segunda-feira, 18 de março de 2019

Novelinha da F1 2019: Capítulo 1 - Austrália

A F1 está virando uma novela. Até seriado da Netflix tem. 
A aposta do canal de streaming é popularizar-se na F1. A proposta da F1 é popularizar-se com o público deles, os usuários. 
A tendência é conseguir, afinal, o pessoal está investindo em séries, pois sabem que o povo é carente.
Botem reparo, os filmes já não atraem um grande público, comentários de esquina à esquina, se não tiverem "sequência". As franquias dominam as salas de cinema. Esse apelo é semelhante ao das séries: uma aproximação dos personagens com os espectadores é tamanha, que a gente cria apelidos, faz torcida e chora com as mortes deles, como se fosse parte de nós.
Típica novela da Globo. Por mais que se odeie a emissora, estamos agindo que nem aquele pessoal dos anos 90 que comentava novela. Essa geração acharia isso ridículo. Mas, aviso: é a mesma coisa com as séries.

Lá na Grécia antiga, a poesia tinha muitas funções que os filósofos discutiam quais seriam. (Até hoje, inclusive, nas universidades, se faz isso). As "encenações" tinham, como uma das funções mais difundidas entre eles, de educar, ensinar, fazer suscitar paixões... Reações!
Nos tempos em que vivemos, qualquer coisa vira obsessão. Por um filme, seriado, ator ou atriz, livro (mais raro), músico/banda, esportistas e até políticos (bem sabemos). A maioria citada, são vinculados à entretenimentos. De forma desagradável, estas coisas também estão relacionadas à realização sócio-política: "Gosto do fulano pois ele diz isso e isso sobre o meio ambiente". "Gosto da ciclana porque ela é engajada nos direitos das mulheres..." E assim vai. 
Colocar nossas expectativas intelectuais - ou seja, o que se espera que nós busquemos sozinhos ao longo da vida - proveniente de artistas, é querer comer pão e ir comprar num açougue. Artistas deveriam ser responsáveis por nos trazer alguma forma de prazer: seja pelo talento na arte em que o tornou público, seja na aparência física (que convenhamos, é inevitável, mesmo quando somos mais racionais), não nos "ensinar" a ser mulher de luta, ambientalista, ou pró chinchilas no salão de beleza. 

O mesmo, creio, serve para esportistas. Um jogador de futebol que está mais nas colunas sociais pelas festas, mulheradas e problemas com a justiça do que com a seção de esportes não é do tipo que a gente adoraria ter como exemplo para jovens por aí. Claro que faz parte da vida dele. Mas uma coisa não pode sobrepor a outra. Se as colunas sociais são maiores que o número de gols, ele é celebridade, não atleta.

O documentário da Netflix (que eu não vi, mas um monte de gente viu) parece agora ter lançado um raio X de personalidades da F1. O termo "circo da F1" nunca fez tanto sentido com a estreia da série de documentários e o começo da temporada de 2019.

Austrália, Melbourne. Uma pista bem difícil. Boa, apesar de complicada, e de ser de madrugada. Abria a porteira da temporada e nos dava um gostinho de alívio depois de 3 meses sem corridas. Nos últimos anos, tem sido enfadonha e sem emoções. Tudo por conta da mesmice que não desgarra da categoria fazem 5 anos.

Pouca gente teve coragem de dizer, mas já no sábado, a F1 apresentou a verdadeira porcaria que será. A maioria acordou (ou nem dormiu) de madrugada para assistir ao primeiro treino. Masoquismo define.
Eu não. Fazem 5 anos que deixo as classificações e corridas de madrugada, gravando. Fazem 5 anos que passo para frente quando estão do jeito que imagino que estariam.
Apesar de nossa mídia especializada dizer que Hamilton surpreendeu a todos com a pole, ter rolado uns memes sobre o assunto, eu mesma, no post de comentários sobre carros e pilotos de 2019, escrevi na primeira frase, abaixo do carro da Mercedes, que era a equipe "falsiane" da pista. Voltem lá e comprovem.
O segundo parágrafo daquele post diz também, claramente: não existe recomeçar do zero, a Mercedes é favorita. Não existe Papai Noel, Coelho da Páscoa, nem Ferrari melhor que Mercedes. Quer acreditar nessas coisas? Então vamos acreditar na novela.

O primeiro capítulo da novela se desenhou. "Brindamos" o fato de 2018 não ter terminado. Vocês brindaram sabotando o sono de vocês, eu brindei no soninho danado de bom.
A corrida era absurdamente pouco atrativa. Não gravei, não coloquei celular para despertar. Optei por assistir o VT.
Que "surpresa". Um dos personagens secundários, venceu a corrida! 
Uma corrida chata para caramba, por sinal. Nada do que disseram que veríamos (competitividade, expectativas renovadas, comportamento de carros e pilotos novos em cockpits novos), aconteceu.

A carência é tamanha que, até o personagem secundário foi ovacionado. Isso porque é a primeira corrida e a novela segue o público. Se Hamilton vencesse, era bem possível que deixassem de acompanhar o capítulo seguinte, se fossem espertos os suficiente. Como ele é extremamente descompromissado com o trabalho, Hamilton se deu o luxo de esquecer que tem um companheiro bom de reflexo para largadas: Valtteri Bottas.
Inteligente, Bottas aproveitou a chance, por uma corrida, o fato de ter o mesmo carro que o companheiro. Se vencer mais duas desse jeito, as falhas virão. Se for mais petulante e sozinho, conseguir alguns outros feitos sob o King, Esteban Ocon sorrirá de orelha a orelha. 2020 a vaga é dele.
A F1 em si, deve ter respirado aliviada. Com a vitória do Bottas, quase ninguém se deu conta da jogada de marketing para o resto da temporada. Existe uma competição, mesmo que seja interna à Mercedes. 
A grande decepção de alguns foi Ferrari, especialmente Leclerc. Para mim, foi absolutamente esperado. 
Fiquem calmos. Não dou duas corridas para a Ferrari mandar trocar posições de Vettel pelo Leclerc e a crise se instaurar na equipe. Assim, a coisa fica feia lá dentro e a Mercedes vai bicando pontos. Se vocês querem ver o Vettel seco e se arrastando na pista, o começo desse triunfo dos haters é agora. Peguem a pipoca. Irão se divertir.
Mas quem confia no Leclerc, aviso: A coisa pode ficar melhorzinha para ele agora, mas não por muito tempo. A Ferrari é do tipo que logo enjoa de seus pilotos. Quem cria afinidades ali, logo espirra fora. Eles trabalham à moda antiga e errado. Mas como bons italianos, são teimosos demais para enxergarem os erros.

Do núcleo pobre da novela é o seguinte: as Williams não decepcionaram, fizeram o papel de fiasco como mandava expectativa: fim de grid. Ao menos, não abandonaram, como Grosjean e Ricciardo - dois dos mais azarados pilotos. A decepção da Renault já veio com o abandono prematuro de Ricciardo, mas não com Hulk, que completou a corrida em sétimo lugar, ainda à frente de Räikkönen. Esse por sua vez, não decepciona: Colocou uma Alfa Romeo na zona de pontuação. Well done!
Quanto à McLaren, os problemas permanecem, e a má sorte com o carro mal gerido caiu no colo de Sainz. Quanto à Stroll Racing Point, eis o "trabalho" bem feitinho: papai comprou a equipe e os pontos - Stroll terminou a corrida em nono lugar. Pérez foi só o décimo terceiro. 

A emoção da corrida, foi dada pelo tal ponto extra de volta rápida. O que é a coisa mais besta da temporada. Esteve com o Bottas boa parte da porcentagem das voltas e com ele ficou na última.  O cara esteve com a cara para o vento pelo menos 60% das voltas totais. Verstappen estava com o ponto na mão quando Bottas o superou. As injustiças sobre isso seguirão por toda a temporada. 
Ao contrário do que o nosso "querido narrador" disse, o ponto extra para volta rápida é ruim, mas melhor que um para a pole. Pole é melhor carro. Volta rápida ainda pode ser algo que um acha que está com um e na verdade, pode mudar para outro. A gente acaba entrando na onda de ficar esperando ver quem é que leva o ponto extra - ponto que, no fim das contas, não decidirá campeonato. É só a cereja de um bolo que é sem glúten, sem açúcar e sem lactose. Você come o bolo com cara de tristeza e quando chega na cereja, descobre que é gelatina no formato da fruta.
Mesmo assim, houve quem aceitasse levar mais um pedacinho para casa para saborear no café da manhã... 
Capítulo 1 da novela teve a missão completa. O público está empolgado. O próximo será dos dias 30 e 31. 

Daqui deixo avisado quenos próximos dias, postarei a "foto novela". Deixem suas impressões sobre a corrida de abertura nos comentários aqui ou na página. 

Abraços afáveis!

2 comentários:

diogo felipe disse...

Carrera frqquinha e sonolenta. A disputa pelo ponto da vilta entre Max e bottas serviu pra não ser total decepcionante ficar acordado de madruga. 😉

Agora, senti um certo ufanismo no teu apontamento ao Kimi... 😏

Manu disse...

Ufanista com o Kimi??? Euuuuuuuu??? Imagiiiiina!!! Tô indignada!!(rsrsrsrsrsrsrs...)