sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

Boas festas 2021!

 Olá amigos,

depois de muitos dias longe daqui, venho avisar que de fato, o blog entrará em recesso, pelo menos até a primeira semana de janeiro. Pararei minhas atividades acadêmicas apenas no dia 25 e dia 31, por isso, nesse meio tempo, não poderei dedicar-me à textos aqui. 

Não poderia ser negligente e deixar por isso mesmo, sem desejar à todos e todas um Feliz Natal e um 2022 melhor. Temos enfrentado um tempo muito ruim com a pandemia e vamos entrar num ano de eleições presidenciais. O revezamento de algo que chamaria de "conteúdo do esgoto" já começou. Por isso, reforço o desejo de paciência a todos, além é claro, de muita saúde - física e mental. 

Um grande abraço à vocês que me acompanharam aqui na página e também, esporadicamente, no Clube d Velocidade. Eu voltarei para terminar o levantamento corrida a corrida da Temporada de F1, assim que o trabalho acadêmico der uma trégua.

Abraços afáveis!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

Temporada 2021: Grande Prêmio de Abu Dhabi

Última corrida do ano de 2021. 

Antes que chegássemos à domingo, muita coisa aconteceria pela última vez. Então, a nossa atenção estava voltada à algumas delas.

Houveram os últimos avisos da FIA. O fair-play precisava ser levado à risca na última etapa ou caberia medidas extremas, tais como perda dos pontos. Isso era, diziam, para garantir que os dois pilotos que chegaram ao fim do mundial empatados, fossem forçados a se respeitar na pista. 

A diferença do tratamento de um para outro estava nos detalhes. Aquele que tinha descumprido "as regras" para os comissários era justamente o que tinha mais a perder com esse tipo de aviso. O GP anterior foi dito: analisa-se o caso. Seria assim em Abu Dhabi?

Recado dado, já conseguíamos prever: poderíamos contar que a corrida selaria um ano competitivo e cheio de polêmicas, com um resultado já conhecido. 

Seria a última vez que veríamos uma corrida na era híbrida. Com as mudanças de regras para 2022, podemos ter visto algumas situações que podem não se repetir mais no ano que vem. Algumas destrezas podem se perder nos próximos anos e a questão da adaptabilidade vai ser a tônica para muitos considerados "deuses" da velocidade. 

O divisor de águas será quem terá mais fôlego para deixar certezas de lado e se reinventar com a "nova" Fórmula 1.

Todos os anos o grid se modifica, mas neste tivemos deslocamentos.

1) A última corrida de Valtteri Bottas na Mercedes aconteceu ontem. Durante todos 2021 foi usado como rato de laboratório. Deslocado para a Alfa Romeo - e à ver o que foi a última corrida da equipe - talvez seus dias de glória tenham acabado. E como é possível perceber, nem foram tão gloriosos assim. 

2) A última corrida de George Russell na Williams, também aconteceu e não foi muito bacana. Promissor, o jovem inglês sempre pareceu merecedor de uma vaga em uma equipe melhor. O melhor seria a Mercedes, equipe com que sempre teve ligação. No entanto, é preciso esperar para ver. Ao que tudo indica, toda a paixão que se nutriu por ele, nos últimos anos, pode se transformar em lembrança, como se tivesse sido um surto coletivo. Uma pena, mas a tendência é ser considerado segundo caso na equipe que volta a ser prata ano que vem.

3) Deixando os bastidores da Red Bull para voltar a ser piloto oficial, Alex Albon ficou pouco tempo no banco de reservas da equipe que o rebaixou, mas sacou as armas para dar um cockpit na Williams o ano que vem. Substitui Russell, e terá como companheiro, um dos nomes do jogo de ontem.

4) A Honda deixaria a categoria como fornecedora de motores, no caso para a Red Bull e a Alpha Tauri.

4) Temporariamente fora da categoria, Antonio Giovinazzi até que tentou o seu melhor durante o ano todo, mas não conseguiu manter-se na Alfa Romeo,  já que investidores quiseram outro nome na equipe: Guanyu Zhou. Abu Dhabi foi a despedida do italiano de longas madeixas, com promessas de retorno num futuro próximo.

5) Não podendo contar com isso, Kimi Räikkönen anunciou em setembro, a sua aposentadoria em definitivo da Fórmula 1. Mesmo tendo feito até muito pela Alfa Romeo (dadas as devidas proporções) ele deixou a categoria com expressivos números, entre os quais um título mundial, dois vices numa das melhores épocas da F1 atual, e um carisma sincero.
Sentiremos muita falta de sua objetividade com as coisas, e de suas respostas óbvias para jornalistas tapados. E como disse Sebastian Vettel - sentiremos falta do silêncio.
Quem pouco fala, muito sabe. 

Nesse último caso, não é menos importante, mas foi tratado como qualquer coisa. Não houve oba-oba ontem com relação ao Kimi Räikkönen. Houveram corações apertados e lágrimas seguradas, e mesmo abandonando a corrida antes do fim, ele foi o piloto do dia.  

Poderia também ser a última corrida de Lewis Hamilton, que, diante das dificuldades que teve no começo do ano, começou a dar sinais de que seu tempo se esgota. 
No entanto, um recorde era preciso bater. Se vencesse ontem, seria octa.
Se perdesse, poderia seguir mais alguns anos, esperando a chance de passar o ídolo de muitos, Michael Schumacher.

Como quem conta com o ovo dentro da galinha, os planos não deram certo. Ainda que tivesse dado sinais de que daria, durante toda corrida, menos na última volta. 

Vocês já leram tudo que poderia ser dito do GP em Abu Dhabi - desde os argumentos mais patéticos até os mais razoáveis. Tudo gira em torno de uma certa interferência dos comissários no resultado. O grande lance é que prejudicou um dos lados que muitos insistem em considerar melhor. O lance é que essa interferência só aconteceu porque a Mercedes começou. 

Escapa ao pessoal algo que também me escapa: razão para entender que existem verdades, e não uma verdade. Até sábado de Silverstone, tínhamos um campeonato de F1 normal, competitivo. Depois da primeira volta da corrida em Silverstone, tínhamos um campeonato ainda competitivo, mas polêmico, com muitas proteções e inconsistências. Não surpreendia.

O desespero tomou conta daquele dito piloto experiente e rei do jogo mental.
Mas não se desmonta imagens à custa de nada. Muito menos de um multi campeão inglês. Foi preciso apelar para a emoção: criou-se uma dicotomia, costurada com fios de aço. Isso seria bom para os negócios. Desde então, toda a facilitação que a Mercedes pode encontrar, encontrou. Toda a cortina de fumaça que puderam propiciar, conseguiram.

E a Red Bull entrou no jogo, muitas vezes, como um cachorro pinscher.

Eu escrevi aqui: não existem bonzinhos na F1.
Cheguei a escrever textos falando que ninguém torcia por competividade. Torcia por representatividade. Parece que vivemos no século XVIII... Tudo é representação!  
Ou sei lá, compara-se tudo, como no Renascimento? Os dois pilotos são sempre colocados em similitude de simpatia e antipatia:  um é bom, militante e o outro, frio e mal.

O antagonismo era digno da crença religiosa. Falávamos de F1 ou de Igreja?

Isso foi dito no texto de Silverstone (ler aqui)

Desde o GP de Interlagos, fiquei de sarcasmo com vocês: "o bem vencerá, o bem vencerá", dizia...
A diferença é que não tenho 10k de seguidores no Twitter. Se tivesse, tinha muitos "seguimores" dando risadas comigo, ontem. 

Nem quero me gabar. Tenho ciência de minhas bobagens ditas aqui. O que me deixa intrigada é que basta uma pessoa falar o que digo desde o começo da temporada para ela ser a sensata.
O que me irrita é reclamar das regras seletivas desde os tempos de Charles Whiting e as pessoas agora, suplantarem todo os discursos de que a Ferrari fazia as mesmas coerções, que a Mercedes pode porque é a melhor equipe do grid, que a Red Bull não tem direito porque é só uma marca de energético e todos, absolutamente todos não perceberem que, no fim das contas, se quer se achar os donos da verdade.

Leiam Foucault. Descobrirão que não existe A Verdade, mas sim, as verdades dos jogos de poder. 
Empurrando goela abaixo a verdade de vocês, as últimas corridas dessa temporada foram como circos montados. Os malabaristas do esfregão, passando pano para o Hamiltão. 

Desculpem. Perdi o respeito fazendo essa rima ridícula. Mas fato é que, se você ontem ficou com algum tipo de desconforto, sinto te dizer, mas não estava vendo as corridas direito. Por Silverstone eu tomei a minha posição: o resto da temporada de 2021 não seria bonita. 
Se não fosse Baku, Max não chegaria empatado com Lewis. Se não fosse pelas mudanças de pneus em Silverstone, Hungria não teria sido como foi. Não há nada, estritamente esportivo falando, que corrobore contra a ideia de que Max Verstappen mereceu vencer ontem e levar o título. 

E pela primeira vez, as interferências extra pista prejudicaram quem mais se beneficiou delas, inclusive nas últimas corridas. Por isso o choro das apelações ainda demorará a ter um fim.

Se há algo a ser debatido é porque não se teve critério duro desde Silverstone sobre encontros na pista. Porque é que em Jeddah, Max foi punido e em Abu Dhabi, Lewis recebeu "no further action"? 
O fato final ontem, de que Michael Masi não quis e depois quis passar alguns carros alinhassem e outros não, faltando uma volta para o fim, depois da batida do Nicholas Latifi, significa que ele estava de mãos atadas. Deixar correr, ou punir ao acaso? Deixar a corrida terminar atrás de um Safety Car ou dar a chance de disputa no fim? 

Pelos negócios, parece que foi feito isso. Houve inconsistência o ano inteiro, mas sinceramente, ontem nem foi a pior decisão de todas.  
Mas o resultado, aos trancos e barrancos caiu nas mãos certas. Temos todo o direito de não gostar da pessoa Max Verstappen, mas desde o começo do ano ele tem se mostrado mais piloto que Lewis. Tome Mônaco. Tome Azerbaijão mesmo. Em termos de corrida, Max fez mais o ano todo. Lewis tem sete títulos. 

Se vamos colocar defeitos nos feitos do jovem holandês, temos um prato cheio para falar de Hamilton também, e muitos anos para começar a listar. Ele pode ser uma pessoa incrível, ter uma legião de fãs que o admira pelos motivos certos. Mas certas colocações suas são complicadas de aceitar. 
O mesmo vale para Max. Tem uma personalidade aparentemente tendendo ao sarcástico. 
Volto a repetir, mesmo não tendo 10k de seguidores: isso é Fórmula 1, não processos de canonização.

Para finalizar, uma imagem que eu não gostaria de ter sabido que ocorreu é essa:


Isso é péssimo para um multi campeão: não ir à coletiva e desaparecer. Mas não foi a primeira vez que se mostrou mau perdedor. 

Terá sido a última?

Abraços afáveis! 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Temporada 2021: Grande Prêmio da Arábia Saudita

Não teria tempo para falar sobre a corrida aqui, mas, como é bem possível que os últimos textos desse espaço esteja ao passo de seus últimos dias de publicação. Então, vamos à um dos finais esforços. 

Não quero falar muito sobre o que aconteceu ontem. Desde Interlagos deixei de acreditar que tive esperanças em presenciar algo primoroso nessa temporada. Achei que eu queria competitividades, disputas acirradas, pilotos quebrando a hegemonia das Mercedes... Na verdade, desejei mal. Deveria ter esperado que ninguém tentasse derrubar o Império. Ao menos, o parecer bom ao invés de ser bom, fosse mais crível.

Sumariamente, desde Silverstone, o que presenciamos não é... "esporte". 

O contexto criado desde o GP britânico para os eventos que se sucederam ao longo da temporada, até ontem, não tem justificativa. E o que respinga na comunidade de fãs da categoria, que, há muito venho falando o quão patética e contraditória (e é e talvez nunca tenha deixado de ser) é uma verdadeira guerra campal totalmente ridícula.

Acredito que, por mais que se negue, todos nós já escolhemos um lado. E os motivos são vários. Garanto que todos, sem exceção, não são tão nobres. Todos somos um tanto babacas quando vamos opinar sobre essa duplinha formidável que tem disputado o título esse ano. Dito isso, assumo, já sabendo que serão as últimas coisas que direi por aqui, muito provavelmente. Peço licença, vou ser  babaca, nesse texto.

Não vou começar sendo totalmente assim, para não afastar alguns bons leitores. 
A pessoa que escolheu um lado da briga da temporada pode até não se importar, mas em algum momento agiu ontem, de forma extrema e a sua hipocrisia incomoda. 
Tal como estes, me incomodo em ver opiniões contrárias às minhas, ou declarações vazias, e muito mesmo acusações duras. Quando isso vem de profissionais ou pessoas com uma vasta influência é perigoso. Esquecem que o lado que escolheram faz ou já fez coisas muito semelhantes e igualmente graves. 
Mas parece muito necessário que se tenha uma opinião dada como certa e sã. O problema é que isso não existe. 

Max Verstappen teve muita sorte em assumir a ponta no começo da corrida, depois de forçar muito na classificação e mostrar certa fraqueza (da qual fãs do outro tripudiaram o quanto puderam). Na mesma proporção que teria tido sorte, teve azar para iniciar a saga que seria a pressão o tempo todo desse GP Saudita que talvez não estivesse pronto para receber corridas tão às pressas.  

Lewis Hamilton não pareceu ter toda aquela experiência que é a sua base, no início. Logo, a sorte que sempre lhe sorri, viria. Munido do regulamento de baixo do braço, qualquer coisa que fizesse seria considerada razoável. Todo fim de semana foi assim. Basta olhar para o que aconteceu com o inominável russo no sábado. 

Um Safety Car Virtual num péssimo momento criou um segundo incidente. A punição tão exigida ao lado que ganhou vantagem viria, só precisávamos esperar um pouco e com paciência. (Enquanto isso, Valtteri Bottas fazia tudo de errado e passaria ileso, desde sábado.)

Visões diferentes sobre o ocorrido que determinou a corrida são bem possíveis, afinal vivemos tempos em que não se pensa igual e nem deveria ser assim.
Há pessoas que se assemelham às da Antiguidade, que falam somente no cuidado de si e de sua comunidade.
Há os tipos renascentistas entre nós, que só pensam comparando as coisas, e só por similitudes, entendem o mundo à volta.
Temos os "bonitos" da Época Clássica que veem representação em tudo.
E tem os tais modernos, que nomeiam o sujeito, o indivíduo, a história, o tempo todo...
Existem esses tipo entre os fãs de qualquer coisa, inclusive F1.
Os que acham que todo piloto cuidam de si e do seu povo. Os que comparam piloto X com Y, carro W com o V. E os que sentem necessidade de que o seu ídolo represente uma corrente de pensamento ou então, está fora do seu entendimento.
 Vez ou outra, comentaristas de esporte falam em "história sendo escrita" pelo piloto fulano de tal, que é o melhor de todos os tempos e etc..

Ontem eu não li um pouco disso tudo. Estou acostumada. Mas algo ligou o alerta de idiotice piscando: li que o que vimos Max Verstappen fazer "não era esporte"
O que é esporte à motor? Há uma resposta? Talvez não. Talvez sim.
Não ouso procurar responder.
Pouco me importa, agora, depois de ontem. 

De fato o holandês fez manobras para ganhar vantagem que os pilotos que eu torço ou admiro, não fazem. Mas o inglês também tirou seu espaço em dois momentos, talvez três, pelo menos. Uma coisa não anula a outra, como parece.
No tal ponto chave, parecia que a tudo estava sendo montado para que ambos se tocassem. E antes de acontecer, eu já sabia quem seria o culpado.

Depois de cortar uma chicane, Max foi avisado de que deveria devolver a punição (depois de ter uma negociação de posição de largada depois da segunda bandeira vermelha). Ele abriu o suficiente, diminuiu a velocidade, freou o carro (sim, confesso que achei perigoso) no meio da pista e deixou o traçado para que Lewis Hamilton fizesse a manobra. Isso tudo, antes da linha do DRS. Seu intuito? Devolver a posição por ter ganhado vantagem e retomá-la em seguida, com a asa aberta. 

O que Lewis fez? Ao ver Verstappen no meio da pista e devagar, supostamente não entendeu o que o holandês fazia e tentou ultrapassá-lo. Só que ele não fez isso como se faria normalmente. Ele grudou na traseira da Red Bull e simplesmente, num movimento brusco tocou em Max perdendo um pedaço bem pequeno da asa dianteira à direita, como se fosse um erro de cálculo.

Max fez a mesma manobra que Lewis fizera em duas ocasiões de sua carreira: o primeiro, mais recente e mais gritante, causou um grande disse-me-disse na época: Baku, 2017.
Atrás de um Safety Car, Lewis ziguezagueou várias vezes e fez um break test, pegando Sebastian Vettel (na época, seu oponente à título... Coincidência?) desprevenido. Vettel bateu na traseira do inglês, se enfezou e colocou o carro de lado dando uma sutil jogadinha de carro contra Lewis, gesticulando com os braços.
O culpado foi Vettel que não prestava atenção e foi um "troglodita" depois. Lewis provocou mencionando algo que denegria Vettel e todo mundo rachava de rir do nervosismo do alemão.

Outra manobra, dessa vez semelhante no que se refere à fechadas de curvas, foi na Bélgica em 2008 contra Kimi Räikkönen. Na ocasião, chovia e Hamilton fazia curvas muito abertas e dava pouco espaço para Kimi defender-se. Numa dessas, ele diminuiu a velocidade e Räikkönen chegou a tocar na traseira. Escaparam da pista várias vezes e Hamilton sempre ganhou vantagem. O frio finlandês bateu no muro e findou-se a sua corrida.
Com Charles Whiting na direção, Hamilton recebeu 25 segundos de penalidade por ter cortado as chicanes e terminou a corrida em terceiro. 

Se engana se sempre houve justeza nas aplicações de regra. O lance era que Whiting tinha pulso firme. A gente pedia o "let them race", mas isso era sempre circunstancial.
Mas olha, essa linha entre a regra e aplicação dela é tênue. O que temos visto, desde Interlagos e talvez, desde Silverstone é exatamente esse "let them race" quando não deveria estar acontecendo da forma com que vem acontecendo. Reprimendas, reuniões pós classificações e corridas... Bem, Michael Masi parece estar querendo fazer as coisas sem tomar lados, mas ele não se sustenta contra a chamada "coerção" das equipes e dos chefes envolvidos.

Isso mostra que a categoria está numa maré frágil. E os grandes pilotos só abrem a boca para reclamar quando cutucam a feridinha deles.
De um lado, Mercedes e Hamilton questionam como as punições são aplicadas, dando a letra de que são "leves" demais. Do outro, a Red Bull e Verstappen, sugerem regras excessivas e prejudiciais somente à eles.

É fácil concordar com Verstappen: isso não parece ser o jeito que se faz corrida. Lendo textos antigos meus, sobre Baku 2017, e também, quando retomei o assunto em 2019, lembrei de muita coisa que havia deixado escondido... 
Toda a corrida fez sentido depois de ter lido aqueles textos.

Criou-se uma cultura de punições e de discussões infundadas que só esgotam a saúde mental de quem está nessa para se divertir e não passar raiva. O que houve ontem foi uma gravíssima interferência no campeonato feita às claras para o entretenimento. Abriu-se um precedente em Silverstone que, tudo o que viesse depois, seria lamentável, perigoso e nocivo. Mandaram os caras para uma pista sem testes de segurança e que se mostrou perigosa. Justo na penúltima corrida do ano.
Os dois pilotos, por fantásticos que sejam, querem vencer. E nenhum dos dois são santos. 

Max fez de propósito frear deliberadamente ao devolver a posição para Lewis? Sim.
Lewis sabia o que o rival estava fazendo? Também.
Os dois queriam usar a DRS depois e tomarem a posição um do outro e ganharem a corrida? Sim.
O pulo do gato está onde? Enquanto um foi ingênuo, o outro armou a arapuca. Durante todo o ano, Lewis Hamilton conseguiu fazer do Max o piloto mais sujo já visto na nova era da F1.
Aqui estaria a minha babaquice: O toque foi pensado, ou Lewis teria enchido a traseira da Red Bull. Daquele jeito, a culpa cairia 100% em Max. E estaria tudo bem.

No somatório, Max recebeu punição de 5 segundos por ganhar vantagem, e depois chamado para conversar e mais 10 pontos por ter deliberadamente feito um "break test", causando a colisão. 

Deixei de ver a corrida faltando 7 voltas para o fim. Se se recordam do meu texto anterior, parabenizei Lewis pela conquista.
Afirmo que o octa está à caminho, apesar de Max ter mais vitórias, pois que era "inusitado", aconteceu: Max e Lewis chegam empatados à última corrida do ano. 
Numa disputa acirrada, vai sempre sobrar pedaços. E se você escolheu um lado pela razão, já deve ter desconfiado que não está fácil sustentar.
As cartas estão dadas: Lewis é forte no jogo mental e experiente. Max é fraco e mau perdedor. Além de sumariamente sujo, como dizem. Nenhum dos dois quer perder e isso sim, seria F1 em sua grande essência... No entanto, não está sendo tão bonito de ver como alguns apontam. 

A questão que me parece é, para finalizar: o roteirista da F1 é também, ilusionista. Ele enganou direitinho para quem gosta do discurso de "temporada épica". Mas o que deveria estar na sinopse dessa história, não vai ficar escancarado para todos: 

A linha entre o piloto arrojado e o piloto perigoso é da espessura de um cabelo bem fininho.
Só que os envolvidos são carecas como uma bola de bilhar.

Até Abu Dhabi (com a vitória do Hamilton).

E hoje tem Live do Clube da Velocidade, no Youtube, mais cedo: às 19:30.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Temporada 2021: Grande Prêmio do Catar

Creio que pouco antes do GP nos EUA, eu lancei uma projeção mal pensada. Na verdade, me precipitei nos termos, mas o resultado igual.
Escrevi que nas 6 corridas finais, mesmo que cada um - Lewis Hamilton e Max Verstappen - vencessem três corridas cada, o que parecia ser equilíbrio na verdade era ilusão. A bola da vez estava para o Hamilton, mesmo que tivesse menos vitórias, menos vantagem, menos poles, menos pódios e muito menos voltas na liderança. 

A vaca tinha deitado, como diriam os populares. Ia ter o mesmo resultado de anos anteriores e nós, estávamos nos enganando com a perspectiva de "novidades". E foi comum que achassem que eu estava exagerando ou simplesmente, implicando.

Bom, a coisa esteve posta assim:
Em Baku, a Mercedes, com asas mais "flexíveis", ligou o sinal de alerta da rival, a Red Bull, que insistia ter algo irregular com elas. A FIA assoviava, em disfarce, fingindo checar a legalidade do dispositivo. 
No mesmo fim de semana, a Red Bull tinha um dos pilotos, abandonando a corrida, por conta de um estouro de pneu.

Em Silverstone, os pneus mais resistentes foram implementados. E isso acabou ajudando a Mercedes em desempenho e a se sentir mais confortável. 
Já a Red Bull tomou o segundo tombo e o segundo fora de corrida, não por erro de Verstappen.

Em Monza, uma sanção absurda aconteceu. 
Prioridades postas, não se discutiu (devidamente) os critérios. Mas isso ia mudar. Uma cortina de fumaça ia ser necessária. Só precisava aguardar a oportunidade com aquelas tais afirmações que a gente não conseguiria contestar.

Minha projeção foi mal pensada porque confirmei tudo estar equilibrado. Me esqueci totalmente contar com os pontos extras da Sprint no Brasil. Isso daria o argumento final de que Hamilton tinha pelo menos uma mão na taça. Também errei, pois apostei que Austin e México poderiam ter vitórias do Lewis, fáceis. 

O argumento enfraqueceu com a vitória do Max nesses dois circuitos. Mas eu pensava: mesmo que Interlagos fosse um circuito mais propício para o holandês, a Mercedes estava muito "calma" apesar dos blábláblás de seus dirigentes. 

Mordidos, o Brasil poderia ser palco de um digno filme da superação. 
E foi, com toda cara de ter sido roteirizado, com direito a tudo que soasse oportunista: punição e escalada do piloto favorito de todos, para ficar "bonito na foto". Sem nenhuma dificuldade e muito entusiasmo dos interpretações, tivemos um graaaaaaande evento.
Eu, daqui, estava com a plaquinha escrito: "eu já sabia". Não ter me surpreendido, não me emocionou.

Esqueci que no Brasil tudo de fictício ia parecer real e denotar toda a temporada.
Depois dela, parece mesmo que o Hamilton tirou coelhos da cartola, combateu com maestria e foi, em suma, impecável. Isso diz, nas entrelinhas, que é o merecedor incontestável do oitavo títilo. 
Nada providencial, nada que veio, ao longo da temporada, sendo testado pelo demitido Valtteri Bottas, para ser executado exatamente quando a Red Bull já não tivesse muitas cartas na manga, parece ponto favorável. 
É material humano e muita inteligência. Os caras da Red Bull que se explodam, todos.

Para ajudar completar, as regras apareceram ou para dramatizar a narrativa ou para afastar o vilão de ser bem sucedido.
O GP brasileiro demorou a terminar. Uma manobra dura, mas sem toque, virou novela e motivos muito grandes para montar as dicotomias. A Mercedes quis resgatar o direito de tirar uns pontos do Max e diminuir a diferença de 14 pontos que tinha, até ali, para Lewis. 

GPDA se reuniu, pois a FIA não estava tendo critérios de aplicação e punição. Agora detectaram isso?

Sim, só agora. E quando envolve "falhas" por parte de Max Verstappen. Até tocar no carro do adversário, virou motivo de reprimenda. Como se nunca tivesse acontecido antes, isso deu munição para os detratores.

O que deveria ser uma colocação a pratos limpos e determinação de hierarquias, virou politicagem. Michael Masi protela decisões óbvias, deixando em suspenso a suposta não proteção daqueles que mandam na categoria. Ele também está com um saco de batata quentes na mão e tudo fica nas costas dele. 

Tradução: regras são regras. Não cumpriu, punições ocorrem. Cumpriu? Segue o jogo. Elas não estão claras? Reescreva até que fiquem claras. Simplifique até que aprendam, sem ficarem, nos adendos e exceções. 
No caso, sempre dependeu de quem está envolvido na situação.  
E, vez ou outra, aparecem em momentos muito providenciais. A aplicação seletiva, sempre houve. Porque só agora incomoda? 

Bem, eu tenho uma teoria: Lembram que eu dizia que quando Verstappen vence as corridas, alguns bons figurões não gastavam o cartucho de elogios, atribuindo até mesmo ao desempenho do carro, mas quando Lewis é o vitorioso, o entusiasmo fica em proporções exorbitantes?
Talvez ajude a entender o que está acontecendo.

E foi assim que chegamos ao Catar. Com chances de uma corrida chata, com a Red Bull sofrendo com problemas na DRS, a Mercedes não tinha nem mais o assunto de troca de motor para preocupar. Lewis Hamilton voou em Interlagos. Em uma semana, não mudariam setup. Quem tinha que se virar era a Red Bull.

Lewis Hamilton encaixou uma volta rápida previsível na classificação de sábado. Ela também mostrou que o circuito, novo para a categoria, soava pouco atrativo em termos competitivos.
Verstappen ignorou a bandeira amarela no fim do Q3, na qual Pierre Gasly tinha um pneu furado.
O certo seria bandeira vermelha. Parece até que estavam indecisos com a bandeira amarela, que sumiu, um tempinho...

Ah, claro. Abriram investigação. Max seria punido. Não largaria em segundo mais. 
No entanto, deixaram a decisão - óbvia, diga-se - para ser dada poucos minutos antes da largada. 
Você não leu errado. Nem eu li, quando soube da notícia. Mas ficou claro, que não estão querendo ser justos. Era melhor deixar para a última hora, para atrapalhar as estratégias e ajudar que a justiça se fizesse.
O que é a pressão, não é mesmo? 

Para não parecer que estava priorizando a Mercedes, puniram Bottas, com 3 posições, enquanto Verstappen, ficou com menos 5. Em sexto, Bottas "seguraria" melhor Max, que ia largar em sétimo. 
De nada adiantava crer que Gasly atacaria Lewis e fosse bem sucedido. 

Mas é, o seguinte, Verstappen é bom. Detestam ele. Mas ele é bom. 
Em poucas voltas, ele já era o segundo. Não houve "rasgação de seda". Mas, imaginem se fosse Hamilton?
Convicta que interpretação de texto correta, não é para todo mundo, não me importo se me chamarem de Verstapete ou Hamiltete. Se incomodo os dois lados, em alguma coisa que escrevi, então, estou no caminho certo.

Restava saber, quem ficaria em terceiro na prova de ontem.
Parecia que tivesse uma opção "nova": Fernando Alonso. Sim, ele mesmo. Depois de 7 anos (é isso produção?) de jejum. Torci para que desse certo.

Largada aconteceu, Gasly não conseguiu lutar com Hamilton, que tomou distância. Bottas teve um "low power" incrível e ficou em décimo primeiro. Em poucas voltas, Verstappen era segundo.

Depois das paradas, houve um furo no pneu do Bottas que estava em recuperação de posições. No momento do estouro, ele era o terceiro, se a fome da hora do almoço não confundiu minhas ideias. Não vi muito da troca dos pneus. O sinal da TV caiu por conta de uma chuva.
Mais tarde, acabou tendo que recolher o carro.

Um pouco depois, George Russell enfrentava o mesmo, mas como estava próximo dos boxes, conseguiu resolver o problema e voltar para a pista. Só conseguiu ficar à frente de Nikita Mazepin.

Nicholas Latifi não teve a "mesma sorte": com o pneu furado pouco depois do companheiro de equipe, não conseguiu chegar ao pitlane. Deixou o carro numa área de escape e provocou o segundo safety car virtual. 

Resolvido o impasse, a Red Bull foi ousada: tinha uma diferença boa para pararem Max novamente e manter a volta rápida. O lance era se acontecesse um problema no pitstop.
Apesar da torcida para que desse errado, eles conseguiram. 

Depois do Brasil, a diferença entre Verstappen e Lewis era de 14 pontos. 
Com o holandês em segundo, e com a volta rápida do Hamilton, as contas caiam para 6 pontos distanciando um do outro. Com a bandeirada, fecharam com 8 pontos de um para outro. Verstappen mantém a liderança, mas a bola está com Hamilton. 
Aquela minha projeção de antes de Austin só foi mal colocada. O resultado, é o mesmo. 

Os cenários para o GP na Arábia Saudita, outro circuito novo, é mais certeiro para me ajudar na prova de que posso ter errado o caminho, mas o destino é um só. O circuito está com as obras atrasadas, mas vai acontecer. Por isso, roubei o cálculo a seguir, de um perfil estrangeiro, do Twitter, para de uma vez por todas, mostrar que não precisa mais sofrer. Descobri o final da saga antes dos atores encenarem.
Para vencer o campeonato em Jeddah, Max terá quatro combinações:

1) Vencer, resgatar o ponto extra da volta rápida, enquanto o Hamilton só poderá ser o P6;
2) Vencer e sem conseguir o ponto extra, o Hamilton só pode conquistar o sétimo lugar;
3) Se for apenas o segundo, mas garantindo o ponto extra, Lewis só pode marcar um ponto, isto é, terminar a corrida em 10°;
4) Ou ainda, caso Verstappen seja o P2, mas sem o ponto da volta rápida, o Hamilton não pode nem sonhar em pontuar. 

Improvável, certo? Não aconteceu isso nenhuma vez no campeonato. 
O pior resultado do Lewis, foi Monza (e Baku). E o pior do Verstappen, foi Monza e Baku.
Nada adiantou ter 9 vitórias contra 7 do Lewis.
Nada adiantou ter 9 poles, 15 pódios. Muito menos ficar 620 voltas na liderança, contra 171 (rsrsrs...). Nem estar em vantagem por 8 pontos. Nunca abriu uma distância grande para o inglês. 

Então, o que queriam, vai acontecer: a última corrida, em Abu Dhabi, será a decisiva. E é bem possível que eles cheguem lá, empatados. 
Fantástico esse esporte, não?

Podem respirar aliviados. Vai ser "emocionante" mesmo, mas o oitavo título está no papo. O bem sempre vence.

Já adiantando, para não fazê-lo quando for modinha: Parabéns ao Lewis, por mais essa. Sou muito grata por estar presenciando esse momento tão fantástico da categoria. Tanta gente que nunca deu a mínima para a F1, agora, por causa dele, assistem e eu não me sinto mais sozinha. Que alegria é poder ver tudo isso!

A gente se vê hoje (se tudo der certo) na costumeira live do Clube da Velocidade, às 20hs. 

Abraços afáveis e espero que todos estejam bem.

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

Temporada 2021: Grande Prêmio do Brasil

Segunda é dia de postagem pós corrida.

A despeito do último GP ser no circuito de Interlagos, um dos melhores - se não o melhor - circuito do calendário, o que tivemos lá, desde sexta foi uma miscelânia de sentimentos e reações. Boa parte dela, negativa: muita cafonice, muito desrespeito, muita falta de empatia.

Mas não por isso, pedi ao meu amigo Vander, para escrever uma nota sobre a corrida. E ele foi cirurgicamente nos pontos de corrida e destaques necessários do GP em são Paulo. Segue:

***

Olá, atendendo a um chamado(e desde já agradecendo) da Manu, vou escrever algumas linhas sobre o ótimo GP do Brasil de F1!

GP esse que começou com uma punição de cinco posições no grid para Hamilton, pois a Mercedes trocaria o motor do seu carro.

No treino da Sexta, que valeria para o grid da sprint race de sábado, Hamilton levou a pole, com Max, Bottas, Perez, Gasly, Sainz, Leclerc, Norris, Ricciardo e Alonso nas dez primeiras posições. Maaaaaaaaaaas, só que, contudo, porém, todavia, um torcedor filmou Max metendo a mão no carro de Lewis, o que é proibido pelo regulamento, e a Red Bull protocolou uma reclamação de que havia algo fora do regulamento no carro de Hamilton.

O resultado? Max multado em 50 mil Euros por, segundo minha mãe, botar a mão cheia de dedo no carro do Lewis, e Hamilton largando na última posição do grid da sprint por irregularidades na asa traseira.

Bom, a sprint ocorreu com Bottas ganhando, seguido por Max, Sainz, Perez, Hamilton(numa escalada sensacional! Em 24 voltas, saiu de P20 para P5!), Norris, Leclerc, Gasly, Ocon e Vettel no top 10. Mas Lewis perdeu cinco posições, então ele largou na P10.

Na corrida em si, Bottas perdeu a posição na largada para as Red Bulls, Max em primeiro e Perez em segundo. Enquanto isso, Lewis escalava o pelotão e quando chegou ao quarto posto, Bottas deixou Lewis passar e o que se passou foi o britânico caçando as Red Bulls!!

Com o carro em excelentes condições nas retas e as Red Bulls sofrendo com desgaste de pneus, foi questão de tempo para Lewis assumir a liderança da corrida e vencer o GP Brasil!!

E os dez primeiros foram: Hamilton, Max, Bottas, Perez(e levou um pontinho pela melhor volta), Leclerc, Sainz, Gasly, Ocon, Alonso e Norris.

Enfim, foi um divertidíssimo GP do Brasil!

Vale destacar a ultrapassagem de Hamilton em Perez no "S" do Senna e o Mexicano dando o troco já no final da reta oposta! E teve outras boas disputas interessantes ao longo da corrida.

A nota bizarra do GP fica por conta das vaias a Max na entrevista pós corrida e no pódio!

Teve Lewis carregando a bandeira para delírio da torcida presente e a Mercedes mandando ao pódio o engenheiro  brasileiro para receber o troféu da equipe, mas nada que justificasse as vaias para Max!! Totalmente desnecessário!

No mais, foi divertidíssimo ver o GP brasileiro! Até um dia!

Abraços!

Vander Romanini

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Obrigadão Vander, pelo tempo e pelo texto. Você tocou nos pontos necessários que deveria e de forma bem descontraída e criteriosamente correta.

Fico por aqui, esperando que em breve, possa dedicar algumas palavras por aqui, mas no momento, estou sem condições disso. Abraços afáveis!

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Temporada 2021: Grande Prêmio do México

Começou o drama, digno de novela mexicana, na Fórmula 1?
Talvez não. 
Ou talvez sim.
Eu tenho algum palpite? Para o desespero de alguns, eu tenho, rsrsrs...

Todo mundo gosta de corrida movimentada. Mas todo mundo ama também, corrida em que o cara que tem uma grande torcida, ou acha-se merecedor do troféu final, por simpatia, por encanto, porque está na moda, ou porque é errado torcer contra, acaba sendo o vencedor.
Quando ele não faz muita coisa que encha os olhos, todo mundo diz: "bem, mas que corrida chata!" E convida os demais para tirar um cochilo, comer alguma coisa ou assistir um filme na TV enquanto ela acontece. 

Eu cogitei assistir os treinos livres de sexta. 
Mas ponderei. Minha semana de estudos estava levemente atrasada. Então, não assisti nenhum e chequei os tempos marcados, li algumas coisas sobre. 
O pessoal parecia convicto que o GP do México seria mais um marcado por vitória da Red Bull. E isso, gerava um desconforto à despeito do fato de que a equipe, enfim, estava mostrando uma certa capacidade inesperada e também apimentando o campeonato que vinha sendo previsível nos anos anteriores.

Com chances, pela primeira vez na carreira, de vencer em casa, alguns apostavam em Sérgio Pérez para ser o protagonista no domingo. 
Eu duvidava da possibilidade de vitória. Pérez pode ser melhor segundo piloto que a RBR tem desde... Mark Webber!! Mas ainda não é tooooda essa Brastemp. (Os enfermamente jovens não vão entender essa expressão, mas desconfio que eles me ignoram completamente. Como não falo o que eles gostam de ouvir, não me darei o trabalho de explicar. De qualquer modo: basta dar um Google, caso não saiba do que se trata.)
Pérez nunca foi o coringa do jogo, apesar da promoção entre os especialistas, sobretudo, no ano passado, defendendo efusivamente que uma equipe grande o contratasse. 

Além disso, não deveria ser do plano da Red Bull gastar uma vitória só por cordialidade, com seu segundo piloto que, até o momento, não fez nenhuma corrida que ajudasse significativamente o primeiro e competidor direto do campeonato mundial, Max Verstappen. 
Nesse sentido, ele e Valterri Bottas são muito semelhantes entre si, mas com uma vantagem para o segundão da Mercedes: O finlandês marcou mais pontos que o mexicano nessa segunda metade da temporada e mesmo assim, não se comenta sobre isso.
 Alerta: Números só são mencionados pelos analistas de plantão, quando convém defender as suas "torcidas" disfarçadas como fatos. 
Pérez existe ali na Red Bull para ser o ajudante? Sim. Ele poderia não fazer "team work" e pensar em si o tempo todo? Também. 
Mas essa última opção teria consequências. 
Dói que ele não pudesse vencer em casa? Sim. Mas a F1 não é parque de diversões. Ela é, muitas vezes, um parque cujo escorregador é de lâminas de aço e o ponto de chegada é uma banheira de álccol.

Como a opinião muda sem nenhuma causa aparente e fã de F1 é mais volátil que éter, eu não considerava que houvesse algum tipo de coerência no pensamento rudimentar da audiência (com jornalistas e especialistas inclusos) sobre o que poderia vir a acontecer no GP do México. Pois nunca há.
Dependendo do que está em jogo, você compreende certas torcidas, simpatias ou análises, mesmo que soem falsas para os mais atentos e ao perceber, sua cara de descontentamento vai ser inevitavelmente, visível. 

Bom, fui desgostosa assistir a classificação. Não que eu não goste do circuito ou da atmosfera (apesar de embaçada) da pista mexicana. Eu só desacreditava que a Red Bull levasse a pole e portanto, tornava a experiência previsível. 
Ando bem cansada, fazendo muita coisa ao mesmo tempo. Tentei relaxar com um filme na TV e interrompi para assistir à classificação e confirmar minhas expectativas. Isso me fazia questionar o uso do meu tempo de descanso.
Eu desacreditava até que Pérez estivesse entre os três primeiros. Apostei em pole da Mercedes. Estava claro, para mim, que rolava um "sandbagging", a especialidade da casa, desde os treinos livres. Isso seria noticiado depois como algo surpreendente e a Red Bull precisaria arrumar justificativas. 

No que antecede todo GP sempre aparecem declarações de um lado e de outro. Ataques que só são considerados ofensivos quando vem de um certo austríaco. O compatriota, mais bem apessoado, é o chefe supremo. Tudo que ele diz é aplaudido, mesmo que sejam um pacote de inverdades.
O mesmo, se desestabiliza somente quando aparece "atrás no placar" e é por isso, que quando diz algo quando está nervoso, chega a ser engraçado. 

No jogo, quem tem sempre que fazer valer a presença - e não sem algum custo - é Max Verstappen. Antipático ao público que gosta de uma cena, ele é duramente sincero e um tanto petulante demais, e isso, o torna excludente do "oba-oba".  
Nenhum custo mais intenso, é cobrado de Lewis Hamilton. Tanto é que o papo segue como ladainha: "a Red Bull tem o melhor carro". 

Uma mentira dita várias vezes, se torna verdade. Essa é uma frase que todo historiador que se prese, seja ele marxista ou conservador, alguma vez já contextualizou.Mas nesse caso fútil, trago como exemplo de como foi comprado sem que se colocasse a premissa em xeque, como deveria.
Experimente dizer que a Red Bull não tem o melhor carro e veja a faísca que causa um baita incêndio. Num grupo de pessoas, de 10, você será o único (ou a única) a dizer isso e também será, sozinho(a), rechaçado(a) com o (fraco) contra-argumento: "você não sabe do que está falando".

A explicação para terem adotado isso, toda vez e até quando a Mercedes aparece "superior", é a trajetória construída até aqui. E é simples pensar porque é repetida muitas vezes. 
Vejam, dizer o contrário - ou seja, de que a Mercedes ainda é superior, ainda que menos que antes - levantaria a possibilidade de questionar a qualidade da lenha que o heptacampeão, Lewis Hamilton, ainda tenha para queimar. 
Ninguém vai querer ser o "primeiro" a tomar pedrada ao mencionar isso.

Bem, eu  não vejo problemas. 
Se questiona Michael Schumacher, Kimi Räikkönen, Fernando Alonso, Sebastian Vettel... etc. pelos seus feitos, conquistas e como foram adquiridos os títulos por colocações redutivas como 
"só conseguiu sendo antiesportivo";
"só conseguiu porque o Felipe Massa abriu na última corrida"; 
"só conseguiu porque Flávio Briatore fazia tudo para ele"; 
"só conseguiu por guiar um carro projetado por Adrian Newey".

Claro que não concordo com nada disso, mas essa argumentação acontece. 
Há uma mania patética de tomar o resultado depois do acontecido, buscar uma explicação para ele, ignorando completamente que, nem tudo na vida, tem uma causa e efeito. Esse papo universalizante de que tudo tem uma razão de ser, ou a generalização redutiva, faz parte de nossa cultura. Arrancar isso de nós é difícil, mas com esforço, torna-se possível.
Mas se acontece essa depreciação rotineira com esses campeões mundiais, e outros até, que são considerados "nada", o que faz de Lewis passar a ser sumariamente isento dessa "injustiça"? 

É um tanto, digamos, proibido questionar Lewis. Quanto aos outros, não há problemas. Mas Hamilton? Aí simplesmente beira a insanidade. 
Nisso, nada surpreende que, qualquer um que aplacasse, sem querer (ou por querer), qualquer vitória de Verstappen, esse ano, ganharia, com o passar da temporada, o coração do torcedor da F1. Fosse quem fosse e poderia ser qualquer um, nem que fosse por algumas horas, ou só um dia. 
Me parecia ser algo a ser pensado e tentei marcar um ponto onde isso pode ter começado a fazer sentido (claro, fazendo o papel bobo de buscar a causa e o efeito, depois do acontecimento).
E parece propício dizer que foi depois Silverstone. Foi ali também que o discurso de que o clima ficou insustentável, surgiu. Por provocação, quem foi escalado no elenco como vilão não foi o ator certo. 
Mas também, a audição para o herói, nem era a vontade inicial de um deles. Pouco importava (e acredito que pouco importa) qual o papel designado. Para o outro, só havia uma possibilidade: os holofotes.

Desde o GP citado, não se sabe se torce por um "pega" entre os dois, ou por uma competição direta, mas completamente limpa. Essa segunda opção, arrisco dizer, todos diriam ser impossível dada a habilidade agressiva de Max. Como se Lewis fosse, desde 2007, um ser passível de ter asas e auréola invisíveis.
Eu queria uma disputa ferrenha em todos os GPs. Mas deixei de querer, num dado momento que não sei dizer exatamente qual, mas por perceber que se monta uma injusta separação, como sempre houve na história da categoria. 
Isso faz diferença no apelo, principalmente pois, se brada que vivemos tempos diferentes, mas seguimos os mesmos padrões de antes dessa tal mudança "planejada" e totalmente abstrata. E de algum modo, toda opinião gerada a partir de toques, acidentes ou disputas por posição estraga com as proteções desmedidas, as tomadas de partido infundadas. 

Depois de todo o assunto de quem é que está mais pressionado psicologicamente, eu tive a clareza de quem parecia estar começando a perder as forças. Ele, optava pelas mesmas fórmulas usadas no passado: o discurso, o "trash talk" ainda que sutilmente imperceptível que fosse, sempre foi de fel. 
Mas, como a rotina nos faz pensar que temos conhecimento das coisas - tal como dizemos, "com certeza que o Sol nascerá amanhã, pois ele nasce todos os dias" - Lewis, em algum momento, iria (ou irá) fazer algo, dado como extraordinário, e venceria (ou vencerá) o oitavo campeonato. 
Ainda acredito nisso. Faltam 4 corridas. 

O sábado de classificação "surpreendeu": Valtteri Bottas fez a pole. Estranhamente, Toto Wolff vibrou como se fosse o Lewis. O inglês também ficou até satisfeito com o segundo tempo. Max era só o terceiro, com cara de poucos amigos (direito que não é dado à ele). Pérez foi o quarto colocado. 
Mais estranho que a reação do "boss" da Mercedes, foi a reação da internet: todo mundo parecia estar adorando o Bottas? Que diabos era isso?
Ah, lembrei!!! Aquele austríaco, "que só diz besteira", "fritador de pilotos", chamado Helmut Marko, declarou antes do GP do México que aguardava que Bottas voltasse à má fase, criticando o finlandês como se "ser ruim" fosse a sua "melhor qualidade". No cinismo, ele dizia que era isso que ajudaria Max e a Red Bull.
Não concordavam, mas deram como resposta bem dada por parte do Valtteri. Tomavam que Max fizesse bobagem, Bottas precisaria abrir para o Hamilton e isso deixaria até espaço para o Pérez brilhar com um pódio em casa.

Com a pole do Bottas, aqueles comentários feitos antes do Helmut tornaram ele alvo de mais críticas. Dias antes, Toto Wolff fazia colocações muito cruéis sobre a equipe de energéticos e uma defesa quase exagerada de seu piloto principal, mas não houve tanta gritaria como houve com o Sr. Marko, obviamente. Uma, porque Helmut não tem tato para dizer as coisas enquanto Toto, geralmente é mais ameno (porém, não quer dizer que seja menos maldoso).
A reação de Toto e dos "fãs de F1" em relação ao Bottas, estava justificada, embora parecesse questão de tempo para voltarem a falar mal do finlandês.

Sabendo então que a minha aposta estava basicamente correta, não esbocei nenhuma surpresa na classificação. Eu disse que a Mercedes estava fazendo um sandbagging. 
É certo, como 2+2 são 4, que domingo seria outra história. Mas, tendo a experiência de Mercedes nesses sete anos de campeonato, e também, sabendo que eles perderam o fio da meada em Austin, eles viriam com cartas na manga para assegurarem a performance de sábado. Iriam vencer essa batalha e todo mundo falar que conseguiram "apesar de não terem o melhor carro".
As justificativas, já deixo registrado: dirão que tiveram material humano, inteligência, a tal competência e até mesmo (me contenho para não rir ao digitar isso) a humildade que a Red Bull nunca teve. 

Bastou que se aproximasse da hora da corrida para sabermos que Max estava com problemas na asa traseira. E no caso, passaram a asa ao carro do Pérez na classificação. 
Ela se auto-danificou por conta da carga de velocidade e eu não saberei explicar, porque não entendo disso. Façam as suas pesquisas e provavelmente encontrarão algo sobre. Um fio de twitter ou coisa parecida. 
Fomos ávidos a dizer que a Mercedes estava melhor, disseram. Antecedemos que Max estava perdendo forças por pressão, completaram. 
A tal troca veio à tona e muita gente começou a chiar por isso não ser muito correto na competição. De certo, a Mercedes nunca fez coisas semelhantes. 
Estão acompanhando que, desde que começou essa segunda metade da temporada, se fala em troca de motor, tanto do Max quanto do Lewis, em algum momento? 
Max trocou no GP da Rússia. Largou do fundão. Na Mercedes, trocaram o PU do Bottas para que ele ficasse no fim do grid travando Verstappen de ir ganhando posições rapidamente e evitar que terminasse numa boa posição na corrida, com pontos expressivos. A chiadeira não foi tão alta na ocasião. A tática era considerada, inclusive, aceitável. 
Lewis ainda não trocou esse maldito motor. A cada GP surge essa tensão. Toto acha que isso será inevitável, mas ela nunca parece realmente necessária. Significaria colocar o cara no fundo do grid e em condições mais hostis de performance.
Eu ainda não disse isso, por medo de ser xingada por nomes feios, mas poderia apostar que essa troca de motor não acontecerá. Se permite a audácia e provocar, pergunto: Quem garante que já não trocaram e falaram que foi o Bottas, para ele tomar a punição e não Hamilton? 

Como deu para perceber, muita gente não quer um campeonato pegado. Querem que as coisas continuem exatamente como estavam: Lewis vencendo, tendo uma disputa na largada ou uma conquista de posição nas voltas finais e fazendo uma festança no final em 2/3 das corridas do campeonato.  
Isso está mais na cara que nariz. 

Assim, antes da largada, a sensação era de que a corrida seria morna, logo na segunda volta. 
Hamilton tomaria a ponta, como já se sabia. Ele mesmo disse contar com o "team work" de Bottas. As chances de ser uma corrida chata eram bem grandes. No entanto, se em Austin, Verstappen botou pressão na largada e em primeiro, parecia que ele faria o mesmo e raivosamente, vindo do terceiro lugar. 
No sábado, o holandês deu a letra de que Pérez e Yuki Tsunoda não o ajudaram. Criticou-se a postura de Max como se não fosse algo esperado dele.
Pérez, disse que as Mercedes eram muito velozes - de algum modo, com isso, acabou tirando a "responsa" de si. Se ele tem o melhor carro do grid, porque não fez mais do que um quarto lugar?
Matérias diziam que a Mercedes surpreendeu e a Red Bull havia perdido para si mesma. Tsunoda foi culpado e minimizou sem um argumento muito elaborado.
Max ouviria o conselho de gente mandona - "se vira, você não é quadrado" - ou ficaria chorando o fracasso de sábado? 

Eu achava que seria a segunda opção. Não dá para negar: ele sempre se vira. 
Max ia tentar algo na largada. Imaginei que seria uma disputa direta com Bottas. Era até possível que se tocassem. Como todo mundo de repente estavam adorando o finlandês - que desde o aviso prévio, está mais simpático e sorridente - diriam que ele foi prejudicado. Se ele evitasse o toque, voltaria a ser o frouxo que não sabe fazer "team work".
A questão está posta: fora da equipe, Bottas não tinha obrigação nenhuma de ajudar, a não ser que tivessem prometido uma bonificação daquelas bem gordinhas. 
Ele nunca bateu de frente com a equipe, então, a única coisa que posso dizer ao certo que essa sua subserviência é irritante. 

Mas olhem bem essa foto da largada:


Não vou escrever muito. Olhem essa foto e lembrem do que viram da largada. 
Saibam que depois disso, Verstappen foi cirurgicamente corajoso e passou tanto Bottas quanto Hamilton. Bottas freou porque não poderia movimentar-se muito para a direita ou atingiria Lewis. Hamilton por sua vez, largou muito mal
Ao perder-se completamente, o finlandês foi atingido, na traseira, por Daniel Ricciardo, à esquerda da foto. Como? Era esse bolo aí. A questão que ninguém vai explorar é que Bottas não tinha muito o que fazer e o cara virou ao contrário e teve que esperar todo mundo passar para se posicionar em último.

Olhem de novo para a foto: Bottas está mais para o o lado do Verstappen do que para Hamilton. Ele tinha que se manter na pista, deixar Lewis passar, travar Verstappen, e o Pérez poderia atacar pelo meio... 
Um segundo antes, Verstappen não ia atacar. Ao ver que Hamilton não tinha passado de primeira, ele viu um espaço à sua esquerda e arriscou. E deu certo. 
Não gosta do cara? Mas admita: ele é bom. 
Porque Lewis então, aquele que é o campeão cerebral, que é sagaz em aproveitar as oportunidades, não largou de forma segura. Não planejou com Bottas que avançaria, ou nem esperou abertura do uso da DRS para passar o companheiro, optando pelo conservadorismo resolvido estrategicamente depois?

Nesse sentido, e em defesa do Bottas, que não deve nada à Mercedes, que não perde a oportunidade de humilhá-lo, e poderia dizer: "azar o de vocês" - acabou declarado culpado.



Ainda que não seja verdade, ninguém se importa com isso. Bottas nunca foi legitimamente o companheiro ideial de Hamilton. Foi só um jeiro meigo de dizer que ele era excelente para as desculpas.
Para piorar, Bottas penou o resto da corrida toda.  Ficou atrás do Ricciardo durante várias voltas. Do nada, o carro simplesmente não rendia e estava sendo a piada da corrida. 
Claro, ele é ruim. E além disso, não tem prioridade na equipe. E mais outra que ninguém ia fazer boas estratégias para ele passar a McLaren logo e sair cortando caminho. O foco, era lá no segundo colocado, que lá na casa das 20 voltas, ia começar a protestar sobre o desgaste de pneus. 
Estranhamente, isso não aconteceu. Mais para o final da corrida, ele perguntou se alguém da equipe ainda estava com ele, dando a letra de que realmente, não havia o rádio "coach". Porque será?

Entre os demais, pouca coisa acontecia. Esteban Ocon que numa tacada só, tirou Mick Schumacher e Tuki Tsunoda da corrida dando uma calmada nos ânimos pós largada, que propiciou um Safety Car. Durante a corrida, é necessário dar destaque para Pierre Gasly, Sebastian Vettel, e Kimi Raikkonen. No fim, Gasly foi quarto colocado, Vettel voltou a pontuar - em sétimo  e Kimi, também, com um sólido P8. 

Bottas foi usado como rato de laboratório. Chamaram ele duas vezes para trocar pneus, nas voltas finais. Duas tentativas para o cara não marcar pontos, mas sim, fazer volta rápida e tomar o ponto extra do Max. 
Táticas interessantes? Afirmativo quando é a Mercedes que faz. Quando é Helmut Marko e cia. impondo, está "fritando" pilotos talentosos. 

Ontem, fiquei de cara com Hamilton. De novo. Pintado como santinho, bonzinho, legalzão, ele sempre dá sinais de que é só uma carcaça. No cercadinho de jornalistas, ele mandou essa, após a corrida:







Para quem não é muito familiarizado com o inglês, aqui vai numa tradução (fajuta) do que Hamilton disse: "O ritmo dele [Verstappen] era incrível, não havia nada que pudesse fazer para lutar contra isso. Quando você tem o Checo perto, sabe que o carro é rápido."

Nada demais. Mas lembrem-se que Verstappen depôs contra Pérez e Tsunoda na classificação e não foi aplaudido. Em tese, ele humilhava os esforços dos caras. Aqui, a frase do Hamilton não é assim interpretada.

Quando Lewis sorri, ele encanta. Sejamos sinceros: o cara é bonito, e por isso encanta. Mas é um ótimo ator. Recorte a frase e leve à boca de outro. Aposte o que quiser que o dito sobre "quando se tem Checo por perto, se sabe que o carro é rápido" é uma forma de menosprezar o talento do piloto mexicano.
Depois se reclama porque os mexicanos vaiaram o inglês.
Quando as coisas não funcionam, a gente vê o verdadeiro Hamilton.

Ainda há campeonato? Sim. Max abriu 19 pontos de vantagem, mas isso ainda não é motivo para ficar parecendo criança que foi a última a ser escolhida para compor a equipe da gincana emburrada e de braços cruzados. Nem venham com essa de "entreguem o troféu para o Max e vamos para 2022, logo". Não sejam infantis. 
A Mercedes não vai deixar os dois campeonatos escapar pelos dedos, assim. Lembrem-se que os dados não mentem e a coerência deve ser alimentada com boas doses de proteína animal para ficar bem forte. Sempre se disse que a Mercedes vence por ser competente e tem o melhor de todos os tempos como piloto. Isso é suficiente para contornar a situação, não é? Então, fiquem calmos. Vencerá o melhor, como vocês sempre analisam.
Não precisam começar a procurar desculpas, nem subires as culpas de outros, muito menos insistirem que Max só faz o que faz porque a Red Bull é imbatível. A Mercedes vinha sendo nesses anos todos e nem por isso, aceitam quando isso é afirmado por alguém. Lembrem-se: sejam coerentes.

O próximo capítulo desse drama, digo, dessa temporada será aqui no Brasil. Mais uma vez não estarei lá e por mais que me corte o coração não ter a oportunidade de ir em Interlagos como encontro/despedida do Kimi Räikkönen, os motivos que tenho para isso, julgo nobres: 

1) Minha opção era ir lá num GP, no ano passado, quando não teria muita coisa do doutorado para dar conta. Também achei que teria bolsa, em algum momento, o que não aconteceu. Eu não consegui aulas no estado e entrei 2021 sem emprego, de novo. Eu não poderia torrar grana na F1 sabendo que não tenho perspectivas seguras de "reaver" esse dinheiro.
2) Ainda estamos em pandemia, caso ainda não perceberam. Apesar de estar com as duas doses da vacina em dia, é sabido que elas não "imunizam" - e esse termo é mal empregado por aí. As vacinas evitam casos graves e internações. Mas não isenta de acontecer ambas, ainda que a estatística seja muito pequena. Isso posto, eu ainda tenho receio de aglomerações. Se não vou na faculdade, estudar, não vou à um evento cheio de gente que vai ficar gritando no meu pé de orelha. 

Desejo à todos que vão ao GP, que sejam felizes na experiência, e sejam cordiais com os outros torcedores. Sei bem que rola uma palhaçada de importunar os fãs de piloto x ou y, se achando superior à eles, e o nome disso é inveja. Também isso mostra que vocês realmente não gostam da F1, vocês gostam é de encher o saco.
Vá para curtir o seu piloto, a sua equipe, a corrida, e ficar com amigos/colegas que conheceu por conta da categoria. Sejam gente decente, e curtam o momento, com segurança. Usem máscara e tenham o tal álcool gel sempre acessível. E espero, honestamente, que isso seja o suficiente para voltarem para casa, saudáveis e realizados. 

Hoje tem live no Clube da Velocidade, às 20hs. Assim que o vídeo estiver disponível, vocês poderão entrar no canal do Youtube, e ativar o lembrete. Se não assistiu o da semana passada, ou as edições anteriores, podem aproveitar essa segunda, nas horinhas vagas, e se atualizarem. 
 
Abraços afáveis e até segunda que vem! Cuidem-se!!