segunda-feira, 11 de outubro de 2021

Temporada 2021: Grande Prêmio da Turquia

Tracei metas: "Vou escrever sobre o GP da Turquia em no máximo, cinco parágrafos e nenhum deles poderá passar de 10 linhas". 
Já comecei a redigir sabendo que vou falhar miseravelmente na tentativa.
Não que haja muito a ser comentado da corrida em si. Se assim fosse, eu não poderia achar que falharia. Bastava usar uma boa noção de síntese e contasse o que houve na corrida em 5 parágrafos, tendo 2 para o começo, 1 maior para o meio e 2 parágrafos finais com o final e levantamento do campeonato. 
No entanto, não é bem isso que eu faço aqui. 

Eu costumo fazer diferente, já sabem. E esse formato, demanda tempo. Eu comento os pontos ocorridos, pressupondo que vocês viram a corrida, e tento interpretar de algum modo, os ocorridos. 
Com pontos de vista polêmicos? As vezes. Com reclamações exageradas? Quase sempre.
Fato é que, ultimamente, fã de F1 é um fã que passa boa parte do tempo reclamando do que vê. Saibam que estou nessa a mais tempo. Eu tenho reclamado desde 2014-2015 dessa categoria, quase que de forma automática e incansavelmente.

Minto. 
Incansavelmente, não é mais o fator preponderante na temporada de 2021 - ainda que ela seja a mais empolgante desde ("meh") a metade da de 2018 (pois, depois de uma certa etapa, aquele ano ficou bobo e o previsível das últimas edições).
O grande lance está sendo a interpretação que se tem feito do campeonato, e que tem sido incômodo. Dito de outra forma: praticamente ninguém está dando o devido crédito ao que se deve e tornando quase insuportável permanecer, por exemplo, alimentado esse espaço.

Pior que isso, 2021 é um repositório de falácias empolgada regadas à achismos (algo que sempre houve) e uma torcida exagerada que não se preocupa em ser racional nem mesmo, justa (algo que era somente justificado quando era à cargo de pachequismos).

Contando que vocês viram a corrida, não vou soltar ponto a ponto do que aconteceu. Vou fazer a patética interpretação baseada em vários nadas, pois parece ser um grande sucesso no Twitter, sobretudo se você for uma mulher (atraente?) ou um jovem rapaz popular e engraçadinho. Você pode também ser um ou uma jornalista descolado/descolada e dizer certas obviedades, partilhando, repentinamente, de uma análise fajuta e fica tudo certo no contexto. Não sou nenhuma dos três tipos citados, então, porque não fazer o mesmo, para ganhar um holofote e fazer valer o tempo gasto? 

No sábado, Lewis Hamilton fez o melhor tempo. Era sabido que o segundo colocado, de qualquer maneira, era o que seria creditado como pole, já que o inglês preferido do todo mundo estava em situação de punição por uma troca de um elemento da unidade de potência. Como não foi uma troca completa, o dano seria mínimo: 10 posições a menos e ele largaria do 11º lugar. 
Mesmo sabendo disso, ele foi para a pista que estava molhada por uma chuva que tinha acontecido pouco antes. Arriscou? Não. Ele estava abordo de uma Mercedes, e sendo o campeão mundial que é, ele não correr riscos.
Chegamos a ver uns carros rabiando, uma fila gigante para sair no Q1, pois marcar um tempo logo era necessário, caso a chuva desse as caras novamente e bem... Ele tinha toda vantagem possível em fazer o primeiro tempo, algo que, sumariamente,  deixou no ar aquele tom de "voltamos ao marasmo da previsibilidade" com as Mercedes muito superior às demais. 

De novo: Mesmo sabendo disso, ele estacionou o carro com o totem de P1 à frente, comemorou com a equipe, assinou o pneu da Pirelli com cara de "vou ter que jogar mais esse fora", como manda o protocolo. 
Rimos, de doer a barriga quando Bottas soube que era o pole e o engraçado e animado Lewis ofereceu o pneu assinado por ele, na coletiva após a classificação. 
Imagina reclamar disso!! Um detalhe, certo? No entanto, parece que Fernando Alonso esteve nos atentando para algo que, já estava aí. Nós, pequenas trouxas de vento, aceitávamos com naturalidade e não deveríamos. 

Sim, Fernando Alonso atentou para algo, na quinta-feira, que li em um blog a muito tempo atrás. A página, que não existir mais, disse uma vez que havia regulamentos para pilotos ingleses e outro, para todo o resto. Não é tão suspeito assim que a dona desse argumento fosse uma pessoa que torcia por Alonso em seu auge. Nisso, também nem poderia provar a afirmação.  
Mas, pensando com exatidão, é isso mesmo. Estranhamente, apenas os espanhol teve ainda a "pachorra" (na falta de um termo melhor) de dizer algo em torno disso na imprensa, atualmente e ser, obviamente, criticado como se fosse algo totalmente sem noção.

Mas aí está! Aquela seletividade que eu sempre disse ocorrer com as regras da categoria, pressupondo quem, como, e quando cometeu a  suposta infração, num todo facilita a vida dos  britânicos, direta ou indiretamente. Como nunca cheguei à essa conclusão, é uma falha cognitiva grande de minha parte. Nos últimos tempos, o militante e poderoso dentro e fora das pistas, Hamilton é o mais beneficiado de todas as tais regras, obviamente pelo destaque que estava alcançado ano após ano. E por essa circunstância única é imprescindível que ninguém concordará com Alonso, somente por - permitam-me fazer as aspas do senso comum - "tomou pau do inglês novato em 2007". Entende-se que se trata de ressentimento, mas me parece um aspecto que não deveria ser considerado assim.

Para se ter uma ideia, um discurso pós-classificação e pré-corrida foi repetido exaustivamente como se fosse verdade universal. O próprio Hamilton disse que seria uma corrida difícil, e foi respaldado pelo chefe Toto Wolff, reproduzido muito na transmissão (irritante) da Band.
Desde Silverstone (e isso se comenta muito na mídia exterior, mas aqui, pouca gente partilha da mesma ideia), a Mercedes tem sido expressivamente melhor que a Red Bull. A mudança nos pneus, tornando-os mais resistentes, favoreceu a "equipe alemã" em termos de desempenho, enquanto a Red Bull tentava, com o que tinha, resolver os prejuízos não premeditados e tentava também, lançar luz ao carro da rival, no afã de mostrar alguma irregularidade, por fora da disputa na pista.
Em vão, como já era de se esperar.

Fiz um comparativo muito simplificado entre Bottas e Pérez na última postagem de tabelas. Podem ver detalhadamente aqui, se quiserem. É essa base que trago como desenvolvimento para o restante desse texto: Depois das férias, o finlandês marcou 40 pontos, enquanto Pérez, somente 18. Com a corrida na Turquia a conta ficou 66 pontos para Bottas em 5 corridas e 33 para Checo, nas mesmas 5 (Bélgica, Holanda, Itália, Rússia e Turquia). Simplesmente a metade.
É aí que mostra o pulo do gato da Mercedes. Quando as coisas soaram "mais favoráveis" eles puderam dar o disparate de usar o Bottas de todo o modo que quisessem a conseguir mais pontos para o campeonato de construtores, praticamente garantidos, desde o GP britânico.

É também fácil contar que o mexicano é melhor que Bottas, ainda que eu tenha opinião pessoal que não se trata disso. Fazer analogias com coisas distintas é um erro em muitos casos, sobretudo pela escassez de similaridades. Por exemplo, comparar laranjas e maçãs só porque ambas são frutas, dão em árvore e possuem caroços, não fazem delas iguais. 
Porém, é comum ouvir e ler por aí esse tipo de parâmetro. As semelhanças: os dois são pilotos suporte de duas equipes que estão disputando o campeonato ponto a ponto. Seus chefes tem um piloto prioritário e eles são os escudeiros, peças-chaves para roubar o máximo de pontos dos rivais. No entanto, são caras com habilidades, jeitos e raciocínios completamente diferentes. Além disso, superam (ou não), a pressão de forma distinta e possuem, para todos os casos, equipamentos que não partilham equiparidade sequer dentro de suas equipes com seus companheiros... Que dirá, entre si. 
O comparativo é impróprio, mas corriqueiro e nos leva a concluir, a partir dos somatórios de pontos que fiz de modo consciente dessa diferença entre eles que o carro da Mercedes é superior.

Se no começo do ano, o diferencial em relação aos anos anteriores estava colocando a Red Bull próxima (não superior, embora se afirme essa idiotice) à Mercedes, depois de Silverstone isso deixou de ser mais preponderante para pensamos como Max Verstappen está gerindo o campeonato. A Mercedes, na Turquia, deixou claro que, se não é o trabalho firme e potente do holandês, A RBR poderia estar em apuros, como foi em 2014.
Digo isso, baseado em quê? Na mesma premissa de pontos nas últimas 5 corridas, isto é, depois das férias, Max marcou 80.5 pontos, enquanto Lewis (que insistiu que o rival estivesse, depois do GP italiano, sob alta pressão, mesmo sem ter cometido erros crassos no campeonato, até ali), marcou 54.5. 
Na proporção, a Mercedes marca mais pontos com seu segundo piloto (no total, 120.5) do que a Red Bull com Pérez (no total 113.5). 

O diabo está nos detalhes. Depois de ambos terem sofrido punições por troca de componentes do motor, Verstappen não recebe os devidos créditos. Ele saiu do fim do grid em Sochi, com muito mais carros para lidar e acabou chegando em segundo, aproveitando-se da chuva para passar os atarantados e fazer rapidamente a troca para pneus intermediários. Sendo comumente excluído de pelo menos sinceros elogios, o holandês pode ser turrão, falar coisas impróprias em momentos inoportunos, ou set simplesmente antipático, mas não se diz com a devida proporção que, até agora, ele não mostrou resiliência, nem mesmo, falta de esportividade que não seja comum do calor do momento, de uma disputa. Enquanto isso, Lewis, que sempre soou inabalável com relação à pressão psicológica, sofre, mais que o jovem afoito, para se manter digno dos 7 títulos mundiais e a experiência de 14 anos que lhe deu algumas características para os fãs da categoria. Quais? Listarei abaixo, reconhecendo que posso esquecer de algumas e outras:

1) Conhecido como um excelente gerenciador de "borracha";
2) Rei da Pole Position, insuperável;
3) Maior vencedor de todos os tempos, com 100 vitórias; 
4) Um cara inteligente e limpo nas disputas por posições;
5) Um piloto exemplar e rápido, que desenvolve com a equipe, carros ideais e isso, reflete no (bom) desempenho de seus companheiros de equipe. 

Pontos que eu, petulantemente, faço ressalvas com o pressuposto de que todo gênio tem defeitos e desvios como qualquer ser humano: 

[1] a) Apesar de sempre reclamar do desgaste dos pneus, toda "santa" corrida;
[2] b) Com calendários inchados, com mais de 15 corridas por ano, esse feito soa muito possível para quem é tão habilidoso;
[3] c) 100 vitórias em 14 anos, correndo com o mesmo tipo de motor em todos eles, partilhando mais da metade destes anos de uma posição prioritária na equipe, além de ter ficado 7 (e agora 8) temporadas guiando o melhor carro do grid, não parece ser difícil para quem é tão bom; 
[4] d) Inteligente todos são. Rompantes de burrice, todos tem. Mas essa história de "100% limpo" é duvidosa. Ontem mesmo, sem DRS, ele penou com algumas ultrapassagens e quando chegou em Pérez, deu um "chega para lá" que ninguém viu, de tão sutil que foi, mas existiu.  Além disso, o movimento em Silverstone está na conta, queira admitir ou não. (Se quiser e tiver coragem, considere sua carga de culpa no incidente em Monza, também); 
[5] e) Se fosse um cara que tivesse aprendido bastante em 14 anos, não agiria de forma "chiliquenta" quando estratégias dão errado e nem culparia a equipe de todos os erros, como se fossem os estrategistas da Ferrari. A Mercedes é a equipe que deu à ele todos os seus títulos mundiais. Um, com o motor, e seis com uma estrutura completa. E está a passo de entregar o oitavo título (e se ele não é só pelo carro, conseguirá ser bem sucedido).
Além disso, quem desenvolveu esse carro foram Michael Schumacher e Nico Rosberg - contando com excelentes palpites de Nikki Lauda.

Desse ponto, volto à corrida. 
Com a pista molhada, o GP da Turquia aconteceria com todos de pneus intermediários. Apenas Alonso rodou na largada (caindo para o fim do grid) por conta de um toque de Pierre Gasly - por sua vez, sanduichado por Pérez. O espanhol ainda, pouco depois, tocou em Schumacher fazendo-o rodar e cair para último. As condições da pista, ainda eram escorregadias, mas não catastróficas.


Bottas fez uma largada boa, e sem atrapalhar Verstappen, pensou em si e na vitória. Fez bem o finlandês. Trabalhar para a equipe que sequer bate palma para ele, no alto do pódio, não vale a pena. Ainda mais que no ano que vem, está fora de lá. 

Hamilton foi escalando. Era óbvio que o faria e teria chances de pódio. Ficou umas 5 voltas (ou mais) preso atrás de Yuki Tsunoda. Pairava no ar que ele seria o "boi de piranha" para atrasar Hamilton - artimanha menos incisiva do que a Mercedes fez com Bottas, em Sochi. E o menino segurou bem. Não o suficiente, mas bem. 
Lewis ainda teria, no caminho, mais 2 carros da família Red Bull: Gasly e Pérez. 
Sem nenhuma grande amarra, abriu-se investigação para o toque de Gasly em Alonso e de Alonso em Schumacher. A primeira, era incidente de largada que seria, como já foi em outras ocasiões, sem punição. No entanto, acho que vocês já perceberam o que rolou. 
Com +5 segundos para Gasly, era menos uma preocupação para Hamilton, mesmo que o francês oferecesse dificuldades para ultrapassagem (o que não fez, sendo sumariamente decepcionante).
Alonso também levou +5 pontos por ter prejudicado Mick, mas nesse caso, parecia justo. 
Somente Pérez ofereceria (ou deveria oferecer) dificuldades para Lewis. Ele passou as Aston Martin rapidamente, como se fosse um ás da velocidade. A McLaren de Lando Norris nem chegou, também, a oferecer algum empecilho. 
Parecia vitória fácil do inglês e inclusive todos almejavam uma disputa entre ele e Max, novamente. Se ocorresse, estava bem claro quem se daria bem.

No meio tempo, tivemos uma boa não,  excelente corrida do Carlos Sainz, apesar da Ferrari ter estragado tudo. Não se diz muito sobre ele. É uma quebra de assunto aqui no texto, mas para uma grande maioria, somente um ocorrido sem importância. 
Sainz transforma as adversidades em ser segundo piloto e ainda na Ferrari de forma surpreendente. Arrisco dizer que rola um preconceito com o cara - por ditos ou posturas, não sei dizer ao certo - que é irônico quando olhamos para os mesmos grupos, sempre levantando a bandeira do respeito na categoria, ignorarem os feitos do espanhol.
Mas, como eu disse no começo do texto, a relevância das interpretações, baseadas em vários nadas, só ganham notoriedade pela popularidade do interlocutor. Se você é um rapaz que se pinta de engraçado e amigo, você tem engajamento até quando escreve um tweet sem pontuação (e sem conteúdo). Se você é uma moça atraente, é bem possível que apareça um ou outro "troll" de internet para te criticar, mas a quantidade de "fadas" e "magos" que aparecerão para defendê-la da sua bobagem dita e divulgada, deixa, como dizem, o "coração quentinho" e você continua usando da sua influência para ganhar mais seguidores e elogios. 
É assim que funciona. 

Em terceiro e tendo escalado muito rápido do 11º lugar até lá, Lewis começou o seu nervosismo. O homem ficou pilhado, mas ficaria ainda mais quando se aproximasse do fim da corrida. A Mercedes não acreditava que os pneus intermediários aguentariam depois de ter disputado, mais duramente com (irônico) dois pilotos. Ele negou a ida aos boxes uma vez. Ao que tudo indica, queria até colocar pneus slicks, entendendo que a pista tinha melhorado. 
Sebastian Vettel, um estrategista e piloto inteligente, tinha ido para os boxes um pouco antes e tentado os pneus médios. Se houvesse a possibilidade, vestiria o chapéu de burro por conta da tentativa e escolha, apoiada pelos asnos da Aston. Ficou ziguezagueando na pista até ir para os boxes de novo e com os intermediários. Ainda bem que existem os carros da Haas, ou ele teria ficado em último.
Está certo que Vettel não tinha nada a perder, mas Lewis de algum modo, também não. Faltou o ímpeto de campeão e pouca gente concordará com isso, desviando para outro assunto e fazendo acusações ridículas. 

Assim como em Sochi, Norris teimou em ficar na pista, com a chuva, o que era ainda pior e mais arriscado, reclamaram das críticas à ele. Foi tachado de ingênuo, e correram procurar o esfregão e passar pano para o menino. Eu mesma gastei umas palavras, aqui, em defesa de sua decisão. Se aprende mais com erros dos que acerto. É clichê, é coach, mas significa. Lewis quase repetiu o feito do inglesinho. Se o jovem foi "grosso" com equipe, Lewis também teve a sua cota de falta de educação que, assim como abominei Lando na corrida anterior, abomino Hamilton por isso.
Não justifica ser grosso com que trabalha por você, se priva da família por você, está lá, ganhando menos que você, mas entende-se. No calor do momento, você grita com quem supostamente te atrapalha, mas estão é te ajudando. 

Chamado para trocar os pneus, depois de Charles Leclerc decidir ir até o fim da corrida com os mesmos e começar a zambetar na pista, a Mercedes entendeu que não dava para arriscar. Mas, Hamilton não saia da pista, não escorregava. Hamilton não peitou mais a equipe, garantindo que ia até o final daquele jeito.
7 vezes campeão mundial. E os jornalistas apostam nele como vencedor em 2021 por ser inteligente e experiente. 
14 anos de Fórmula 1. Quase nunca faz vistoria das pistas com engenheiros. Eu nunca vejo ele nos boxes, especulando sobre os ajustes de carro. Apertar botões em momentos errados são fantasmas que o assombram desde Interlagos 2007. 
O cara não sabe sentir as condições de pista e ler seus instintos? Se ele estava desgostoso com a parada, seguro que dava para ir até o fim, porque aceitou parar?

Com tal falta de atitude, comparada com a do Norris como se ele tivesse sido pouco humilde, a gente pode considerar outro ponto: Hamilton, depois de Sochi, não devia mais nada a ninguém. 100 vitórias conquistadas, apesar da mãozinha da chuva tirando o bom senso do ponteiro, era o trunfo máximo do "melhor de todos os tempos".
Será? 
Em 2007, ele não segurou a pressão de ser campeão mundial logo no primeiro ano.
Em 2008 ele só conseguiu graças às falhas da Ferrari e do piloto da equipe, na disputa (destaque para o Balé de Silverstone, naquele ano).
Em 2009, outro inglês era o queridinho da vez, algo que se estendeu para 2010 quando foi contratado pela McLaren. E Hamilton não lidou bem com a presença do tal na sua equipe, sobretudo em 2011 e em 2012. 
Substituindo um grande piloto, Hamilton tinha uma (nova) casa bastante estruturada em 2013. Com a mudança do regulamento, não duvido que um piloto mediano de uma equipe também média, por exemplo, iniciaria múltiplos títulos pela Mercedes. Mas quem fez isso, foi ele. Contra fatos, não há argumentos.

Não garanto que um Felipe Massa teria sido campeão na Mercedes a partir de 2014. Mas um Nico Hulkenberg teria, pelo menos, 3 títulos se fosse contratado para substituir Schumacher. 
Especulação? Claro. No entanto, essas coisas não ofendem quando vem de algumas bocas consideradas "sensatas". 
Ainda mais se a gente acha exagerada a reação raivosa de um piloto da qual não critica nenhuma de suas ações. Basta esperar segunda-feira para ler um texto bem redigido, se redimindo e se justificando na rede social, para suspirarmos em devota admiração.

Ao fim do GP turco, somente - vejam bem! - 6 pontos separaram Hamilton de Verstappen (que terminou a corrida, solidamente conduzida, em segundo). Todo o nervosismo do Hamilton, mostra aos atentos a sua indisposição em aceitar que está sendo superado. Os rádios com a equipe foram um tanto cruéis. 
A Mercedes errou? Sim, sobretudo a saber que eram muito rápidos de reta e podiam ter parado mais cedo, e ainda teriam boas chances de vitória na corrida.
Ainda que esteja um pouco apertado, ele disse que não estava se divertindo com a competição? Quando se gosta de algo, não se irrita tão facilmente.

Bottas venceu no circuito que, em tese, tinha Verstappen como favorito. Hamilton então, chega como favorito nos EUA. Não há nenhuma dúvida de que vai vencer em território norte-americano, voltando ao topo da tabela. 
Faço aqui uma projeção: Das corridas seguintes à essa que acontece daqui a duas semanas - México, Brasil, Qatar, Arábia Saudita e Abu Dhabi - ele teria vantagem no Qatar e quem sabe, na Arábia. Se Lewis vence essas duas, ficando em segundo nas outras 3, ele somará 104 pontos. Mais os 25 e o ponto extra do EUA (muito possível de que aconteça) totalizará 129 pontos.
Garantindo que Max faz o segundo lugar nos EUA, ganha México, Brasil e Abu Dhabi e é segundo no Qatar e na Arábia, ele somará também 129 pontos.

Baseada em toda a premissa de quem é o piloto Lewis Hamilton e com a Mercedes, ele consegue vencer 3 corridas facilmente com ponto extra em todas elas, já que o Bottas mostrou a saúde do carro "alemão". 
O que não dá para garantir é que a Red Bull sairá vitoriosa em 3 corridas e vice em outras 3, com Verstappen. Se depender da calma que ele transparece, sim. E nessas circunstâncias, será por miseráveis 3 pontos. 

Como eu disse no primeiro parágrafo: falhei em entregar uma coluna do GP da Turquia em 5 parágrafos. Mas podem ficar felizes. Eu não voltarei com textão antes da semana que vem! ;)

Fiquem bem e seguros. Hoje, o Clube da Velocidade terá a sua rotineira Live de segunda-feira, às 20hs. O link, para quem quiser acompanhar é esse: Bottas vence o banho turco.

Abraços afáveis!

terça-feira, 5 de outubro de 2021

Tabelas da Décima Quinta Etapa da Temporada 2021

Saímos de mais uma corrida em que se pressupunha ser morna para terminar sendo uma das "melhores" da temporada.
O uso do termo "melhor" não está aqui empregado no sentido restrito da palavra, mas em tom de dizer que, ao menos, foi surpreendente em alguns pontos. 
A tônica tem sido essa: corrida de pista que geralmente costuma ser chata, em 2021 acabou sendo interessante. Mediante isso, é possível, então, que Abu Dhabi seja assim. 
No entanto, a passagem da Fórmula 1 pela Rússia, não implicou no título de "melhor corrida do ano" por várias razões, uma delas, em específico: o resultado soou muito semelhante ao que estávamos projetando anteriormente e no "rachar dos ovos" o gosto do omelete acabou sendo o mesmo de sempre. 

Nessa etapa, a Mercedes comeu bola justamente por erro do seu piloto, Lewis Hamilton. A bobagem que ele fez na classificação prejudicou até Valtteri Bottas, que foi (literalmente) obrigado a não superar o tempo do octaheptacampeão. (PS: acho que logo não precisarei mais tachar o "octa"...)
P4 e P7 não são posições de quem está na frente do campeonato de construtores, mas denota que podem cometer errinhos, pois possuem um equipamento tão bom e um material humano (técnico) um tanto superior ao da Red Bull que fica impossível defender a falácia que não possuem mais o melhor carro. 

E por já mencionar a Red Bull, Max Verstappen decidiu tirar uma folga e só por isso, Sergio Perez acabou ganhando um pontinho no placar - e nem deveria ter sido contado, já que, diante do que aconteceu o mexicano tinha, por obrigação, estar entre os 3 primeiros.
Verstappen teve a unidade de potência trocada para a corrida e, largando em último por isso, optou, junto à equipe, não participar da classificação molhada, se resguardar de um erro que o prejudicasse mais ainda na corrida.
O mexicano que não ajuda em nada para o campeonato da equipe e muito menos, o do holandês, fez o P9! Está ficando bem difícil defender.

Lando Norris se aproveitou muitíssimo bem da "manetada" do Big Lewis no Q3 e cravou a sua primeira pole na carreira. Desde Monza, a McLaren tinha muitos motivos para sorrir e a gente também ficava muito satisfeito em poder ver isso acontecendo.
O dono do sorriso fácil da equipe, Daniel Ricciardo foi apenas o quinto na Rússia - mas ainda assim, um resultado bem melhor do que vinha fazendo.

Charles Leclerc e a Ferrari não exerceram a "prudência aristotélica", uma virtude que só cabe aos bons e sábios. Mesmo trocando os elementos de unidade de potência do carro 16, mandaram o cara para a classificação. Pode até ter conseguido passar para o Q2, mas fez um fraco P15. Talvez fosse melhor se tivesse poupado energias, já que trocaria o motor e largaria na penúltima colocação.
Carlos Sainz, no entanto, fazia uma bela classificação, alcançando o segundo melhor tempo! Apesar de mais essa, ele segue sendo ignorado pela comunidade de fãs e comentaristas da F1.

Desde que houveram rumores sobre a aposentadoria do Sebastian Vettel (alguns disseram, infundadas) a coisa não anda muito boa na Aston Martin, em sentido prático. Ele até mostra força nos treinos livres e na classificação, como foi o caso na Rússia, mas na hora do "vamo-vê", Lance Stroll aparece mais "leve e solto", com algumas facilitações causando comentários exagerados sobre sua performance. 
Porém, Stroll acaba dinamitando as próprias corridas com erros que passam despercebidos para muitos, e a própria equipe parece dar muitos murros em ponta de faca, mas... Nada do que ter uma proteção patriarcal, não é mesmo?

O fogo de palha na Alpine com Esteban Ocon acabou bem rápido. Não tão rápido, pois ainda se comenta como se ele fosse um grandessíssimo piloto, mas que acabou o gás do entusiasmo, isso acabou. Ainda que ele tenha passado para o Q3, goste ou não, Fernando Alonso tem feito um trabalho muito melhor que o francês, depois das férias - inclusive, passando o companheiro no placar de classificação nessa 15ª etapa.

Pierre Gasly e George Russell mandam em suas respectivas equipes. No caso da Alpha Tauri, há de se concordar com a justificativa de que Yuki Tsunoda é mais verdinho e que o primeiro ano é realmente muito difícil para um novato. Mas o senhor Nicholas Latifi já até pontuou nesse ano e já cometeu alguns erros que deixa por entender que realmente, a Williams só tem um piloto. 
Deixa a entender, viu gente? Não tô jogando "hate" no cara... Eu posso ter feito isso com o Ocon e o Stroll, mas o Latifi não compromete.... Ainda.

Na Haas, suspeitei que Nikita Mazepin* teria um fim de semana facilitado por correr em casa. Mas na verdade só a F1, através das mídias sociais, tentou elevar a moral do rapaz (em baixa por conta de julgamentos nocivos). Mick Schumacher fez uma boa classificação - nos padrões Haas - ficando à 3.934 segundos do russo. Na corrida, já não teve tanta sorte.

(* Parece que só eu considero a existência do piloto na F1, sem amarras moralistas ou julgamentos adolescentes. Analiso ele como piloto de uma equipe da categoria e não me interesso em sua vida pessoal. São duas instâncias diferentes e tenho evitado misturar as coisas porque é assim que os adultos fazem.
Entendo a cultura do cancelamento como uma reação nociva e desconcertante, além de imprecisa e geralmente, injusta. Um dia falo sobre isso, se tiver coragem, por aqui. Todavia acho curioso que quem reclama do slogan da categoria "we race as one" como uma premissa falsa, faz essa separação considerando o cara, inexistente ou um Judas. Curioso, muito curioso...)

Deixei a Alfa Romeo por último para fazer uma exaltação ao retorno de Kimi Räikkönen: 100% recuperado da Covid (graças!) e ainda mostrando a sua experiência em situação de corrida, foi digno de aplausos. Ficou à frente do Antonio Giovinazzi, em 16º e ainda que não tenha passado para o Q3 como fizera o companheiro italiano nas duas últimas corridas, foi bom ter Kimi de volta, afinal faltam somente 7 corridas para vermos ele em ação.  


Dados específicos: Os * à frente do nome de alguns pilotos, sobretudo, na classificação, na ficha acima.

A maracutaia a estratégia da Mercedes em atrasar o menino Verstappen um bocado a mais no fundo do grid, dando tempo para Lewis decidir-se com os quatro pilotos à sua frente, na largada, provavelmente.
Adicionaram elementos na unidade de potência - NOVA, desde Monza, vale destacar - para que Bottas levasse algumas posições de grid de punição e ser o escudeiro do Lewis.
Engraçado que quando a Ferrari fazia táticas com segundo piloto para proteger o primeiro, sempre gerou um debate moral, chegando até ao ponto de considerar o piloto principal "fraco" por precisar dessas "artimanhas". Isso, em relação à Mercedes, não é nem pauta. :/

Já falei sobre isso no post passado e bastam rolar o cursor para lerem, se quiserem.
O resumo da ópera: em 16º, Bottas ofereceria uma certa dificuldade para que Verstappen pudesse nem sequer marcasse pontos. Isso pois, Max ainda teria que lidar com Leclerc (largaria do 19º e com motor novo também), Latifi (a mesma coisa, em 18º), Giovinazzi (que trocou caixa de câmbio, em 17º) - o prórpio Bottas, com 15 posições de penalidade (!!) em 16º - e os dois carros da Haas, um deles, Mazepin - que não vende fácil as posições. 

Deu certo? Não. Mas ficou para a posteridade.

Na corrida, tivemos Lewis Hamilton largando muito mal, ficando em 7º por um tempo.
Verstappen foi, o tempo todo, ganhando posições com calma e... Estagnando em sétimo quando o rival estava em segundo. A questão é que Lewis sempre foi (para o bem ou mal), blessed.
Fato é que se não houvesse chuva, Lewis tinha muitas chances de ter passado Norris. Eu queria muito saber como ia ficar a mídia e os fãs passando pano para o cara que "tomou a primeira vitória" de um dos novos queridinhos. É claro que teria um monte de textos e podcasts pululando na internet dando conta de que Norris tinha umas 10 temporadas ainda na carreira enquanto Lewis estava disputando campeonato. Apesar de ser um argumento razoável, não seria assim se fosse Verstappen provocando a "não vitória" do Lando.  

Mas quem veio "bagunçar o coreto" foi a chuva. E a gente sofreu de pena do Norris - que sim, errou em não aceitar trocar os pneus para os intermediários - e acabou pagando um preço caro, mas não muito, já que ainda permaneceu na zona de pontuação, com o ponto extra da volta rápida e escolhido o piloto do dia. No entanto, essas coisas acontecem. Ainda mais quando Hamilton está envolvido no esquema. Os ventos quentes do azar sopram do lado contrário e tudo conspira para dar errado. Lembraram do Vettel na Alemanha em 2018? Pois é. Existem outros exemplos, basta procurar. 

O cara é sortudo. Muito sortudo. E mesmo negando parar para colocar pneus intermediários e fazendo essa opção bem tarde, Hamilton chegou à mais de 50 segundos na frente de Verstappen - que não titubeou em fazer a parada e foi se aproximando do rival, a ponto de chegar em segundo.
Entendem que a premissa do "melhor carro" ainda vale ao analisarmos a Mercedes em 2021? 

Os outros espertinhos foram: Sainz, Ricciardo e Bottas. Esse último, magicamente apareceu em quinto. Como? Bem, teriam que ver a corrida de novo. Ninguém ligava naquele momento.
Atrás dele, Alonso em sexto, e Norris, que acabou resignando à uma parada, voltando em 7º para cruzar a linha de chegada. A entrada brusca nos boxes fez o garoto ter que ir se explicar aos comissários, algo desnecessário que só a FIA sabe provocar.

Räikkönen abusou de sua experiência e rumou aos boxes - por conta - para colocar pneus intermediários. O prêmio pela decisão acabou sendo um oitavo lugar e mais 4 pontos no campeonato, muito bem merecidos. Em nono - o não ajuda e quase atrapalha - Pérez. Não fez nada expressivo pela equipe, e mais uma vez. Ainda tem gente levantando a questão de que ele seria melhor  que Bottas, e para mim, nunca houve a menor possibilidade de pensar um impropério desses.  

Fechando os top 10, mais um pontinho do Russell. É a segunda corrida seguida que ele chega à zona de pontuação. Vai ser uma enorme pena se ano que vem esse menino não brilhar muito na Mercedes. 

Stroll tem um asterisco na frente do seu nome na ficha da corrida... Bem, ele tocou com Vettel, numa cena esquisita que a gente julgou ser descontrole por conta da chuva. Depois, houve uma colisão com Gasly. Essa última, lhe rendeu uma punição de +10 segundos no tempo final.
Vettel ficou em 12º, seguido de Gasly e Ocon - os azarados da vez. Leclerco mais azarado de todos, teve um fim de semana esquecível. Giovinazzi e Tsunoda, não puderam fazer muito. Mazepin completou a corrida - não à frente de Mick, que se retirou por um problema de vazamento de óleo na volta 32 - mas pelo menos, teve uma "boa performance" em casa. Sobre o Schumacher, foi o primeiro DNF do alemão-zinho (que de "inho", não tem nada). 

Se cabe uma generalização, aqui vai: o campeonato ainda está vivo (embora eu faça pouco dessa questão). Verstappen começou o GP da Rússia provavelmente pensando que qualquer coisa que viesse dele, em termos de pontos, era lucro. Terminou a corrida em segundo e pode até ter perdido (de novo) a liderança do campeonato, mas está num patamar muitíssimo favorável e que nem seu fã mais otimista confiaria ser possível.
Só não sabemos, até quando isso vai durar.

Já que falamos em campeonato...


Apenas duas mudanças ocorreram de Monza para Sochi: 

1) Lewis voltou ao topo da tabela. É a terceira vez que isso acontece em 2021. Ele começou o ano na frente, liderando por 4 corridas e perdendo o trono para Verstappen em Mônaco. Retomando depois do GP 11, na Hungria, antes das férias de verão, ele acabou perdendo de novo depois do GP holandês. Pela terceira vez, retoma o topo agora, depois da Rússia. 
2) Carlos Sainz ultrapassou Leclerc no campeonato pela segunda vez no ano. A primeira foi logo após o GP da Hungria. Apenas o espanhol se deliciou com pódios nessa temporada. Charles ainda não deu o ar da graça por lá exalando seu charme.

► Hamilton está na liderança, mas por pouco: apenas 2 miseráveis pontos separam ele de Verstappen. Toda aquela minha previsão de que Lewis retomaria a liderança do campeonato e daí não mais sairia não tem fundamento razoável. Foi apenas "achismo".
Com base nos dados, muita coisa aponta para vitória do Max neste ano, no entanto, não parece ser suficiente para cravarmos isso.
Acompanhem comigo: Nas últimas 8 corridas, Max liderou 208 voltas e Lewis nem é o segundo. Esse cargo está para Ocon com 65 voltas na liderança. Depois dele, Ricciardo com 56, Leclerc com 50, Norris com 31, Sainz com 12 e aí sim, aparece Hamilton com 11 e Bottas com 8 voltas. Parece muito desproporcional que a Mercedes lidere o campeonato e tenha tudo, absolutamente tudo para vencer em 2021, o oitavo título de construtores. 

► Verstappen também tem algumas estatísticas a seu favor que destoa com o fato de estar em desvantagem no campeonato. Uma delas é o seguinte: Hamilton começou as 4 primeiras etapas no topo da tabela, como disse acima. Max tomou a liderança em Mônaco - a quinta corrida do calendário - e ficou por ali até mesmo depois da décima primeira, quando ele e Lewis se tocaram pela primeira vez, no GP britânico. Foram 6 corridas seguidas e não pontuando em uma delas (o que faz a ideia do incidente parecer ter sido planejável, de tão divisor de águas que é até agora). Nesse sentido, ao todo, Verstappen chegou ao fim de 8 das 15 corridas, na frente no campeonato, enquanto Lewis liderou as outras 7. Mesmo assim, parece muito mais difícil que Max saia vitorioso nesse ano. Contentamos só com o fato de ser "apertado"? Não sei.

Apesar de estar atrás do Lewis em apenas 2 pontos, Verstappen lidera em número de pontos somados, desde o GP da Bélgica. São 68 pontos contra 59 do inglês. 
A falta que faz o auxílio do Pérez nessas horas, aparece aqui também: desde o GP belga, Bottas somou 40 pontos. E o mexicano? Apenas 18. 

► Podemos até concordar que SE Bottas tivesse feito um início de temporada semelhante à sua temporada de estréia na Mercedes, era provável que Verstappen estivesse suando frio e tivesse - finalmente - dado sinais de não estar lidando bem com a pressão e errando como nunca.
Em 2017, o finlandês tinha chegado às férias de verão com 169 pontos. Hamilton tinha 188 na mesma ocasião, ou seja, apenas 19 pontinhos a mais. Um bom resultado para quem é considerado mediano/ruim. Claro que depois foi preciso assegurar a hegemonia do inglês na equipe e Bottas foi sendo, aos poucos, apenas mais um no grid. Com o passar dos anos, sempre ficou claro que Valtteri era auxílio do Hamilton. 2016 nunca voltaria a acontecer na equipe.

Está certo que em 2021, Valtteri saiu do GP da Hungria com 87 pontos a menos que Hamilton, que havia retomado a liderança. Mas tudo me pareceu muito mais providencial para sua carta de despedida do que necessariamente por incompetência do piloto. Além disso, quem veio para ajudar roubar pontos e alçar a Red Bull como segunda força no campeonato não foi o Bottas, mas sim, Sergio Pérez.
Só comparando aqui, como quem não quer naaaaada: Até Hungria, ou seja, antes das férias da F1, Checo estava à 83 pontos do Verstappen. 

► Sim, eu estou ciente de que o Bottas está à 95.5 do Lewis e à 93.5 do Max nesse exato instante que vocês estão lendo esse texto. No entanto, já foi dito,  Bottas não esteve nos planos da Mercedes que dava sinais de ter alguns problemas esse ano, e obviamente o finlandês não seria nem cogitado a ter os seus resolvidos por eles. O foco era resguardar Hamilton de toda a dificuldade que pudesse ter durante o campeonato e assegurar que a Red Bull não desse o seu bote em algum momento em que eles não pudesse reverter. 
Novamente: depois das férias, Bottas marcou 40 pontos. Pérez, 18. Esse 22 pontos, parecem pouco se comparados aos seus companheiros de equipe, mas diz muito mais sobre cada um deles do que qualquer noção analítica que se possa ter por aí. Dito do modo, e de um jeito que o pessoal tem a tendência a gostar mais do que números e dados (feitos para tarados do Excel?) batemos de novo na tecla: não tem essa de "a Red Bull tem o melhor carro". Se assim fosse, Verstappen e Pérez estavam sambando sem a bateria da Mangueira estar tocando, nesse exato minuto. 

► Bottas, ainda precisa lidar com Norris, sempre muito perto graças à seu ótimo começo de temporada. São 12 pontos de diferença entre eles.
O inglês da McLaren ainda se dá bem em relação à Pérez: com 19 pontos a mais, dá quase para cravar que o 4º ele não perde. A não ser que Checo acorde para a vida - o que me parece muito remoto para as próximas 7 corridas, quando a RBR precisará, infelizmente, investir todos os neurônios para o gerenciamento do campeonato do Verstappen. Eles já estavam fazendo isso, claro, mas é hora de 200% do foco, somente nisso, sem permitir nenhum erro.

► O pouco que Pérez faz, reflete no geral do campeonato: ele está apenas à 7.5 do sexto colocado, que depois do GP da Rússia passou a ser o Sainz. É muito pouco para um piloto da Red Bull que está à mais de 100 pontos no campeonato de construtores em relação à Ferrari.
Sobre Sainz, o feito grandioso do espanhol (de largar em segundo, por algumas voltas tomar a pontoa e depois, saber administrar a corrida para chegar em terceiro, em meio ao caos de uma chuva) tem sido basicamente ignorado por muita gente. (No entanto, "we race as one" é problemático para quem não gosta do Mazepin. *piscando cinicamente*)

► Sainz está 8.5 na frente de Leclerc, que está ruindo à olhos vistos. Não se sabe se é por má sorte ou apenas, porque é um piloto prioritário da Ferrari. Botam tanta fé nos caras que são contratados como "salvadores da pátria", que detonam as suas carreiras com tanto entusiasmo. Parece que sugam sua energia, fazem perder cabelos e até dignidade...
Enfim, Leclerc também precisaria abrir os olhinhos sedutores e bater as duas mãos, firmemente, na mesa do Binotto. Ricciardo está indo razoavelmente bem e soma, agora, 95 pontos - apenas 9 a menos que o monegasco. A entender que o australiano pode estar se encontrando de vez com o carro, isso pode deixar Leclerc sem dormir a noite, nas próximas corridas. 
Apesar disso, Ricciardo está um tanto longe de Norris, seu companheiro. Ainda que tenha diminuído com a vitoria em Monza a diferença entre eles, é grande: 44 pontos os separam.

► Pierre Gasly mantem a nona colocação, mesmo sem ter marcado pontos na Rússia. São 29 pontos em relação à Ricciardo e 8 a mais que Alonso - o que deixar ele desconfortável de um lado e pressionado, de outro. 
Internamente ele está tranquilo os mesmos 48 pontos do GP anterior separam ele de Tsunoda.

► O Príncipe das Astúrias está que nem galinha: de grão em grão, enchendo o papo com uns pontinhos. Desde o GP na Holanda, Fernando Alonso chegou ao top 10. 
Ele também se assegura em relação ao Ocon, o companheiro de equipe: aumentou para 13 pontos de vantagem sobre o francês de pernas finas depois do GP russo.


Mudança estrutural dos 11 restantes, não houve. Apenas 2 deles, marcaram pontos na Rússia: Russell e Räikkönen.

► Vettel está 10 pontos atrás de Ocon, o 11º colocado. Segue em 12º e com 35 pontos desde a Bélgica. Stroll está à 9 pontos de alcançá-lo desde Monza. 
O canadense da Aston Martin segue tendo 6 pontos de vantagem para Tsunoda, o 14º colocado.

► Yuki Tsunoda está em perigo: Se Russell continuar na vontade que está, em breve empata com ele. O inglês marcou 1 ponto na Rússia e está apenas 2 pontos atrás do "piloto pocket". 
Internamente, George tem um sutil sossego, que tende a permanecer: Latifi está 9 pontos atrás dele.

► Kimi marcou 4 pontos no GP russo e isso fez ele ficar à 1 ponto do Latifi. Minha torcida, agora, até o fim do ano, é que Kimi termine o campeonato na frente do canadense da Williams. E a gente sabe que se depender do Iceman, isso é possível sim. #GoKimi 
Uma pena que no caso, Giovinazzi tenha ficado para trás. A diferença que ficou por muitas corridas entre 1 ponto, agora é de 5 a menos para o italiano que pode ficar sem vaga o ano que vem, na categoria.

► Mick, Kubica e Nikita, estão em sequencia: 19º, 20º e 21º, sem pontos. Nas próximas corridas, é possível que Mazepin volte a ser o penúltimo, já que Kubica não corre (a princípio) mais esse ano, pela Alfa Romeo.


Não houveram mudanças de posições no campeonato de construtores, apenas alterações no somatório:

► Mercedes afastou mais um pouco da Red Bul: até Monza eram 18 pontos. Agora são 33 pontinhos. Vou encher o saco com isso: Não têm o melhor carro, né? 

► A Red Bull em relação à McLaren está em 130.5 pontos. 

► A McLaren ainda tem vantagem, ainda que pouca, em relação à Ferrari, mostrando que é fundamental marcar pontos com ambos os pilotos. A Ferrari precisaria dar conta de 17.5 pontos para empatar com a McLaren, isso se não pontuarem nem com Ricciardo, nem com Norris.
Ainda assim, a Ferrari não perde o quarto lugar: está com 113.5 pontos a mais que a Alpine.

► A equipe francesa cujo carro parece uma latinha de Pepsi, por enquanto segue tranquila em quinto. Com 19 pontos de desvantagem, a Alpha Tauri parece enfrentar uma pequena maré de azar.
No entanto, nem tudo são espinhos: a outra equipe que colocaria eles em tensão maior, é a Aston Martin, que tem mais nadado e morrido na praia do que somado pontos bons para manterem firmes no campeonato. Sebastian Vettel, por exemplo, lidera com mais ultrapassagens no ano ao lado justamente do Lance Stroll: 


Meu ponto: nadam e morrem na praia. Estão a 25 pontos da Alpha Tauri que tem um piloto estreante, e somente 36 em relação à Williams. Nem parece que a Aston Martin usa motor Mercedes...

► A Williams lidera o pelotão de fim de grid, com 23 pontos, 17 a mais que a Alfa Romeo, que agora soma 6 pontos. Alfa tem o mesmo número (6) a mais que a zerada, Haas.

Para finalizar, as perfumarias: o Piloto do dia do GP da Rússia e o detentor do ponto extra de Volta Rápida. Todas as duas, para um nome só.



A volta rápida de Lando foi marcada algumas voltas antes da chuva começar a dar as caras. Depois dela dizer "ooooooiii", obviamente, todo mundo começou a ter dificuldades de se manter na pista e também não foi possível, com pneus intermediários, marcarem um tempo menor. 

Agora... A escolha de piloto do dia... Bem, ainda que tivesse compaixão com o ocorrido, o piloto do dia seguramente deveria ser, no mínimo Verstappen ou Sainz. Nem Lewis deveria ser a escolha final. Marcou a 100ª vitória e, desculpem a sinceridade, mas que grande porcaria! No status que tem, "não precisa provar nada pra ninguém", até que demorou muito. Não é o perfeitão?
Entendo porque não foram as escolhas citadas. O Mad Max já é o odiado da vez, posto que já foi do Nico Rosberg e do Vettel, nessa era híbrida. Além disso, sair lá do fim do grid e alçar posições é coisa louvável só se for Checo Pérez, não é, produção?
E o Sainz? Pois é. O cara é ignorado, lembram? Ninguém dá a mínima pelo que ele faz. 
No lugar do Lewis e o do Pérez, justo seria aparecer os nomes de Russell e de Räikkönen. 

E fechando com mais essa discussão sem lógica, me despeço. 
Na sexta, se houver tempo hábil, escrevo algo sobre o GP da Turquia. 

Prometam para mim que estão se cuidando e dêem um feedback nos comentários. 
Abraços afáveis!!

segunda-feira, 27 de setembro de 2021

Temporada 2021: Grande Prêmio da Rússia

Vários ditos populares foram pensados para compor esse post sobre o GP da Rússia, ocorrido ontem, em Sochi, como a 15ª etapa do campeonato mundial de Fórmula 1. 
O primeiro deles veio à mente assim que terminou a classificação: "Peixe morre pela boca".

Diante da fala de Lewis Hamilton nas entrevistas pré GP russo - a de que Max Verstappen estava sentindo uma grande pressão em ser campeão mundial - a sexta e o sábado de trabalhos indicaram que quem estava aparentando nervosismo, não era o holandês. 
Na sexta, no finalzinho do segundo treino livre, Hamilton se "esqueceu" de frear na entrada dos boxes da Mercedes, lançando e derrubando o mecânico que suspende o carro para recolher e/ou trocar os pneus. Caído, levantado e gesticulando com os polegares que estava bem, não houve gravidade. Mas que parecia muito estranho que o heptacampeão fizesse uma dessas, parecia.

Relevaríamos se, na hora do "vamo-vê", no sábado de classificação úmida, porém em condições de acontecer sem maiores problemas, outra situação inusitada não tivesse acometido o Rei Supremo da Categoria. No Q3, faltando pouco mais de 5 minutos para o fim da classificação, Lewis foi aos boxes colocar outro jogo de pneus, abrir volta e conquistar a tão previsível pole position, mas... Deu um toquinho no muro da entrada do pit lane, chegando ao box da sua equipe com as asas esquerdas quebradas e necessitando a troca. 

Os mecânicos dessa vez se atropelavam uns aos outros, para pegarem um novo bico, lançarem o piloto para abrir volta e ele conseguir um tempo razoável entre os dez.
Essa situação não programada, prejudicou a troca de pneus de Valtteri Bottas, que vinha sendo forte candidato à pole, também. No entanto, o finlandês ainda se presta aos mandos - um tanto humilhantes - da equipe. O que parece obediência, soa mais como burrice. Hamilton batendo no pit atrasou a troca de pneus de ambos, e tolhido mais uma vez,  Bottas ainda precisou fazer de tudo para não superar o tempo do companheiro, àquela altura de fim de classificação - conseguindo fazer apenas o quarto tempo. Bottas foi o sétimo e obviamente, não faltaram críticas sobre o desempenho.

Max sequer participou da classificação. Já dado que ele trocaria os elementos de unidade de potência pela quarta vez - e isso, causa uma punição severa que é largar do fim do grid - a decisão de não arriscar sofrer acidentes durante a classificação que não lhe daria nenhum benefício, pareceu acertada e muito bem vinda. Dizem que ele foi curtir um soninho, enquanto os demais foram dar voltas numa pista molhada. A imagem se torna emblemática: aceitar essa decisão da equipe e de forma segura, mostrar tranquilidade na entrevista sobre o que tinham de informação para a corrida ser o suficiente e ainda ir dar um cochilo, passava longe da ideia de que estava "sob pressão".

"Peixe morre pela boca", é um dito que faz alusão ao erro fatal cometidos pelos animais aquáticos em questão. Os peixes abrem a boca para morderem a isca no anzol e esse ato é o que leva ao destino trágico de suas vidinhas, ou seja, se um pescador habilidoso está atento, o peixe que abriu a boca para abocanhar a armadilha, é pescado e morre. Metaforicamente, a gente usa essa frase como alerta - irônico - sobre as pessoas que falam demais. Não somos pescados, mas trata-se de um aviso, um jeito alegórico de aconselhar que as pessoas fiquem de boca fechada, para não dizerem besteira e ser pior para elas. 

Ainda assim, não parecia que pudéssemos escancarar essa premissa sem sofrer duras críticas. Em quarto, Lewis tinha muitas chances de vencer o GP russo. Não era desprezando os três pilotos que estavam à sua frente, assunto que ainda vou chegar a comentar. Era ainda mais pelo que a Mercedes assegurou para a corrida. Uma medida que poderia fazer com que Verstappen não se aproximasse tão rapidamente de seu (único) piloto. Como poderiam fazer isso? Usando Bottas, o segundo, como "bucha de canhão". 

Mais outra expressão, dessa vez, pensada pouco antes da corrida.
A Mercedes, não satisfeita com a classificação, sugeriu a necessidade iminente de adicionar elementos à unidade de potência do Bottas, algo que parecia muito suspeito, uma vez que ele tinha trocado todos os compostos para o GP em Monza e parecia estar "tranquilo" quanto a isso. Além disso, quem estaria na berlinda para ter o quarto conjunto de motor era Hamilton. Talvez não se comentasse sobre a troca, justamente porque ele deveria ir para o fim do grid e aí sim a corrida teria contornos de "tudo pode acontecer".

Pois bem, o que era um sétimo lugar no grid virou um décimo sétimo para Bottas (depois, ele se transformaria em um 16º pela punição da troca de câmbio de Antonio Giovinazzi, ocupando aí, a 17ª colocação). 
Em meio à diversas desculpas, todos sabiam que essa era uma das estratégias da "justa e bondosa" Mercedes para prejudicar Verstappen, que largaria da vigésima colocação. Sem nenhuma suspeita de estar "jogando sujo", isso foi feito sem reprimendas. Travando o holandês por um tempo, Bottas poderia atrasar ou atrapalhar a possibilidade de Max marcar algum ponto numa pista em que as ultrapassagens não costumavam ser muito fáceis. 
A questão que ainda ficava era: porque fazer isso se, não havia "pressão" ao heptacampeão e Verstappen é quem estaria com essa carga negativa tensionando os seus atos? P4 ainda era melhor que P20.
Fica para vocês pensarem.

Daqui, eu comento a ação "bucha de canhão". Essa é uma expressão militar que tem uma explicação, na prática, um tanto interessante: num conflito de guerra campal, a linha de frente, isto é, são os priemiros a tomarem tiros da linha inimiga. Os canhões, entram em auxílio nessa etapa, dito de modo bem simplista. A bucha de canhão é a vedação que fica atrás do projetil e que protege que os gases propelentes caiam na linha dos soldados aliados. 
Assim, os que estão na linha de frente são os que mais morrem em campo de batalha, onde cai a bucha. Eles também são chamados assim, pois, de novo, de modo muito simplificado, são usados para "protegerem" os demais do batalhão ou prolongarem o tempo de batalha dos demais.

Existe também um outro sentido dessa expressão, desta vez, não militar: "bucha de canhão" é usado em empresas com um grupo de pessoas que são responsabilizadas, sozinhas, por uma situação que envolveu também mais outras, de posto hierárquico mais alto. Sintetizando muito se acontece algo errado em algum lugar, um grupo de funcionários, ou estagiários são os responsabilizados. É mais ou menos o mesmo sentido de "bode expiatório". Nesse caso, dizer isso é para definir uma pessoa sobre a qual recaem as culpas alheias.

Assim, a Mercedes se respaldou do jeitinho bem sacana: se desse certo, Max poderia terminar a corrida até fora da zona de pontuação, enquanto Lewis tinha tudo para vencer a corrida lidando com outros carros e pilotos "mais fracos" (isso, diante de sua habilidade incomparável). Se Bottas não conseguisse segurar por muito tempo, um sétimo e até sexto lugar era um cenário possível para Max. 
E mesmo assim, Hamilton estaria em vantagens larguíssimas de retomar a liderança do campeonato. 
Literalmente, Bottas era o sacrifício em prol do "rei do camarote", que, de algum modo, nem precisava ser acionado. 

A única dúvida que pairava era, como Verstappen se comportaria vindo lá de trás. Afoito como é, não dava para cravar qual seria a sua posição final de corrida. Não sabíamos se ele teria facilitações dos colegas de pista, se ele conseguiria negociar as ultrapassagens de forma limpa, embora, ele aparentava ter isso em mente desde o assunto da troca de motor.  
A contar pelo Bottas, não tínhamos certeza se o finlandês teria "peito" para tirá-lo da pista. Eu supunha que essa poderia ter sido uma das ideias do Toto Wolff, no entanto, duvidava que Bottas chegasse a esse ponto, principalmente sabendo no que isso implica em caráter, já em baixa por ter aceitado que "mexessem" no seu carro, enquanto o 44 permanecesse intacto...

Talvez, Charles Leclerc, que também largava no fim do grid por uso de elementos de energia adicionais, causasse algum conflito direto com Max. Notadamente, Leclerc é também desmedido nas primeiras curvas de largada, quase sempre. No entanto, "perigoso", só alguns são para a mídia especializada e os fãs de carteirinha. Comprovamos isso, graças à comentários de perfis de rede social e a aos recortes da série da Netflix. (E foi "quaaaaaase" que rolou um atrito entre eles nas primeiras curvas.) 

Quando chegaram perto, Bottas segurou Verstappen por 7 voltas. Não sabíamos ainda se era o suficiente para dizer que a medida dera certo, mas era de consenso no Twitter de que o plano da Mercedes tinha "virado vinagre". 
Mais uma expressão que poderia ter sido usada, se não fosse dado o devido tempo ao tempo, ou seja, o vinho não estava a ponto de virar vinagre ainda. Havia muita corrida por acontecer, inclusive, uma sorte acompanha Lewis sempre nessas horas mais tensas.

Eu discordava, àquela altura, que o plano da Mercedes tinha fracassado, embora, achasse que novamente, o lance da "pressão" não estava andando de sidecar com Max. Lewis fez uma péssima largada, coroando um segundo erro  do fim de semana. Não se espera esse tipo de atitude de quem é tão seguro de si, e quer o oitavo título. Nada justifica os erros primários. As 7 voltas atrás do Bottas custariam muito, em vista do desgaste de pneus e o fato de que logo Hamilton estava brigando por vitória, blefando e persuadindo a Williams, a Ferrari e a McLaren - carros que estavam à sua frente, desde o fim da primeira volta.
No sábado, graças à sua "manetada" no pit lane - um erro que Lewis diz não ter nada a ver com pressão, e a gente confiou pois tudo que ele diz é sábio e correto - legitimou um trio bem bacana de ponteiros e uma pole inédita. 

Munidos pela empolgação da novidade, exaltamos, com algum exagero, a pole de Lando Norris, a segunda colocação de Carlos Sainz (apesar dos comentários babacas na internet, a respeito do piloto da Ferrari) e mais uma boa atuação de George Russell, fechando o top 3. 
Eu não sei vocês mas, ainda que tenha sido circunstancial - pois o Hamilton fez bbagem e atrasou a vida do Bottas, e se não fosse isso, ambos seguramente teriam feito dobradinha no GP russo - são essas coisas que fazem a gente gastar tempo em frente a TV. 
Já disse outras vezes e não vou repetir porque parece uma velha ranheta, mas eu não quero ver classificação ou corrida que eu tenha previsto antes de começar, o resultado final. Eu quero ver o imprevisibilidade operando.
É por isso também que as punições, desclassificações para um e para outros, apenas uma reprimenda, me irrita e me corta o interesse. Porque quando o "acaso" não aparece, as regrinhas surgem só para colocar ordenar as coisas de forma repetitiva. A interferência parece ser - em termos aristotélicos - a finalidade última da FIA e da F1 e não a competição e os limites do esporte. 


Retomo às expressões populares: "Uma andorinha sozinha não faz verão". E essa vai acompanhar toda os demais acontecimentos da corrida, sobretudo depois da parada de Hamilton, na volta 29. 
Mas antes, a largada: Norris saiu na frente, mas Sainz desejava uma vitória e tomou-lhe a posição. Russell manteve a terceira colocação por um tempo, até que Ricciardo avançou bem deixando Hamilton lidando com a dupla da Alpine.

Lá pela volta 12 ou 13, Sainz perdeu a ponta para Norris e algumas nuvens mais escuras começavam a rodear o céu. Com o "inglês errado" na ponta, Lewis recuperou posições, e ficava "estagnado" atrás de Ricciardo, naquele momento, em terceiro,. Max já chegava à zona de pontuação, escalando as posições com paciência e cautela. 
A McLaren caiu no blefe da Mercedes, que se preparava nos boxes pra uma parada. Ricciardo foi chamado, fez a parada na volta 23, pouco depois de Sainz. Assim, Hamilton tomou a segunda colocação e mostrou que, assim que parasse, iria colocar pneus duros e lutaria diretamente com Norris no fim da corrida.

Hamilton parou na volta 29 e, mesmo em nono ainda estava à frente de Max, que parou na mesma volta (o que foi um erro estratégico da Red Bull, a meu ver) e caiu para décimo segundo. A tal tentativa de cuidar da corrida do Lewis pela Mercedes, ainda não tinha sido desastrosa. Ele ainda tinha uma vida mais fácil em relação ao Verstappen. 
Porque era mais fácil? Bem, ele iria até o final com aquele jogo de pneus, Norris teria dificuldades de segurá-lo no fim da corrida. Justamente Pérez, Alonso e Leclerc iam à frente (ainda sem fazerem o pit stop), e Norris, tinha dificuldade de se livrar deles. Lewis de perto acompanhava, em quinto, se desvencilhando de Gasly para se afastar de Verstappen. 

Incentivado pelo Wolff a dizer que a vitória estava a seu alcance, como em um passe de mágica com muito pó de pirlimpimpim, Hamilton chegava em Norris, ficando, pela volta 33 mais ou menos, a 5 segundos do jovem garoto da McLaren. "Uma andorinha..."
Assim que Alonso e Pérez fizeram as suas paradas, Norris retomou a liderança com Hamilton esperando o momento de dar o bote. Verstappen à essa altura, parecia ter algum problema. Era sexto mas caiu para sétimo, sendo ultrapassado por Alonso, de pneus novos, logo após a parada do espanhol. 

Providencialmente, os avisos de chuva batiam à porta, faltando dez voltas para o fim. Mais uma vez, estávamos diante de uma corrida considerada "chata" que teria emoção no começo e no fim, entusiasmando os fãs, que diriam (em caixa alta no Twitter) que amavam a Fórmula 1.

Dessa vez, ninguém falava em piloto do dia ser Verstappen, que tinha feito como Pérez ou Bottas, ou seja, arquitetado corridas de recuperação na Holanda e em Monza, respectivamente. O piloto do dia, mesmo se perdesse a posição para Lewis (o que parecia cruel, mas apenas questão de tempo) era unanimante Lando Norris.

Que o final fabuloso para o GP da Rússia estava sendo preparado? Entramos em tensão Os primeiros pingos começaram a cair em um setor da pista. Norris se negou a colocar os pneus slicks, confiando que daria certo. O coração foi pesando à medida que ele vinha sofrendo para se manter na pista. Norris escapou na curva 5 e aguentou a liderança, apesar de ficar a menos de um segundo de Hamilton. E na volta 48, o tráfego era mais um motivo de complicação. Todos começaram a fazer as decisões mais rápido de irem aos boxes e colocarem intermediários. Stroll patinava na pista e tocava de leve com Vettel.  Raikkonen decidia parar alertando a Alfa Romeo, assim como Russell, que entrava em entendimento com a Williams. Verstappen também entrava nos boxes e Bottas, fazia o mesmo.
Hamilton negou os avisos de troca, mas incapaz de controlar o carro, aceitou ir para os pits na volta 50. 
No desespero, deixei a tv no mudo. Não queria ouvir gritos, apenas ver o que acontecia, com calma e olhos atentos. Norris bateu no muro e Lewis tomou a liderança da corrida. Fechei os olhos em pesar.

Verstappen foi rápido na decisão e foi ultrapassando e ganhando posições, até chegar em segundo. Antes dos primeiros pingos, não parecia que ele estaria fechando o GP russo apenas 2 pontos atrás do Hamilton. Sorte de campeão?
Sainz que também tinha se decidido rápido, fechou o top 3. Norris parou e ainda ficou em sétimo, com direito a volta rápida. 

"Uma andorinha não faz verão". O coletivo tem sempre mais força. É isso que o dito popular nos diz: sozinhos, não conseguimos muito, mas juntos, "movemos montanhas", outra expressão usual. 
Norris teve uma atitude corajosa. Agora, com o resultado final, parece infantil, uma bobagem das grandes não ter aceitado parar quando a equipe o chamou. O erro acarretou uma chuva de críticas, no entanto, uso outra metáfora para justificar: "quem não arrisca, não petisca".
A linha entre a percepção rápida de salvar a corrida e a atitude intuitiva é da espessura de um fio de cabelo. Norris olhou para a pista e tentou ler as condições. Não estava ruim o suficiente no ponto em que ele estava. Ele arriscou. Queria muito a vitória. Teria sido triunfal se conseguisse vencer ainda naquelas condições.
De todo modo, Lewis teria vencido a corrida. Dói mais saber que a decisão tomada na hora da chuva, poderia ter evitado. Mas "e se" não participa do resultado. 
O menino de riso fácil, chorou e reconheceu o erro, que, parece clichê, mas será convertido em aprendizado. Da próxima vez, Norris confiará na equipe. E ela também poderá errar. O acaso ocorreu e a sorte sorriu somente para quem sempre sorri. É a dinâmica das coisas: para um estar no topo, o outro precisa amargar a derrota.

 Em "O Senhor dos Anéis", livro de fantasia do também britânico J. R. R. Tolkien, há um trecho (e uma cena do filme) de conversa entre dois personagens emblemáticos da história - o mago Gandalf e o hobbit Frodo - que serviria de conselho, caso eu pudesse falar com Norris depois de tudo aquilo que aconteceu nas voltas finais da corrida. Faço aqui, o recorte, que assumidamente vale para todos aqueles que já erraram na vida e sentiram o peso do fracasso sob os ombros. 

Contexto: Ao conversarem sobre o Um Anel, o Sauron e toda a sua sombra que rondava a Terra-média depois de uma derrota e uma pausa, crescendo novamente, pelo poder de sua jóia, Frodo comenta com pesar:

-  "Gostaria que isso não tivesse acontecido na minha época."
- "Eu também - disse Gandalf. - Como todos os que vivem nesses tempos. Mas a decisão não é nossa. Tudo o que temos de decidir é o que fazer com o tempo que nos é dado. (...)"

No filme, essa cena foi adaptada em um outro momento da história (ver no link).

Embora fique no ar a sentença de que não podemos contar com outros, a questão aqui é que nenhum deles, nem mesmo Hamilton, teria chegado em segundo sem todo o trabalho da Mercedes e incentivo do chefe. Lembramos também que ele titubeou também em parar nos boxes. 
No caso do Norris, a sua decisão foi correta no tempo que foi dado. 
Mais adiante, Tolkien escreve que Gandalf diz que o acaso surgiu na época de Frodo, e isso, aparece num sentido de que isso não era controlável.
A vitória de Norris estava calcada em um acaso: ele tinha feito tudo certo até ali, aproveitado a oportunidade de largar na frente, retomado a primeira colocação ultrapassando Sainz, gerido pneus e se defendido de Hamilton. Poderia ter dado certo, não fosse a chuva.
E se um pensamento encoraja, de modo algum, se trata de um demérito ter terminado em sétimo. 

Abraços afáveis!

PS: o Clube da Velocidade comenta a corrida, hoje, às 20hs, no link - Roleta Russa: Lando sem, Lewis cem.