ferrari!”, isso não é de hoje, assim como ela vem defendendo a Mercedes nos últimos anos. É certo? Não, mas não sou eu que tenho poder para mudar isso. Sabe-se que Leclerc e Verstappen foram rivais no kart, então, a disputa é bem mais antiga do que parece. Porém, o piloto holandês deveria observar sua trajetória na F1 antes de dizer que o piloto da Ferrari apresentou uma pilotagem irresponsável. Verstappen é um dos atuais pilotos do grid que menos pode falar isso. Ele está criticando Leclerc, mas quando ele comete erros parecidos os comissários que são muito cautelosos, que não deixam eles pilotarem. Engraçado como as coisas mudam, né?

Outra discussão foi sobre a queima de largada do Vettel. Outra vez “A FIA trabalha para a Ferrari”. Primeiro, ele queimou sim. Segundo, os comissários são humanos, não são os mesmos em todos os GPs e cada um pensa de uma forma, ou seja, há brecha para diversas interpretações. É nas falhas do regulamento que as equipes se aproveitam, então, arrumem o regulamento. Para felicidade de Ferrari e do Vettel, os comissários não o puniram, alegando que ele se manteve da tolerância aceitável.

Como fã, digo que ele só se prejudicou com esse erro. Toda a expectativa de mais uma vitória ferrarista foi por água abaixo com a largada ridícula dos dois pilotos. Da parte do Vettel sabemos o erro, mas não vi câmera onboard do Leclerc e ele também não falou especificamente sobre o tema. Além disso, o que mais me deixa intrigada é como os pilotos que largaram na primeira fila, ficam sorrindo alegremente ao chegarem em 2º e 6º (antes da punição)? Coisas estranhas desse GP do Japão.

Apesar da lambança na largada, Vettel se manteve entre os primeiros durante toda a corrida. Mesmo com as más escolhas de pneus, o alemão conseguiu segurar a pressão de Hamilton nas últimas voltas e terminou em 2º. Enquanto isso, Leclerc precisou parar logo no início para trocar a asa dianteira quebrada, aproveitando para já fazer a primeira troca de pneus. Falando nas consequências do toque com Verstappen, uma parte da asa ainda se soltou e quebrou o retrovisor de Lewis Hamilton.

Após a corrida, a FIA divulgou um vídeo em que o piloto da Ferrari está com uma mão no volante e com a outra segurando o retrovisor esquerdo. Como dizem, não há nada tão ruim, que não possa piorar. Pode ser que o monegasco tivesse conquistado um resultado melhor, mas a Ferrari foi Ferrari e errou nas estratégias. Principalmente, na última parada nos boxes. Leclerc não conseguiu fazer a volta mais rápida e ainda perdeu segundos que possivelmente teriam mantido a sexta posição após a punição.

Assim, como no treino classificatório, Sainz e Albon apresentaram excelentes desempenhos. O piloto da Red Bull teve um enrosco com Norris logo no início, mas conseguiu fazer uma corrida consistente e alcançou o seu melhor resultado na temporada, com o 4º lugar. Sainz se manteve forte e mostrou que vem evoluindo a cada corrida, terminando logo atrás de Albon. Quem surpreendeu no Japão também foi a Renault, que conseguiu se recuperar depois de uma classificação ruim. Ricciardo fez lindas ultrapassagens e terminou em 7º, mas com a punição de Leclerc acabou indo para 6º. Já Nico Hulkenberg, que ainda segue com o futuro indefinido, completou o Top 10. O “meio do pelotão” está competitivo e trazendo bastante emoção, que é o que nós, fãs do esporte, queremos.

E no dia que tudo apontava para uma festa italiana, quem comemorou foi a Mercedes, ao conquistar seu sexto título seguido no Mundial de Construtores. Mas nem tudo foi um mar de rosas. Se a Ferrari protagonizou os rádios na Rússia, agora foi a vez da Mercedes. Sabemos que sempre que Bottas está na frente, James aparece no rádio para uma conversinha. A princípio, Hamilton faria uma parada e o finlandês duas. Porém, a equipe mudou de ideia.

Quando ouvi o rádio do Bottas informando que o companheiro faria uma parada a mais, imaginei que era o tradicional blefe da equipe e que estavam só fazendo o piloto de bobo mais uma vez. Só que a Mercedes se superou e surpreendeu a todos. Chamaram Hamilton para uma segunda parada, mesmo com pneus em bom estado, com objetivo de devolver a posição ao Bottas. O diferente desta vez foi que o “James” apareceu para o primeiro piloto, que ficou irritado no rádio e chorou como o de sempre. Não é legal quando James aparece, não é?

A próxima corrida será o GP do México, daqui duas semanas, onde Hamilton pode confirmar seu título, sagrando-se hexacampeão. Faltando um pouco mais de um mês para o fim da temporada, as equipes já pensam para 2020. O drama fica por conta da Williams que, além dos maus resultados, enfrenta problemas com peças para os carros. A Ferrari continuará forte? Sendo realista, a pergunta a se fazer é: a Ferrari vai parar de errar nas estratégias contribuindo com o sucesso da rival?


***
Obrigada Carol, pelos textos. Ficaram magníficos! Já aproveito para incentivar ainda mais que monte um espaço só seu para escrever, já que você comentou neste fim de semana sobre esse desejo. Eu gosto muito de escrever - aqui mesmo, tenho escrito textos gigantescos... E a gente se sente bem compartilhando algumas ideias. E você, como jornalista, deve pensar e produzir muita coisa e então já aviso: Apoio muito que tenha um espaço seu para colocar a profissão em prática e tenho certeza que muita gente irá apoiar da mesma forma! 

Aos leitores, não estão enganados que eu tenha escrito um agradecimento à Carol "pelos textos". Sim, ela me enviou dois: um comentando Suzuka e outro sobre esse desconforto na Ferrari - já que bem sei ela é fã da equipe (e de esportistas italianos). Conversamos depois do GP da Rússia (e dessa conversa até montamos um grupo com nossa amada Yasmin, que está um passatempo divertidíssimo!) e chegamos num acordo - bem mais efetivo que os da Ferrari (risos) - sobre a contribuição dela, aqui no blog. 
O segundo texto dela será publicado amanhã, pela manhã, e está igualmente legal ao de hoje. 

Quanto aos meus comentários sobre o GP japonês, eles devem ser poucos, em vista que muito já foi comentado pela Carol. Mas é certo que até sexta-feira, algo em torno do fim de semana por lá, estará disponível para a leitura, por aqui. ;)

Abraços afáveis!

sexta-feira, 4 de outubro de 2019

F1 2019: Notas da Rússia

O mais recente post, com o texto do Paulo, foi preciso. É é a partir do comentado no texto dele, que comecei a pensar no meu. 
Conversei com outras pessoas, sobre o GP da Rússia. Troquei ideias com elas. Ouvi e li muita coisa que concordei. Foram poucas opiniões das quais discordei com veemência. Estas foram logo descartadas, pois as fontes nem deveriam ter sido levadas em conta. 
A cabeça trabalhou bastante, nos poucos momentos de ócio, posso garantir. Mas isso não quer dizer que eu possa fazer um texto tão contundente quanto o do Paulo.
Peço já paciência dos leitores; pode ser que hoje, vocês encontrem um texto confuso, pois é assim que me sinto.
Começamos pelas situações mais confortáveis, esperando que isso talvez, ajude na compreensão geral de alguns pontos.

► O circuito russo é realmente um dos mais descartáveis da temporada. Não me lembro de uma corrida no circuito de Sochi que tivesse garantido algum tipo de emoção em termos de competição. Do último fim de semana, tudo que acabou sendo assunto entre comentaristas, jornalistas e palpiteiros voltou-se à uma das dez equipes do grid, em especial, os seus dois pilotos. Nenhum deles obteve a vitória e assim só se falou deles. 

► A Ferrari é - na incapacidade de procurar um termo melhor - uma equipe "maldita". Mesmo não disputando mais o campeonato, passou um mel na nossa boca e, de repente, quando já estávamos bem confortáveis com a situação, quase esquecendo que todas aquelas vitórias interferiam pouco no campeonato, criaram uma expectativa monstro. Chegaram na Rússia prometendo mais "doçura". Em segundos - como é bem comum quando se fala deles - os planos deram errado. Não teve mel, não sobrou sequer o favo. A Ferrari voltou a ser aquela equipe de incompetentes e gerentes tapados. Mesmo assim, roubaram nossa atenção por situações problemáticas entre os seus pilotos, e os culpados, são eles mesmos. 

► Como se bem vê, a Ferrari não sabe aproveitar as oportunidades que tem e os elementos que poderiam ajudá-la a ser pelo menos, forte novamente.
A má gerência, a aparente falta de comunicação gerou um bafafá que chegou a proporções até absurdas, especialmente nas redes sociais, catalizadas por fatores de diversas naturezas. Saímos do GP de Cingapura com um reforço: cravaram uma rivalidade entre Sebastian Vettel e Charles Leclerc que, até poucos minutos antes da largada na Rússia parecia natural e com poucas farpas, apesar do que foi divulgado pela mídia das falas de um ou de outro.

As questões ainda não foram bem colocadas: no retorno das férias, Leclerc foi o melhor na Bélgica. Contou com assistência de Vettel para segurar Hamilton na corrida e possibilitar a tão esperada primeira vitória.
Em seguida, na casa da Ferrari optaram ter equilíbrio entre os seus. Priorizaram Leclerc na classificação - este deveria ter o primeiro vácuo e Vettel o segundo. O monegasco não seguiu com o mandado, justificando ter sido atrapalhado por outros que não queriam abrir a volta. Ficou com a pole, teve de dar explicações, mas ganhou o GP italiano sendo perdoado pela equipe, caído de vez no gosto dos "tifosi".
A conquista foi bem feita, mas imaginar que Vettel gostou disso, é muita inocência.

O episódio de Cingapura, vocês já sabem. Está recente e fresco na memória. Dessa vez foi Leclerc que se sentiu incomodado com os comandos sugeridos.
No geral, defendeu-se muito bem a postura de Leclerc. A maioria de nós compreendemos as suas reclamações sobre o tal "undercut" no GP anterior. Exaltamos o seu talento - como deveria ser - e reforçamos que tem espírito de campeão.
Eu adoro o garoto, mas destaquei (como fiz neste post aqui) que ele deveria mostrar um pouco mais de diplomacia - nem que fosse aquela feita apenas nos microfones. 
Falsidade? Bem, faz parte do jogo. É um fator que é ruim, mas reina em muitos segmentos. Muita gente já se beneficiou dela. Há quem diga, inclusive, que não se vence na vida sem uma boa dose de falsidade usada em momentos cruciais. 
Mas nem parecia o caso. Apenas um rompante de estar sendo vítima de uma injustiça. Normal.

O saldo positivo foi modesto se pensarmos no que foi comentado a respeito de Vettel. As manchetes davam conta de uma ideia pouco condizente com a realidade da corrida em Cingapura. Para a maioria delas, Vettel havia se beneficiado da estratégia da equipe que - entre eles - privilegiava o alemão. 
Anularam completamente a sua velocidade durante o específico momento e no restante da corrida. Torcem tão contra que, se mencionaram isso, não foi dada a devida importância. É como se realmente, boa parte desse de ombros e desejassem a humilhação.

Entendam a minha birra com as manchetes: vivemos em uma sociedade que deturpa tudo que lê, quando lê. Quem se diz muito entendedor da certas coisas, já me trás desconfiança. Mesmo comprovada a "inteligência destes, podem apresentar problemas de interpretação de texto. Ninguém está livre disso.
Existem ainda os leitores interesseiros: só destacam o que convém, o que casa com a sua opinião e/ou o que pode gerar polêmica. 
A mídia então, se vale de tudo isso para espalhar suas meias verdades.

► No post comentado por mim sobre o GP de Cingapura acabei sendo a apaziguadora. Refleti que a Ferrari deveria organizar-se rapidamente: Vettel parecia ter se encontrado com o carro. Não poderiam anular isso. Por outro lado, Leclerc é o futuro da equipe. 
Aceitar que Vettel tinha feito um bom trabalho e mostrar isso à Charles parecia possível, como uma forma de amenizar os ânimos. Garantir a confortabilidade e confiança do Leclerc, ao mesmo tempo, também era imprescindível. No somatório, é o único que ainda poderia desestabilizar totalmente a Mercedes, já começando pela retirada do terceiro lugar de Max Verstappen. Eu via essas ações como fáceis. Leclerc parece uma pessoa ótima e Vettel é um cara muito legal. Achei possível - e talvez fui inocente demais - em acreditar nos meios termos. Esqueci completamente, ou melhor, errei em um ponto crucial: considerei a Ferrari uma equipe capaz de fazer isso. A Ferrari não é estreante no meio da F1. Mas é a Ferrari, uma equipe que, desde a saída de Ross Brawn e Jean Todt, oferece muita trapalhada de bandeja para adversários. 

Além disso - e tomando emprestado o que foi bem citado pelo Paulo no texto passado - Vettel possui quatro títulos na F1 e cinco anos de Ferrari. Leclerc, na F1, tem um ano de Sauber/Alfa Romeo e apenas alguns pontos altos no seu primeiro ano na Scuderia: 6 poles, 2 vitórias, 2 segundos e 5 terceiros.
O fato de Leclerc estar muito melhor ajustado ao perfil do carro e da equipe, não justifica os pedidos de privilégios. Vettel, mesmo com quatro títulos, toda vez que abriu o rádio para pedir passagem para Kimi, houveram protestos dos fãs do automobilismo. 
Leclerc é bom, mas precisa criar uma outra estratégia para exigir tais privilégios. Uma delas - penso eu - é mostrando-se amistoso com Vettel e trabalhando com junto com a equipe com todo afinco possível, sendo o famoso puxa-saco que a equipe tanto gosta.

Se engana se não vivemos tempos bem fúteis no que se reconhece como "veículos de informação" na web. Desde o começo da segunda metade da temporada, rola uma fofoquinha de que o monegasco teria terminado seu relacionamento de adolescência. Como fofoca é como a "zueira" - não tem limites nem bom senso - as coisas que soube pela "boca pequena" das redes sociais, dá até uma novela.
A notícia chegou aqui, com um certo "atraso" na mídia especializada, mas com um toque de justificativa: ele teria rompido o relacionamento para se dedicar à Ferrari. Por coincidência foram 4 poles seguidas, duas vitórias e quatro pódios desde que ele rompeu as relações com a moça.
Mais uma vez, a mídia se mostra inconfiável. Trazer uma notícia dessas é coisa de revista Capricho. A gente dá risada, mas expõe os envolvidos (a moça e Leclerc) e insulta nossa inteligência. Que diabos é isso?!? 

► No GP russo, a coisa ficou "russa"... A ideia da Ferrari era boa. Boa não, excelente! Na largada, Vettel deveria passar Hamilton. Leclerc cederia a posição para que houvesse a possibilidade de P1 e P2 na corrida, sendo que, mais tarde haveria a troca de posições entre eles, amenizando o resultado de Cingapura, onde Vettel acabou vencendo e Leclerc não teria ficado feliz em segundo. 
Esse era o acordo: equilibrar funções na equipe.
O que a Ferrari se esqueceu de novo, é do potencial de Vettel e que este já vinha acumulando rancor desde Spa. 
Até vejo razão para os protestos de Charles. As estratégias da Ferrari até quando não programadas, nunca são 100% perfeitas para todos. Se valeram do "foi sem querer, querendo" e ele, não engoliu o "undercut". Foi então aí que eu entendi porque Gerard Berger disse que ele tinha instinto assassino.
Por outro lado, não acreditei que a Ferrari se importasse mais com Vettel do que com Leclerc. 

Charles perguntou quando haveria a troca e começaram a troca de rádios. Não foi necessariamente "um choro". Apenas um pedido de honra pelo combinado.
Vettel não acreditou que estava em primeiro só pelo benefício do vácuo deixado, mas porque tinha feito uma boa largada. Ele já havia engolido muita coisa neste ano. Canadá foi o primeiro sapo que engoliu e essa está na conta da FIA. O segundo sapo, veio na Bélgica, por parte da Ferrari. Querer que o cara fique tranquilo quando recebe mais dardos com veneno do que spray de champanhe na cara é querer uma ter uma barata no cockpit e não um piloto.
Num dos rádios da Ferrari para Vettel disseram (mentiram mesmo) que Leclerc estava mais rápido, tentando de qualquer jeito fazer acontecer a troca. Vettel, bobo nem nada, pode sim ter dado uma de desentendido. Com 4 títulos nas costas, ele sabe que tudo muda em uma questão de segundos na F1. Manter-se com várias voltas rápidas faria com que a equipe desistisse de fazer a troca de posições. Ele seria "perdoado", assim que houvesse a bandeirada.
A intenção da equipe para mim era clara: ao perceberem que Vettel não ia parar e entregar a posição, deveriam ter pensado em outra estratégia se de fato, queriam Leclerc na frente. Preferiram fazer tudo nos boxes. Pensaram pequeno: teriam 25 e 18 pontos somados de qualquer jeito. Não se importavam com Vettel nesse momento, só se importavam com o somatório: fazer a dobradinha e deixar para trás Mercedes e se fosse o caso, a Red Bull. Só que não se preocupar com as vontades de cada um de seus pilotos poderia plantar mais sementes do já problemas de relacionamentos.

Na Rússia a história poderia ter sido outra. Garantida a confiança de Vettel, poderiam trabalhar nas estratégias de piloto 1 e piloto 2. Sebastian acabou abrindo 4 segundos do companheiro que, ao perceber a desvantagem, solicitou que o combinado fosse colocado em prática. O combinado era a troca de posições. Binotto não deixou isso às claras, não explicou as prioridades da equipe, sequer abriu o rádio para mandar o Vettel fazer logo o que estava sendo solicitado. Toto Wolff não negociaria com o Bottas dessa forma tão frouxa. 
Vettel, ao ser avisado que tinha que abrir para Leclerc, pediu que este se aproximasse. 
Malandragem do alemão? Talvez. Se fosse o contrário, haveria uma multidão dando gargalhadas e xingando Vettel pela sua incompetência em ultrapassar sozinho. 
Houve oportunismo dele? Houve. Mas foi bom, pois deixou às claras que a Scuderia tem planos, mas não tem liderança para colocá-los em prática.
Quem diria que eu escreveria isso, mas: saudades do Arrivabene...
Quem lucra com essa pataquada? A Mercedes. 

Bons nomes de amigos virtuais fizeram o que queriam nas redes. Chamar Vettel de "anta" foi o mais ameno que li e numa mensagem direta para mim. A qualquer custo, a maioria queria que Vettel parasse o carro para que Charles se aproximasse.
À essa altura, brotou de outros tuítes comentários como uma palavra e um número. Já imaginam qual era? Sim, o "Multi 21". O tal "código" foi mencionado até por jornalistas gabaritados. 
Eu ri de nervosa. É bom demais quando a gente vasculha a memória para achar um ponto que deponha contra um piloto que não gostamos, mas se faz de esquecido quando se precisa do evento certo para defendê-lo.
Mais uma vez, se usa apenas aquilo que convém para reforçar o que se acha.

Do lado de cá, eu tinha uma certeza: não havia mais como negar, a Ferrari tem dois primeiros pilotos - um pela experiência e o outro pela promessa. A história mostra que ter dois fortes na mesma equipe, é como ter uma bomba relógio ligada. Binotto já sabia declarou saber disso, mesmo assim, não age em conforme a experiência. O que pareceu fazer é equilibrar e não tomar partido. Mas nenhum dos dois são pilotos cordeirinhos para ficar que nem bobos da corte.  

► Avisado que Vettel estava mais rápido, Leclerc soube que o acordo seria honrado nos pitstops. Isso ocorreu e houve quem tivesse o bom senso de pedir então que Leclerc não "chorasse" mais. Não estava incomodando tanto. Só achava que seus protestos traria uma onda negativa que nem ele, nenm ninguém merece.
Como tudo muda em poucos segundos, o rádio de Vettel pedia que ele parasse o carro imediatamente. Xingando, ele estacionou e saiu do carro, com uma luz vermelha no canto direito do carro piscando, em vermelho. 
A situação acionou um Safety Car virtual que não só comprometia a corrida de Leclerc como faria com que ele perdesse até mesmo o segundo lugar. E foi isso que aconteceu.

Ser escudeiro é coisa de piloto capacho, como Valtteri Bottas. Durante a semana ele dizia querer vencer no GP russo já que precisou dar passagem para Hamilton e queria acertar contas. 
Não fez menção nenhuma de que fosse atacar o companheiro. Segurou Leclerc. 
Charles prejudicado por uma bobeira da Ferrari, não teve nenhum jeito de se aproximar de Bottas.
Os fãs do monegasco começaram a brigar com (os poucos que restaram) fãs do Vettel. Esses últimos queriam que Leclerc passasse (o anulado) Bottas. Sabiam que não era possível e provocaram questionando a habilidade do garoto. Os fãs de Charles (em sua maioria, moças empolgadas com a beleza do piloto) abriram fogo. Houve algumas que postaram ofensas e assumiram odiar os fãs do Vettel. 
Rapidamente, já surgiu a referência à Guerra Civil: De um lado, os justiceiros do Iron Man e do outro, os defensores do Capitão América.

Foi aí que a bizarrice total entrou na tela e não era nenhum homem mutante sob efeito de radiação que fizesse ficar forte e verde quando nervoso ou um carinha que soltasse teia de aranha pelos pulsos: surgiu (não sei de onde, exatamente) a teoria de que Vettel teria feito a parada proposital para dar a vitória ao Hamilton e ferrar com a corrida do Leclerc. Como se fosse uma criança mimada, sugeriram que ele teria feito algo para que fosse obrigado a abandonar a corrida e estacionado o carro numa área imprópria só porque não poderia mais ser o primeiro piloto da Ferrari.
O vídeo de Vettel batendo os pés de raiva pelo abandono e a fala dele no rádio ("voltem com o V12") foi ignorado. A luz vermelha e também o aviso de "pare o carro imediatamente" foi também esquecido.
O carro de Sebastian teve uma falha de MGU-H, uma fuga de energia. Depois da corrida foi informado que ele tinha que parar imediatamente pois corria o risco de ser eletrocutado. Isso explicava também porque ele saiu do carro saltando e pisando com os dois pés, simultaneamente, no chão.
É de achar bem macabro quem tenha usado as redes sociais e outros veículos de informação para dizer: "Era só um choquinho, não mataria ninguém! Custava ter levado o carro mais 900 metros?"

► Eis a minha grande confusão para concluir toda essa ideia. Não só anônimos, mas jornalistas contam histórias semelhantes à essa "teoria da conspiração". 
Logo que a corrida acabou, com dobradinha da Mercedes, registrando que se tem corrida chata, tem vitória de Hamilton e possivelmente um Bottas como P2, as manchetes usavam esses termos para as  suas "notícias":
-Vettel ignora ordens de equipe
- abandona/prejudica Leclerc
- e entrega vitória à Hamilton/ dobradinha da Mercedes

Somado à isso, as reações descontentes de Leclerc só colocou mais lenha na fogueira. 
Sim, a Ferrari ficou baratinada. Não sabem o que faz com seus grandes (mas diferentes) pilotos. Sofre com isso, mas está fazendo por merecer. Uma por terem acordado tarde demais no campeonato. Duas por não ter comunicado as coisas certas com os dois. A terceira certamente é a pior: por ter um dirigente pastel de vento.
A solução é simples: É preciso pulso firme. Os caras tem que entender. Devem apresentar o jeitinho: "my way or highway". Ter uma saco infinito de paciência com ambos, personagens fortes - que ainda assim merecem respeito, por diferentes motivos porque são diferentes profissionais - não vai acontecer.

Pensar por antecipação é algo que se aprende na faculdade de administração, suponho!? Então, porque na hora de combinar os fatores preponderantes para repetir uma dobradinha na Rússia, não foi dito aos seus pilotos que não precisavam expor planos nos rádios - a não ser que fossem blefes para deixar a Mercedes mudar os planos dela -, que se um fosse rápido demais, o outro deveria acompanhar o mesmo ritmo para poder exigir preferências de posições? Precisava deixar claro que, qualquer rixa entre eles é compreensível, mas que desde que se mantenha o respeito e saibam que existe outras coisas em jogo e não envolve o egos dos dois. Assim para qualquer outra coisa que pudesse surgir fora do controle deles, também deveria ser planejado. Fim de papo. 

Até aí, creio que muitos de nós concordamos. O que peço ajuda é no resto: as falas dos pilotos e os indícios mostrados por eles e por comentaristas, a partir do que foi dito. 
Logo que a corrida acabou, houve aquelas entrevistas e Leclerc revelou sua frustração com o terceiro lugar. No meio da frase ele disse ser uma pena não ter o "segundo carro".
O uso do termo "segundo carro" indicou que ele não era nem mesmo capaz de nomear Vettel.
E pode não ser absolutamente nada disso. Mas foi a interpretação que ficou.
É essa que vai para as notícias e está na manga dos comentaristas.
É essa que fez os fãs dele e do Seb, trocarem mais algumas ofensas.
É essa que faz eu, vocês, e mais uma galerinha ficar pensando e escrevendo textos como esse.

Infelizmente com essa novela toda (parece até que estão fazendo de propósito para a segunda temporada série da Netflix, para os documentaristas não ter que ficar dando uma valorizada nas histórias, forçando figuras de "vilões e mocinhos") a Mercedes acabou vencendo, com uma dobradinha ridiculamente fácil.
Pelos cálculos, Hamilton pode ser campeão por antecipação, no México, sem terem feito absolutamente nada de relevante desde o começo da segunda metade da temporada.

Valeu Ferrari, um dia destes vocês ainda irão me mandar para as sessões de terapia...



Comentários abertos. Abraços afáveis!

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Novelinha da F1 - Capítulo 16: GP da Rússia

Bom dia, meu povo! Espero que quando acessarem esse humilde blog, estejam todos bem.

Mais uma etapa da F1 se concluiu ontem, e mais uma vez trago um texto sobre o GP de participantes. Dessa vez, houve uma mudança de ordem nas participações. Quem eu havia convidado precisou de um tempo por motivos pessoais - por isso, deixo aqui meu recado: força! No que precisar, estamos aqui!!
Diante disso, no domingo mesmo, adiantei o convite ao Paulo, amigo virtual e redator do Continental Circus - blog dedicado à automobilismo que recomendo a leitura para quem ainda não conhece. 
Ele aceitou rapidamente e aqui publico, na íntegra, a "tradução" do que foi o GP da Rússia, de uma forma que eu - confusa como estou - não poderia ter feito melhor. 

***

UM PRIMEIRO PILOTO NUNCA SERÁ SEGUNDO - por Paulo Alexandre Teixeira

Não deveria ser eu a escrever sobre Sochi, mas calhou. Era para andar nestas bandas em Suzuka, uma pista que admiro e respeito, e do qual tenho histórias pessoais para contar. Mas como o interlocutor inicial não pode estar presente e ela me pediu para antecipar, cá estou, com todo o prazer.

Tenho idade para ter barbas brancas - as minhas são negras, por agora - mas sou do tempo em que ia pilotos serem queimados ainda vivos. Chassis de alumínio, motores potentes e que quebravam sempre que exageravam nas rotações. Tenho saudades desse tempo? Não. Sou raíz, mas acho que estes tempos são melhores. 

Dito isto, vamos ao que interessa: o circuito de Sochi existe porque as autoridades russas gastaram imenso dinheiro para receber os Jogos Olímpicos e querem que as infraestruturas sejam usadas para além desse evento. E ter o GP russo foi uma das estratégias. Gastam 25 ou 30 milhões de dólares, pediram ao Hermann Tilke para desenhar a pista e pronto: tudo funciona. Mas o preço a pagar é que o GP russo é dos mais inúteis do calendário. Quase ninguém gosta dela. E ainda por cima, ganham sempre os mesmos.

E este ano, as coisas foram diferentes. Não pelo vencedor - Lewis Hamilton, num 1-2 da Mercedes - não pela corrida - que foi entediante, apesar das duas aparições do Safety Car - mas por um momento que aconteceu na partida, onde o poleman, Charles Leclerc, deixou passar Sebastian Vettel, e depois se falou de deslealdade. E como sabemos disso? Pelas suas constantes comunicações para as boxes, queixando-se de que tinha faltado ao compromisso. 

Leclerc queria que Vettel cedesse o posto ainda na primeira volta, ou nas primeiras voltas. Ora, nessa altura, o alemão era o mais veloz na pista, com ar limpo e a bater as voltas mais rápidas, com pneus moles, que iriam durar menos tempos que os médios, calçados pelos Mercedes, e do qual iriam resistir mais tempo, logo, favoráveis aos Flechas de Prata. Se calhar, se tivesse sido mais claro, poderia haver motivo que queixa, mas a troca aconteceu depois da paragem nas boxes, tal qual como em Singapura... e lá, nem houve tanta tinta.

Mas não foi por causa da combinação que a Ferrari perdeu. Ironicamente, foi porque Vettel desistiu e causou a segunda entrada do Safety Car. Os Mercedes tinham os moles calçados e o monegasco tinha os médios, que depois trocou para os moles, ficando atrás de Valtteri Bottas, do qual, depois do Safety Car ter sido recolhido, andou atrás, sem o conseguir passar e assistindo Hamilton a distanciar-se, rumo à vitória.

Muitos podem dizer cobras e lagartos de Vettel, que não cumpre ordens de equipa, de ser desleal. Na realidade, desejavam que Vettel fosse Bottas, um empregado do mês, e não é. E imaginemos que Vettel cumpriria a ordem, cedesse o lugar e depois desistisse na mesma, com os Mercedes a vencerem com dobradinha. Que culpados iriam arranjar? O Mattia Binotto? O que os fãs querem secretamente é humilhar o Vettel.

E Charles Leclerc, que tem todo o potencial para ser campeão do mundo, tem também o potencial de ser um sacana na pista, como era Michael Schumacher. Razão tem Lewis Hamilton quando disse, depois de Monza, que agora sabia o tipo de piloto que ele é. Pode ser monegasco, mas é impiedoso. Quer vencer e vai pisar toda a gente para lá chegar. Não tem estofo segundo piloto, não é empregado do mês, e odeia ter um piloto igual a ele. Aproveitou muito bem enquanto Vettel esteve em baixo, só que agora, o alemão recuperou dos seus maus dias, e ele sente-se incomodado, porque pensava que tinha um estatuto garantido. E agora, a Ferrari sabe têm dois primeiros pilotos, como teve a McLaren em 1988-89, a Ferrari em 1990, e de novo, a McLaren em 2007. E de todas essas vezes, as coisas acabaram mal, com a equipa a explodir e os outros a aproveitarem. Agora sabemos disso.

Mas independentemente disso tudo, a Mercedes ganhou, com sobras. E agora tem de escolher o palco a sua consagração. Dão o seu melhor para que seja em Austin, ou ficarão seduzidos pelo ambiente de Interlagos? A escolha é deles.


***


O texto do Paulo foi categórico. Se irei fazer algum comentário sobre o GP da Rússia ao longo da semana, deverá ter esta postagem como fio condutor, embora (como mencionei, foi contundente) não tenha muito o que acrescentar. Estou decantando ideias e absorvendo opiniões, especialmente depois do (pequeno) caos que foi algumas leituras no Twitter, ontem. 

No mais, para o GP do Japão, teremos uma participação de uma jornalista formada e amiga que, ontem, dividimos uma tarde de troca de mensagens muito agradável e acabei fazendo-lhe o convite para o evento que nos coloca atentos à TV durante a madrugada. 

Obrigada Paulo pela dedicação e atenção por aceitar o convite às pressas e por ter me passado um texto da qual me identifiquei totalmente. Simplesmente espetacular!

Fico por aqui, desejando a todos uma semana produtiva, agradável e deixando os comentários ao dispor de vocês!
Abraços afáveis!

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

F1 2019: Pontinhos de Cingapura 2019

No post anterior vocês tiveram a coluna pós corrida da Carol Almeida e não um texto meu. Basicamente ela escreveu o que eu teria escrito aqui, só que do jeitão dela de se expressar.
A "novidade" para as colunas seguirá; teremos um participante para o GP da Rússia. Não vou estragar a surpresa, mas alguns já sabem quem é. Aguardem! 

Enquanto isso, colocarei aqui meu tópicos sobre o fim de semana em Cingapura.

► Não gosto do circuito. Acho que permite muitas atrapalhadas, muito pelo desgaste físico dos pilotos por conta da alta temperatura e também por ser circuito de rua, cuja ideia de passar próximo aos muros é necessário para ter melhores resultados. Mas nem todo mundo pode ficar 'brincando' volta a volta com isso. 

► Vocês devem ter visto memes ou comentários projetando a eficiência da Ferrari depois de Monza. Acreditava-se (eu inclusa) que em Cingapura voltaríamos a ter as Mercedes no topo do pódio um Lewis Hamilton estampando sorrisos num rosto úmido de suor. A brincadeira já estava presente: o pessoal queria saber como a Ferrari lidaria com uma pista sem as tais retas que favorecem a eficiência do SF90.
A Scuderia deu uma acordada (tarde demais para ter efeito arrebatador) e desestabilizou um pouco a Mercedes já no treino classificatório: Sebastian Vettel deu sinais de "fênix", mas Charles Leclerc completou a quinta pole, a terceira seguida na temporada. 
Houve reação de Hamilton sobre a quinta pole do monegasco (surpreso, o inglês soltou até palavrão) e ficamos no aguardo de uma possível redenção de Vettel. 

► A quinta pole do ano de Leclerc mostra um já comprovado e notado vigor de futuro campeão. Indica também que os ajustes feitos no SF90 estão mais propensos ao garoto do que ao veterano Vettel, embora, alguns indícios puderam ser observados na corrida com relação à pilotagem do alemão.
Lembram que, no post que fiz, a respeito de algumas manchetes noticiadas após Monza, mencionei que Juan Pablo Montoya havia dito que o problema de Vettel era mais técnico que psicológico? 
Pois bem. Tanto concordei que ainda permaneci com isso em mente para projetar o que a Ferrari deveria fazer, mesmo tendo em mãos o Leclerc com um futuro brilhante a ser traçado. A equipe poderia, ao invés de optar pela diminuição dos "deveres" de Vettel com a equipe, ao menos dar-lhe opções de ajuste mais confortáveis e não fazê-lo passar a humilhação de ser escudeiro puramente.
Sigo concordando com Montoya. Mas não acredito que a Ferrari - após a declaração de de Mattia Binotto sobre ter dois pilotos fortes na equipe, não ser ideal para a gerência interna - tenha propiciado que Vettel se achasse novamente na equipe. Podem ter dito algumas palavras de apoio, mas trabalho duro por parte deles não me parece que foi o critério levado a sério nos dias anteriores à Cingapura. A prioridade seguiu e segue sendo Leclerc, como já havia dito, no começo do ano, antes mesmo de suas vitórias emocionantes e de Vettel começar com seus "erros" que levaram à sua recente crucificação .
O que eu acredito mais é que, por ele não ter rede social, e ter recebido algum apoio de fãs e entusiastas do esporte, possa ter usado os dias de intervalo de um GP à este último, para esfriar a cabeça, enterrar os erros, e buscar forças para terminar o ano, minimamente bem.

► Dito que Leclerc tem vigor de campeão já atestado, isso trás outras ideias, especialmente sobre o andamento e conclusão da corrida.
Por algumas voltas, talvez um terço da corrida, Leclerc estava segurando a primeira colocação, mas sem se valer de uma grande vantagem para os demais. Enquanto isso, Hamilton não conseguiu acompanhar o ritmo do queridinho da Ferrari, ficou apenas à espreita de qualquer oportunidade de ganhar a posição - fosse por Safety Car, fosse por estratégia de pitstop. Eram estes os jeitos mais propícios. 
Após o inglês reclamar do desgaste dos pneus, a Ferrari deu pressa para trazer Vettel para o pitstop. Um tempo depois, chamariam Leclerc. E aí é que a surpresa se deu: não calcularam que Vettel viesse à frente de Leclerc, fazendo um undercut. 
Diante dessa situação, muitos de nós acreditavam que a Ferrari solicitaria a mudança de posições. 
Hamilton, que havia indicado desgaste de pneus, passou a pedir por permanência na pista. A transmissão gritalhona calculava que ele e a equipe aguardavam por um Safety Car. Não houve nenhum nesse período até que, quando fez a parada, não só perdeu a chance de disputar posições para a vitória, como perdeu o pódio para uma Red Bull.

► Nesse meio tempo de pitstops, o undercut não premeditado pela Ferrari não pode ser considerado "ajuda" estratégica para Vettel vencer como algumas matérias (essa aqui, inclusive) indicaram. Uma pois, ficou claro que a Ferrari não esperava por tamanha eficiência de Vettel. Duas que, logo que pode, Vettel foi passando os pilotos à frente, antes mesmo de decidirem fazer também as suas paradas. Os mesmos carros - Giovinazzi entre eles, que ficaram algumas voltas na liderança - e ofereceram pouca dificuldade à Leclerc e à Max Verstappen. A terceira razão é que Vettel voou mesmo e pode garantir assim o direito de vencer a corrida.
No mais, Seb pareceu realmente confiante, tanto que forçou uma ultrapassagem mais arriscada para cima de Pierre Gasly. Ele não procurava por punições, ele procurava não perder tempo, pois era necessário que a vitória fosse possível à equipe. Desde a classificação estava claro que ele queria, e na corrida ele passou a merecer conquistá-la. Bastava continuar fazendo um bom trabalho.

► Para juntar todo mundo e ter alguma chance de ataques, era necessário um Safety Car. E houveram 3. Algumas pessoas na rede do passarinho azul (Twitter) colocaram lenha na fogueira. Todos quiseram lembrar do "crashgate" de 2008, brincando que essa seria a chamada de Toto Wolff para Valtteri Bottas.
Um adendo: na ocasião, quantos de nós não julgamos o incidente como um evento sujo? Fernando Alonso, em 2008, não precisava daquilo. Era bicampeão e tal. ... 
Mas estaria tranquilo se  o esquema se repetisse com Bottas arrebentado o carro no muro e Hamilton vencendo?
...
Voltando então ao assunto principal: O primeiro SC veio como algo lamentável, não só pelo ocorrido em si, mas mais pela forma como foi tratado. O culpado do lance? Romain Grosjean. 
Vocês não leram (nem lerão) na mídia especializada que o acidente foi um algo de corrida simples e que, pelo onboard do Grosjean, o "Linguini" não teve para onde ir. George Russell tinha um carro de lado e "fechou a porta". Não estava num circuito com escape e o movimento de defesa foi, no mínimo, estranhíssimo.
Mas o piloto da Haas (tomando raivinha da equipe em 3...2...) é um dos sacos de pancadas da F1 atual. Talvez o principal deles. Além do mais, apesar de lembrarem o "crashgate" ninguém queria que acontecesse algo semelhante de novo (ou só eu esperava que ninguém quisesse?)...

► Tentando não pensar na relação da Mercedes com a Williams, imaginei que a Ferrari então faria Vettel protagonizar a segunda cena humilhante do ano, depois de Spa, assim que o SC se retirasse da pista.
Por sorte, houve uma largada limpa com Vettel relargando bem e os demais, também. 
No segundo SC, dessa vez com Pérez estacionando o carro por algum problema elétrico ou de motor, talvez a situação fosse colocada em prática. Era a 44ª volta e o SC só saiu 4 voltas mais tarde. 
Novamente, largada limpa e Vettel manteve o bom ritmo. Não havia razão para a mudança de posições e isso pareceu claro. 
Na volta 50, Daniil Kvyat se enroscou com Kimi Räikkönen. O finlandês deixou o carro com suspensão quebrada na área de escape e assim entrou o terceiro SC.

Fim de semana ruim para Kimi. Parece ainda que o finlandês não voltou das férias e precisa "sacudir a poeira" e entender que estamos já com os trabalhos para serrem feitos e resultados entregues. Voltar mesmo não desse jeito; com pernas 'machucadas', abandonos ou batidas. 

À essa altura, apesar dos protestos no rádio de Leclerc sobre o undercut do Vettel, ambos foram avisados pela equipe para manterem as posições.
Isso gerou desconforto no pessoal que não gosta do Vettel. Queriam que Leclerc tentasse ultrapassar e Vettel rodasse. Qual a alegria em ver isso, ainda estou para saber. 
Para a Ferrari, o jogo era claro: a dobradinha, fosse a ordem que fosse, era necessária. Se antes das paradas, chamaram Vettel com medo de perderem a posição para Verstappen, manter um pódio com duas Ferraris era o plano 1. Uma possibilidade era a de tentarem tomar a posição de Hamilton. Não calcularam que Vettel seria tão rápido a ponto de conseguirem tudo isso, mas com o agravante da mudança da ordem entre os seus pilotos. Conseguir fazer com que Hamilton por exemplo, ficasse perdido e não eles, era o maior lucro que estavam tentando conseguir. 
Essa situação colocou os pingos nos is. Estavam com uma dobradinha certa. Qualquer gracinha era desperdício. Ainda mais que Verstappen parecia ter optado pelo bom senso, já que em duas relargadas ele priorizou manter a posição e conter o avanço afoito de Hamilton. Manter tudo como estava era o mais sensato a ser feito.

► Uma troca de posições teria mostrado uma certa injustiça. Vettel havia andando rápido e não tinha errado. Não tinha uma vitória desde o Canadá. Retirar dele, mais essa, por mandos de equipe, era fechar a tampa do caixão de sua carreira. Nada o salvaria da chuva de críticas que vinha (e ainda vem) sofrendo. E se o fogo viesse de casa, ficaria péssimo para a Ferrari se insistissem na troca. 
Nada garantia que, pela raiva de ter que fazê-lo, Leclerc não forçaria o suficiente para que Vettel perdesse até a posição para Verstappen, com certeza só à espreita de uma oportunidade dessas. Seb ainda teria que lidar com um "sem paciência" Hamilton. Arriscar perder a dobradinha para proteger o futuro campeão da equipe era uma decisão muito arriscada. Injusta para ele, mas justa para a equipe, que já cometeu muitos erros que lhe custaram o campeonato.
Já que - por uma surpresa - a situação assim estava, assim deveria ser mantida. Manter as posições era um pedido que, aos nossos ouvidos, empacava a emoção de competição que, por sinal, não tinha acontecido durante toda a corrida - monótona em boa parte dela. Porém, havia outra questão que colocava a Ferrari à mercê de aplausos pela decisão: tentar desestabilizar a Mercedes à curto prazo, já que para a Rússia eles e não a Ferrari são favoritos. 
O único pormenor é o seguinte: se a mudança de posições ocorresse de forma limpa, e Leclerc vencesse a terceira corrida seguida, ele teria passado Verstappen na tabela de pontos e garantido a terceira colocação geral, podendo então pensar em se aproximar de Bottas - visivelmente já anulado na Mercedes apesar de ter renovado contrato. Teriam colocado uma pressão extra na Mercedes: forçariam que eles pensassem também nas corridas do Bottas para proteger o seu primeiro piloto.
Talvez seja aí que Leclerc estivesse tão possesso com a decisão da equipe, pois, assim como nós, sabe que o campeonato de construtores está no papo - a Mercedes tem 9 dedos e meio no título.

► Embora exista esse lado prático dos pontos, faltou ao Leclerc diplomacia e postura diante ao trabalho em equipe. Sim, a Ferrari não vencerá o campeonato de construtores. Mas em Spa, não vimos Vettel reclamando de ter sacrificado sua corrida em prol da vitória do companheiro. Naquela corrida ele perdeu muito, não só a dignidade como o seu rendimento caiu  a ponto dele sequer ir ao pódio na Bélgica. 
Leclerc não respondeu ao rádio depois do fim da corrida, ficou com cara de poucos amigos após tirar o capacete, e disse à David Coulthard na entrevista pré pódio que estava frustradíssimo. Disse entre dentes que era pelo bom resultado do time, mas não agiu nem tem agido em conformidade com a política do time: ele ainda procura por explicações por não terem mandado fazer a troca de posições.

Ele sabe, mais do que nós, que a Ferrari vem primeiro e está acima de qualquer outro, seja o último piloto  a vencer com eles, seja o último piloto a trabalhar duro para eles, seja um multi campeão da F1 que escolheu ser piloto deles.
A mídia seguiu o padrão de divulgação: Vettel teria ganhado "ajuda" estratégica e Leclerc teria achado injusto o undercut que tomou. Criando uma rivalidade nas notícias, o monegasco deu munição para os "especialistas": exigiu que a Ferrari desse explicações. 
Binotto foi enfático: alertou sobre a possibilidade de Vettel perder a posição para Verstappen que estava em quarto. Já sabiam o que fariam com Leclerc assim que tivesse um tempo propício mais tarde, e que com a parada de Vettel, poderiam colocar ele em posição de atacar Hamilton ou até, tomar a sua segunda colocação. Se esqueceram que Vettel poderia fazer voltas ótimas com pneus novos - o que aconteceu.
Explicaram para Leclerc, e ainda assim, ele insiste estar à par das decisões como se tivesse sido "roubado" dele a chance de ser vitorioso pela terceira vez.
Reforçando o climão entre os pilotos, foi divulgado que Vettel teria declarado que a "Ferrari está acima de qualquer indivíduo" como se tivesse mandado um recado ao companheiro. Do lado de cá, de comentaristas até fãs, a grande maioria defendia Charles sob um pretexto plausível, mas discutível: todo campeão reclama de "perder" a vitória. Era assim com Senna, com Alonso, é assim com Hamilton, e até já foi muito com Vettel. 
Negar isso é bobagem. Todos pilotos, até mesmo os não campeões mundiais tem essa petulância, digamos, natural. Mas a questão, como escrevi, é discutível. Lembro que, pelo menos com dois destes citados, toda vez que abriam o rádio para pedir passagem, presos atrás de seus companheiros de equipe, chovia críticas. A principal frase: "Quer a vitória? Então passa!"
Houve isso com Charles? Se houve, eu não fiquei sabendo.

Sejamos pragmáticos aqui: a Ferrari não disputa o campeonato, nem de pilotos, nem de construtores. Por mais que esteja todo mundo insano, não existe a menor possibilidade de não dar Hamilton no fim da temporada. E a Mercedes está tranquila, apesar de já ter colocado na ponta do lápis tudo que precisam fazer até o fim do ano para garantir o campeonato de seu protegido. 
O máximo que a Ferrari está possibilitando é tardar esse momento. Leclerc então deveria comemorar as conquistas da equipe. Faz tempo que não acontece reações como essa na equipe. Há de se procurar nos "arquivos", mas arrisco escrever que talvez a última vez que a Ferrari experimentou sensações como essas deve ter sido em 2009. E olhe lá, já são 10 anos, se eu estiver certa no meu palpite.

Vettel é da Ferrari. Em nenhuma ocasião, desde que pisou na equipe, ele não deixou de ser diplomático. Com o passar dos anos ficou até bobo, de tanto que pede desculpas. Além disso, não disse algo que fosse contra as decisões da equipe e sempre evitou esse tipo de declaração. Sabe que é a marca primeiro, depois o resto. E quando se fala resto, é resto mesmo.
A prova que a Ferrari estava certa em ter chamado Vettel primeiro é que também Verstappen parou na mesma volta e ficou à frente de Hamilton. O timing foi perfeito para os dois para que não ficassem presos atrás de alguém. E isso ainda aconteceu, mas conseguiram se desvincilhar rapidamente dos carros que ainda não haviam feito pitstops.
No início da prova, a impaciência também era nossa: o ritmo lento dos ponteiros era estratégia para não dar espaço para as paradas de quem vinha trás. Se Leclerc tivesse acelerado, ganhado vantagem, talvez nem se Vettel quisesse teria feito o undercut. No máximo, teria ficado preso atrás dele, cuidando para que Verstappen e talvez Hamilton não se aproximassem.
Leclerc tem os tifosi com ele, babando colorido. Se ele tivesse se mostrado jogador de equipe, membro incentivador, não faltaria gente para segurar as suas... err... mãos! Sair reclamando assim, mais tarde vai depor contra ele quando experimentar a ponta da sua crise na equipe. Ele poderia ter tentado olhar nos olhos do Vettel e exaltar o seu retorno ao topo. Para a mídia, poderia dizer que estava frustrado, mas feliz pelo companheiro, elogiar e dizer que Vettel ainda é importante para equipe e para a categoria.
Teria soado falso? Oras, Hamilton faz isso o tempo todo e não parece incomodar nem os fãs, nem os jornalistas. Só porque Charles foi sincero e direto, não significa que vamos passar pano, só porque é bonitinho e estamos todos empolgados com as suas demonstrações de talento.

Além de dizerem que isso é postura de campeão, outros podem dizer que se ele ficasse tranquilo e dócil com a decisão, futuramente viraria capacho. Mas vamos à um exemplo fácil sobre isso. Felipe Massa, maior "puxa saco" da Ferrari sempre foi capacho do Schumacher. Em 2007 fez nada mais do que sua obrigação cedendo posição para Räikkönen tentar conquistar a vitória e o campeonato. Cumpriu com o combinado, com o jogo de equipe, então em 2008 teve a sua chance de buscar a vitória e precisar da ajuda de Kimi. A dívida foi paga, mas não pode contar com outros fatores para vencer o campeonato. Tanto ele quanto Kimi sabiam de suas respectivas funções na equipe e quanto a isso, nunca pode reclamar do companheiro finlandês e vice-versa.
Embora fosse puxa-saco, ele colocava a culpa no carro quando algo não saia como suas intenções. Pilotos que fazem esses questionamentos tem a tendência de serem rapidamente descartados pela Scuderia.
"Ninguém é mais importante que a Ferrari", disse Vettel, que tanto sabe disso, que demonstra e demonstrou em atitudes, inclusive  na hora de subir ao pódio com uma bandeira com os dizeres: "#essereFerrari".
Leclerc no começo do ano, declarou que estava aprendendo com Seb. Não parece ter "tomado nota" o suficiente. Como a apoteose midiática parece reforçar, a figura de Leclerc o estampa como incapaz de digerir a derrota.

► Apoteose ou não da mídia, a Ferrari precisa ajustar-se. Colocar ambos à par dos planos e resolver de uma vez por todas - sem anular - a "ressurreição" de Vettel e a "competitividade" latente de Leclerc.
Já devem ter feito isso já que Rússia está aí, e o começo dos trabalhos são para sexta-feira. A equipe pode até deixar a mídia se esbaldar com essa (forçada?) rivalidade entre ambos. Faz bem para trazer ibope. Mas o que Binotto deve fazer, nem que seja às escondidas, é ter planos eficientes para manter o mesmo bom ritmo para o próximo GP, sem deixar que seja primordial os joguinho extra pista.
Agora se a coisa descontrolou mesmo, aí só posso executar o modo #SóLamento. Não era difícil dois pilotos fortes na equipe? E agora Mattia José? (Eu bem que avisei...)

Do outro lado da corda, Hamilton reclamou que a estratégia da equipe tirou suas chances de vitória e pódio. A estratégia que ele parecia consciente. Num rádio reclamou do desgaste, no outro, não queria fazer a parada. Depois, o bipolar das declarações, explicou como a decisão afetou no seu resultado.
Ele se diz não iludido mesmo tendo 96 pontos de vantagem para os terceiros colocados. "Se houver alguém na equipe relaxado no momento, eles precisam conversar, porque todos devemos sentir a dor. E vamos para a próxima corrida tentando fazer um trabalho melhor.", disse.
Obviamente a Mercedes tem 100% de chances de sair vitoriosa na Rússia. Trabalho duro mesmo recai para a Ferrari e a Red Bull.
Por essa razão as duas equipes têm por obrigação dar 200% de seus esforços para tentarem repetir feitos semelhantes a Cingapura. Para a Red Bull o foco é claramente voltado à Verstappen. Este precisa, no GP russo, ficar à frente de Leclerc já que estão empatados com 200 pontos.
Na Ferrari, se querem mesmo tentar mostrar que não estão acabados, basta fazer trabalho de equipe, e repetir moldes semelhantes como os de Cingapura - sem egos e sem protecionismos - fazendo valer a premissa do "somos uma equipe". Quem sabe não entendem que é possível sim ter dois pilotos fortes?
Tardar o título do Hamilton pode estar nos detalhes: eles esqueceram e não se importam com Bottas. Colocar ele como um hamster exercitando na rodinha em poucos dias, pode não oferecer tantos resultados. Além disso, Hamilton está batendo os pezinhos com cara feia e braços cruzados. Se o pessoal da Mercedes não vier com planos eficientes para o GP russo, pelo menos para ele, o inglês vai ser aquele Hamilton que todo mundo esquece que existe só porque está adormecido.

E é fim de história? Ainda não. Vale dizer que Leclerc e Verstappen são os grandes nomes que trazem cada vez mais interesse à F1 esse ano. A Globo, nossa emissora de transmissão das corridas, bateu recorde de ibope novamente com o último GP. E não havia Hamilton no pódio...
Tardar esse título é lucrativo!

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